{"id":104818,"date":"2026-09-28T10:17:54","date_gmt":"2026-09-28T14:17:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/?p=104818"},"modified":"2026-09-28T10:17:54","modified_gmt":"2026-09-28T14:17:54","slug":"pesquisas-preparam-agro-para-mercado-de-carbono-que-ja-gera-r-556-bilhoes-por-ano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/pesquisas-preparam-agro-para-mercado-de-carbono-que-ja-gera-r-556-bilhoes-por-ano\/","title":{"rendered":"Pesquisas preparam agro para mercado de carbono que j\u00e1 gera R$ 556 bilh\u00f5es por ano"},"content":{"rendered":"<p data-pm-slice=\"1 1 []\">Pesquisas realizadas por universidades e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa) come\u00e7am a dimensionar quanto o campo brasileiro pode reduzir de emiss\u00f5es e retirar de carbono da atmosfera por meio da recupera\u00e7\u00e3o de pastagens, do plantio direto, da rota\u00e7\u00e3o de culturas, dos sistemas integrados e do uso de microrganismos. Al\u00e9m do efeito ambiental, os resultados ajudam a construir as bases t\u00e9cnicas para a futura participa\u00e7\u00e3o dos produtores no mercado de carbono.<\/p>\n<p data-pm-slice=\"1 1 []\">As pesquisas ganham cada vez mais import\u00e2ncia, dado o tamanho crescente do mercado mundial de carbono. Segundo o Banco Mundial, os sistemas de precifica\u00e7\u00e3o de carbono geraram mais de R$ 556 bilh\u00f5es em receitas p\u00fablicas no mundo em 2025, considerando a convers\u00e3o pela Ptax mais recente. O resultado re\u00fane a arrecada\u00e7\u00e3o com impostos sobre emiss\u00f5es e sistemas regulados de com\u00e9rcio de carbono. Atualmente, 87 instrumentos desse tipo est\u00e3o em funcionamento e alcan\u00e7am pouco mais de 29% das emiss\u00f5es globais de gases de efeito estufa.<\/p>\n<p>Uma dessas pesquisas reuniu cientistas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de S\u00e3o Paulo (Esalq-USP), da Embrapa Agricultura Digital e da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). O estudo conjunto, publicado em 2026 na revista cient\u00edfica Nature Communications, estimou que a convers\u00e3o de \u00e1reas naturais para uso agropecu\u00e1rio retirou aproximadamente 1,4 bilh\u00e3o de toneladas de carbono dos solos brasileiros.<\/p>\n<p>O volume equivale a cerca de 5,2 bilh\u00f5es de toneladas de di\u00f3xido de carbono. A estimativa foi calculada com base em 4.290 registros reunidos por 372 estudos realizados ao longo de tr\u00eas d\u00e9cadas, com informa\u00e7\u00f5es dos seis biomas brasileiros.<\/p>\n<p>Os pesquisadores chamam essa diferen\u00e7a de \u201cd\u00edvida de carbono\u201d: o espa\u00e7o existente entre o estoque encontrado na vegeta\u00e7\u00e3o nativa e o mantido atualmente nas \u00e1reas produtivas. Isso n\u00e3o significa que todo o volume possa ser recuperado, mas indica que o manejo pode devolver ao solo parte da mat\u00e9ria org\u00e2nica perdida.<\/p>\n<p>Os resultados variam conforme o bioma e o sistema produtivo. No Cerrado, a substitui\u00e7\u00e3o da monocultura por sistemas integrados apresentou potencial te\u00f3rico de elevar em 15,3% o estoque de carbono no solo. Na Amaz\u00f4nia, a ado\u00e7\u00e3o da rota\u00e7\u00e3o ou do cons\u00f3rcio de culturas pode proporcionar incremento de 14,1%.<\/p>\n<p>Parte desse potencial j\u00e1 foi observada em experimentos de campo. Em Sinop, no norte de Mato Grosso, a Embrapa Agrossilvipastoril e o Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de S\u00e3o Paulo (Cena-USP) acompanharam durante quatro anos diferentes combina\u00e7\u00f5es de lavoura, pecu\u00e1ria e floresta.<\/p>\n<p>Ao final do per\u00edodo, todos os sistemas avaliados apresentaram remo\u00e7\u00e3o de carbono superior \u00e0s emiss\u00f5es contabilizadas. O melhor resultado foi registrado na integra\u00e7\u00e3o pecu\u00e1ria-floresta, com saldo de 51,3 toneladas de di\u00f3xido de carbono equivalente por hectare. Na integra\u00e7\u00e3o lavoura-pecu\u00e1ria-floresta, a diferen\u00e7a chegou a 39,5 toneladas por hectare.<\/p>\n<p>Os valores correspondem ao resultado acumulado nos quatro anos, e n\u00e3o a uma taxa anual. As \u00e1rvores armazenaram carbono nos troncos, galhos e ra\u00edzes, enquanto as pastagens bem manejadas contribu\u00edram para ampliar a mat\u00e9ria org\u00e2nica do solo. O aumento da produtividade tamb\u00e9m reduziu a emiss\u00e3o calculada por quilo de carne produzido.<\/p>\n<div>\n<div class=\"centered-text-area\">\n<div class=\"centered-text\">\n<div class=\"u34fc38700cd262de4dfef6cf3cf568d1-content\"><span class=\"ctaText\">Leia Tamb\u00e9m:<\/span>\u00a0 <span class=\"postTitle\">FPA deve ter a palavra final sobre inclus\u00e3o do agroneg\u00f3cio na regula\u00e7\u00e3o do mercado de carbono<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ctaButton\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Outro acompanhamento da Embrapa foi realizado na Fazenda Santa Br\u00edgida, em Ipameri, Goi\u00e1s. A propriedade come\u00e7ou a adotar sistemas integrados em \u00e1reas de pastagens degradadas em 2006, combinando plantio direto, rota\u00e7\u00e3o de culturas, braqui\u00e1ria, milho, soja, pecu\u00e1ria e \u00e1rvores.