Os eleitos de Deus e o seu caminhar no tempo e no teatro de Deus (47) por Hermisten Maia 15/05/2019

Os eleitos de Deus e o seu caminhar no tempo e no teatro de Deus (47) por Hermisten Maia 15/05/2019
maio 15 08:57 2019

10.3. O “Espírito da Graça” e a Igreja[1]

 

É uma grande bênção ter um Deus que não é uma Pessoa senão três. Constitui uma Trindade abundante. Porque não só um Pai que nos ama e cuida de nós, senão também um Cristo que trouxe salvação e intercede por nós e um Espírito Santo que mora dentro de nós e aplica a salvação à nossa vida. – Edwin H. Palmer (1922-1980).[2]

 

É somente sob a direção do Espírito que tomamos posse de Cristo e de todos os seus benefícios”, comenta Calvino.[3]. De fato, o Espírito é chamado de “Espírito da Graça” (Hb 10.29/Zc 12.10), porque é ele quem aplica a graça de Deus aos pecadores eleitos, conduzindo-os progressivamente à conformação da imagem de Cristo. O Espírito é “comunicador da graça”.[4] Este ministério tem início, quando o Espírito nos leva a aceitar a mensagem de perdão dos nossos pecados. O Espírito anuncia que chegou o tempo da salvação, que é caracterizado pelo perdão para todos aqueles que se arrependem de seus pecados.

 

Sem as obras da Trindade, jamais seríamos salvos pela graça. A graça de Deus, que é personificada em Cristo, é apenas um lado das obras redentoras do Deus Triúno. Toda a Trindade está comprometida na salvação do seu povo, tendo cada uma das Pessoas da Santíssima Trindade, conforme o Conselho trinitário, um papel fundamental.

 

Conforme já tratamos, a obra do Espírito é distinta da obra do Pai e do Filho, porém, não é independente. A Trindade opera, conjuntamente, tendo o mesmo propósito eterno: a glória do próprio Deus através da salvação do seu povo (Is 43.7/Ef 1.6; 1Pe 2.9,10).[5]

 

O Espírito está tão essencialmente ligado à igreja que, na linguagem de Pedro, mentir à igreja é o mesmo que mentir ao Espírito (At 5.3,9).[6] A Igreja é a comunidade do Espírito formada e preservada por ele. Ao longo da História, “Deus tem preservado sua Igreja de uma maneira comum ou ordinária, porém com terrível majestade”, alegra-se Calvino.[7]

 

Dentro de outra perspectiva, declara Bavinck (1854-1921):

 

Assim como Cristo em Sua concepção assumiu a natureza humana e nunca colocou-a de lado, assim também o Espírito Santo no dia de Pentecostes passou a usar a Igreja como Sua morada e como Seu santuário e nunca se separará dela.[8]

 

A Igreja de fato é de Deus. Vejamos alguns pontos concernentes a este fato.

 

10.3.1. Estabelece a igreja

 

Sem o Espírito não haveria Igreja, isto, porque não haveria crente em Cristo. A Igreja é composta por pessoas que confessam o Senhorio de Cristo. Esta confissão só é possível pela ação poderosa do Espírito (Cf. 1Co 12.3/Rm 10.9-10).[9] A igreja é o reflexo dos atos da Trindade.

 

O Deus Trino atua de tal forma que a sua igreja foi constituída e é preservada até a consumação definitiva da obra de Cristo, quando ele será glorificado na Igreja e a Igreja nele:

 

Quando vier para ser glorificado nos seus santos e ser admirado em todos os que creram, naquele dia (porquanto foi crido entre vós o nosso testemunho). Por isso, também não cessamos de orar por vós, para que o nosso Deus vos torne dignos da sua vocação e cumpra com poder todo propósito de bondade e obra de fé, a fim de que o nome de nosso Senhor Jesus seja glorificado em vós, e vós, nele, segundo a graça do nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo. (2Ts 1.10-12).

 

A Igreja é uma comunidade de pecadores regenerados. A regeneração é efetuada pelo Espírito (Cf. Jo 3.3,5; Tt 3.5).[10] Logo, sem a ação regeneradora do Espírito, não existiriam cristãos nem Igreja.

 

O Espírito é a alma da Igreja, é quem lhe dá ânimo e vitalidade. É o Espírito quem dirige os homens à porta de salvação que é Cristo (Jo 10.9).[11] Ao longo da História, o Espírito tem estabelecido a Igreja, chamando, através da Palavra, os homens para constituírem a Igreja de Deus. “Do mesmo modo, escreve Palmer, que o Espírito Santo formou o corpo físico de Jesus Cristo, na encarnação, assim também forma o corpo místico de Jesus Cristo, ou seja, a igreja”.[12]

 

Boanerges Ribeiro (1919-2003) acentua a especificidade e especialidade da Igreja:

 

A Igreja resulta de uma ação especial, não ‘rotineira’, de Deus entre os homens. O que organiza a Igreja, o que faz dos indivíduos de outra forma dispersos uma comunidade é a presença permanente de uma pessoa certa e determinada, o Santo Espírito Divino.[13]

 

A Igreja é a comunidade daqueles que foram chamados do mundo para Deus pela operação do Espírito, daqueles “que têm a mesma fonte genética, o sangue de Cristo, o novo nascimento”.[14]

 

 

São Paulo, 13 de maio de 2019.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

 

*Leia esta série completa aqui.

Fonte: www.hermisten.com.br

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