{"id":104049,"date":"2026-08-26T08:23:32","date_gmt":"2026-08-26T12:23:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/?p=104049"},"modified":"2026-08-26T08:24:25","modified_gmt":"2026-08-26T12:24:25","slug":"projetos-mobilizam-quase-r-17-bilhao-para-agua-producao-rural-e-recuperacao-de-terras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/projetos-mobilizam-quase-r-17-bilhao-para-agua-producao-rural-e-recuperacao-de-terras\/","title":{"rendered":"Projetos mobilizam quase R$ 1,7 bilh\u00e3o para \u00e1gua, produ\u00e7\u00e3o rural e recupera\u00e7\u00e3o de terras"},"content":{"rendered":"<p class=\"isSelectedEnd\">Quatro iniciativas voltadas \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, ao acesso \u00e0 \u00e1gua e \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o produtiva de \u00e1reas degradadas re\u00fanem investimentos previstos de quase R$ 1,7 bilh\u00e3o no Semi\u00e1rido e na Amaz\u00f4nia. Os recursos est\u00e3o distribu\u00eddos entre Sert\u00e3o Vivo, Recaatingar, Sanear Amaz\u00f4nia e Restaura Amaz\u00f4nia, programas que procuram transformar conserva\u00e7\u00e3o ambiental em infraestrutura, produ\u00e7\u00e3o de alimentos e gera\u00e7\u00e3o de renda no campo.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">A carteira ganhou proje\u00e7\u00e3o internacional nesta semana porque parte dessas experi\u00eancias est\u00e1 sendo apresentada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) na 17\u00aa Confer\u00eancia das Partes da Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas de Combate \u00e0 Desertifica\u00e7\u00e3o, realizada at\u00e9 sexta-feira (28.08) em Ulaanbaatar, na Mong\u00f3lia.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">O encontro ocorre em um momento de press\u00e3o crescente sobre a produ\u00e7\u00e3o rural. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, a degrada\u00e7\u00e3o j\u00e1 afeta at\u00e9 40% das terras do planeta, com reflexos sobre a oferta de alimentos, a disponibilidade de \u00e1gua, a renda das comunidades e a estabilidade econ\u00f4mica. A confer\u00eancia discute principalmente como transformar compromissos ambientais em projetos financi\u00e1veis e execut\u00e1veis.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">No Brasil, o maior dos programas levados ao debate \u00e9 o Sert\u00e3o Vivo. A iniciativa j\u00e1 re\u00fane R$ 1,025 bilh\u00e3o em contratos firmados com Bahia, Cear\u00e1, Para\u00edba, Piau\u00ed e Sergipe. A previs\u00e3o \u00e9 alcan\u00e7ar 250 mil fam\u00edlias rurais, aproximadamente 1 milh\u00e3o de pessoas, com prioridade para agricultores familiares em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">O programa pretende implantar cerca de 20 mil estruturas de acesso \u00e0 \u00e1gua e apoiar 84 mil hectares de sistemas produtivos mais resistentes \u00e0 seca. Entre as a\u00e7\u00f5es previstas est\u00e3o quintais produtivos, sistemas agroflorestais, recupera\u00e7\u00e3o de solos, armazenamento de \u00e1gua e atividades adaptadas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es do Semi\u00e1rido.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">A proposta original do Sert\u00e3o Vivo \u00e9 ainda maior. O desenho apresentado em parceria com o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agr\u00edcola prev\u00ea mobilizar at\u00e9 R$ 1,8 bilh\u00e3o e alcan\u00e7ar 439 mil fam\u00edlias nos nove estados do Nordeste. A expans\u00e3o, entretanto, depende da contrata\u00e7\u00e3o das opera\u00e7\u00f5es restantes e da capacidade dos governos estaduais de executar os projetos.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Para o produtor, a principal diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao cr\u00e9dito rural convencional \u00e9 que o dinheiro n\u00e3o chega necessariamente como um financiamento individual contratado no banco. Os recursos s\u00e3o repassados aos estados para investimentos coletivos, assist\u00eancia t\u00e9cnica, infraestrutura h\u00eddrica e implanta\u00e7\u00e3o de tecnologias produtivas. Na ponta, o apoio ao agricultor pode ocorrer de forma n\u00e3o reembols\u00e1vel, conforme o projeto executado em cada estado.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Outra frente \u00e9 o Recaatingar, que re\u00fane R$ 60 milh\u00f5es para recuperar \u00e1reas degradadas da Caatinga. Metade do valor ser\u00e1 aportada pelo BNDES e a outra metade pelo Banco do Nordeste. A sele\u00e7\u00e3o prev\u00ea entre 15 e 25 projetos, com apoio de R$ 2 milh\u00f5es a R$ 4 milh\u00f5es por proposta e prazo de execu\u00e7\u00e3o de at\u00e9 cinco anos.<\/p>\n<div>\n<div class=\"centered-text-area\">\n<div class=\"centered-text\">\n<div class=\"uc792927d79d771a2a3af4f648a20b56b-content\"><span class=\"ctaText\">Leia Tamb\u00e9m:<\/span>\u00a0 <span class=\"postTitle\">Rendas do agroneg\u00f3cio devem atingir R$ 1 trilh\u00e3o em 2023<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ctaButton\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Os projetos dever\u00e3o combinar recupera\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o, sistemas agroflorestais, conserva\u00e7\u00e3o do solo e da \u00e1gua, seguran\u00e7a alimentar e aproveitamento econ\u00f4mico de esp\u00e9cies adaptadas ao bioma. A chamada alcan\u00e7a munic\u00edpios da \u00e1rea da Caatinga e do Semi\u00e1rido e pretende recuperar \u00e1reas de 50 a 100 hectares por iniciativa.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Do total mobilizado, at\u00e9 R$ 55,2 milh\u00f5es ser\u00e3o destinados diretamente aos projetos selecionados. A segunda rodada de apresenta\u00e7\u00e3o de propostas est\u00e1 prevista para ocorrer entre 15 de outubro e 14 de dezembro. Podem participar organiza\u00e7\u00f5es com capacidade para executar as a\u00e7\u00f5es junto \u00e0s comunidades, e n\u00e3o produtores individualmente.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Essa distin\u00e7\u00e3o \u00e9 importante para evitar que o an\u00fancio seja interpretado como uma linha de cr\u00e9dito dispon\u00edvel no balc\u00e3o banc\u00e1rio. O acesso dos agricultores depender\u00e1 dos projetos aprovados, dos territ\u00f3rios escolhidos e das organiza\u00e7\u00f5es respons\u00e1veis pela execu\u00e7\u00e3o. Para chegar ao campo, o recurso ainda precisa percorrer as etapas de sele\u00e7\u00e3o, contrata\u00e7\u00e3o, defini\u00e7\u00e3o dos benefici\u00e1rios e implanta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">O Recaatingar tamb\u00e9m procura aproximar restaura\u00e7\u00e3o ambiental e atividade econ\u00f4mica. Em vez de simplesmente isolar as \u00e1reas, o programa permite sistemas produtivos com esp\u00e9cies nativas e plantas n\u00e3o invasoras adaptadas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es locais. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 recuperar o solo sem retirar da propriedade sua capacidade de produzir e gerar renda.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Na Amaz\u00f4nia, o problema central \u00e9 diferente. Em muitas comunidades rurais e extrativistas, a limita\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 apenas na qualidade da terra, mas na falta de \u00e1gua pot\u00e1vel e de estruturas para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos. O Sanear Amaz\u00f4nia reservou R$ 150 milh\u00f5es para atender 4.626 fam\u00edlias no Acre, Amazonas, Amap\u00e1, Par\u00e1 e Rond\u00f4nia.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Os projetos incluem tecnologias sociais de capta\u00e7\u00e3o, armazenamento e tratamento de \u00e1gua para consumo humano e produ\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m preveem acompanhamento das fam\u00edlias para inclus\u00e3o produtiva, condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para evitar que cisternas e outras estruturas sejam entregues sem assist\u00eancia para sua opera\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">O acesso \u00e0 \u00e1gua tem efeito econ\u00f4mico direto na propriedade. Al\u00e9m de reduzir doen\u00e7as e o tempo gasto no abastecimento, permite manter hortas, pequenos criat\u00f3rios e atividades de processamento durante per\u00edodos de estiagem ou de dificuldade de acesso aos rios. Em comunidades isoladas, uma estrutura de abastecimento pode representar a continuidade da produ\u00e7\u00e3o e da renda familiar.<\/p>\n<div>\n<div class=\"centered-text-area\">\n<div class=\"centered-text\">\n<div class=\"u116aeaa5cff454e3010132576019c5ed-content\"><span class=\"ctaText\">Leia Tamb\u00e9m:<\/span>\u00a0 <span class=\"postTitle\">Renegocia\u00e7\u00f5es de d\u00edvidas rurais atinge R$ 7,5 bilh\u00f5es em quase 28 mil contratos<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ctaButton\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"isSelectedEnd\">O programa foi ampliado em 2026 com uma iniciativa espec\u00edfica para comunidades ind\u00edgenas. O Sanear Ind\u00edgena disp\u00f5e de mais R$ 150 milh\u00f5es para atender 4.417 fam\u00edlias, cerca de 20,8 mil pessoas, em 351 aldeias distribu\u00eddas por 63 terras ind\u00edgenas do Acre, Amazonas e Par\u00e1. Esse valor \u00e9 adicional ao or\u00e7amento do Sanear Amaz\u00f4nia e n\u00e3o est\u00e1 inclu\u00eddo na soma inicial dos quatro projetos.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">A quarta frente \u00e9 o Restaura Amaz\u00f4nia, que prev\u00ea at\u00e9 R$ 450 milh\u00f5es em recursos n\u00e3o reembols\u00e1veis do Fundo Amaz\u00f4nia. A iniciativa alcan\u00e7a Acre, Amazonas, Rond\u00f4nia, Mato Grosso, Tocantins, Par\u00e1 e Maranh\u00e3o e financia tanto a recupera\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica com esp\u00e9cies nativas quanto sistemas agroflorestais capazes de combinar restaura\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Em sua primeira etapa, foram destinados R$ 126 milh\u00f5es a 17 projetos. A execu\u00e7\u00e3o fica a cargo de organiza\u00e7\u00f5es selecionadas, respons\u00e1veis por contratar e acompanhar as a\u00e7\u00f5es nos territ\u00f3rios. O modelo permite que os recursos cheguem a associa\u00e7\u00f5es, cooperativas e comunidades que normalmente teriam dificuldade para apresentar opera\u00e7\u00f5es diretamente a uma institui\u00e7\u00e3o financeira.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">A experi\u00eancia do Fundo Amaz\u00f4nia d\u00e1 escala a esse tipo de investimento. O fundo contabiliza 151 projetos apoiados, com R$ 5,7 bilh\u00f5es em recursos aprovados e R$ 2,74 bilh\u00f5es j\u00e1 desembolsados. Entre seus resultados est\u00e3o 259 mil pessoas beneficiadas por atividades produtivas sustent\u00e1veis, 652 organiza\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias fortalecidas e R$ 321 milh\u00f5es obtidos com a comercializa\u00e7\u00e3o de produtos apoiados.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Os n\u00fameros ajudam a mostrar que restaura\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa apenas recompor vegeta\u00e7\u00e3o. Os projetos tamb\u00e9m podem movimentar viveiros de mudas, coleta de sementes, assist\u00eancia t\u00e9cnica, sistemas agroflorestais, beneficiamento de produtos, cooperativas e mercados ligados \u00e0 sociobiodiversidade.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">O desafio agora \u00e9 transformar os valores anunciados em entregas dentro das propriedades e comunidades. Parte dos recursos ainda depende de editais, contrata\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o local. A diferen\u00e7a entre uma carteira bilion\u00e1ria e seu resultado econ\u00f4mico ser\u00e1 medida pela quantidade de fam\u00edlias atendidas, hectares recuperados, sistemas de \u00e1gua funcionando e atividades produtivas capazes de continuar depois do encerramento dos projetos.<\/p>\n<blockquote><p>A presen\u00e7a dessas iniciativas na confer\u00eancia da Mong\u00f3lia serve como vitrine, mas n\u00e3o \u00e9 o ponto principal para o produtor brasileiro. O que importa \u00e9 se os modelos conseguir\u00e3o ampliar a capacidade de produzir sob seca, recuperar \u00e1reas que perderam produtividade e levar infraestrutura a regi\u00f5es onde a falta de \u00e1gua ainda limita o trabalho e a renda rural.<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/pensaragro.com.br\/projetos-brasileiros-mobilizam-quase-r-17-bilhao-para-agua-producao-rural-e-recuperacao-de-terras\/\">Pensar Agro<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quatro iniciativas voltadas \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, ao acesso \u00e0 \u00e1gua e \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o produtiva de &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":104050,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[188],"tags":[],"class_list":["post-104049","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"wps_subtitle":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/104049","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=104049"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/104049\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":104051,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/104049\/revisions\/104051"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/104050"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=104049"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=104049"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=104049"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}