<\/p>\n<p>Nos primeiros seis anos, o teor de mat\u00e9ria org\u00e2nica na camada de at\u00e9 20 cent\u00edmetros do solo passou de 1,8% para 2,8%. O aumento correspondeu \u00e0 incorpora\u00e7\u00e3o de mais de 11 toneladas de carbono org\u00e2nico por hectare.<\/p>\n<p>O resultado ambiental ocorreu junto com o aumento da produ\u00e7\u00e3o. A produtividade do milho saiu de aproximadamente 80 para 180 sacas por hectare, enquanto a produ\u00e7\u00e3o de carne passou de duas para at\u00e9 16 arrobas por hectare. O caso mostra que a recupera\u00e7\u00e3o do solo e o aumento do estoque de carbono podem acompanhar a eleva\u00e7\u00e3o da produtividade.<\/p>\n<p>Na pecu\u00e1ria, a Embrapa Gado de Corte desenvolveu os protocolos Carne Carbono Neutro e Carne Baixo Carbono. O primeiro utiliza \u00e1rvores plantadas em sistemas integrados para compensar o metano liberado pelos bovinos durante a digest\u00e3o.<\/p>\n<p>Experimentos indicaram que cerca de 200 \u00e1rvores em crescimento por hectare podem armazenar carbono suficiente para neutralizar as emiss\u00f5es anuais de metano ent\u00e9rico de 11 bovinos adultos. Isso n\u00e3o significa, por\u00e9m, que toda a propriedade seja automaticamente neutra. A conta completa precisa incluir fertilizantes, combust\u00edvel, energia, manejo do solo e todas as demais fontes relevantes de gases de efeito estufa.<\/p>\n<p>Nas lavouras, outra frente de pesquisa utiliza microrganismos para reduzir a depend\u00eancia de fertilizantes nitrogenados. A fixa\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica de nitrog\u00eanio, desenvolvida e aperfei\u00e7oada no pa\u00eds por institui\u00e7\u00f5es como a Embrapa Agrobiologia e a Embrapa Soja, permite que bact\u00e9rias associadas \u00e0s ra\u00edzes forne\u00e7am \u00e0s plantas o nutriente retirado do ar.<\/p>\n<p>Na soja, essa tecnologia praticamente elimina a necessidade de aplica\u00e7\u00e3o de nitrog\u00eanio mineral. A Embrapa estima que a substitui\u00e7\u00e3o do fertilizante pela a\u00e7\u00e3o das bact\u00e9rias evite a emiss\u00e3o de aproximadamente 12 milh\u00f5es de toneladas de di\u00f3xido de carbono equivalente por ano. A redu\u00e7\u00e3o ocorre tanto na fabrica\u00e7\u00e3o e no transporte do insumo quanto pela menor libera\u00e7\u00e3o de \u00f3xido nitroso no solo.<\/p>\n<p>Essas medi\u00e7\u00f5es ganham import\u00e2ncia com o avan\u00e7o dos mercados de carbono. Nesse sistema, cada cr\u00e9dito representa, em regra, uma tonelada de di\u00f3xido de carbono equivalente que deixou de ser emitida ou foi removida da atmosfera. O ativo pode ser comprado por empresas que precisam cumprir obriga\u00e7\u00f5es legais ou que assumiram voluntariamente metas de redu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O mercado mundial est\u00e1 dividido entre sistemas regulados, nos quais governos estabelecem limites de emiss\u00e3o, e mercados volunt\u00e1rios, formados por negocia\u00e7\u00f5es realizadas sem obriga\u00e7\u00e3o legal. Em 2026, o Banco Mundial contabilizou 87 pol\u00edticas de precifica\u00e7\u00e3o de carbono em funcionamento, sete a mais do que no ano anterior. Esses instrumentos alcan\u00e7avam pouco mais de 29% das emiss\u00f5es globais de gases de efeito estufa.<\/p>\n<div>\n<div class=\"centered-text-area\">\n<div class=\"centered-text\">\n<div class=\"uc864a94a7a302834e676517315eace8b-content\"><span class=\"ctaText\">Leia Tamb\u00e9m:<\/span>\u00a0 <span class=\"postTitle\">Cr\u00e9dito privado avan\u00e7a e CPR supera R$ 600 bilh\u00f5es no in\u00edcio da safra<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ctaButton\"><\/div>\n<\/div>\n<p>A quantidade de cr\u00e9ditos emitidos no mundo cresceu 8% entre 2024 e 2025, mas os pre\u00e7os m\u00e9dios recuaram. Projetos considerados mais confi\u00e1veis, com metodologias robustas e maior seguran\u00e7a sobre a perman\u00eancia do carbono, continuaram recebendo valores superiores. Isso mostra que n\u00e3o basta afirmar que uma propriedade captura carbono: \u00e9 necess\u00e1rio provar o resultado.<\/p>\n<p>No Brasil, o Sistema Brasileiro de Com\u00e9rcio de Emiss\u00f5es de Gases de Efeito Estufa (SBCE) foi criado pela Lei n\u00ba 15.042, de 2024. A produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria prim\u00e1ria e a infraestrutura diretamente associada aos im\u00f3veis rurais ficaram fora das obriga\u00e7\u00f5es impostas pelo mercado regulado.<\/p>\n<p>A exclus\u00e3o impede que o produtor seja obrigado a entregar cotas por causa das emiss\u00f5es da atividade prim\u00e1ria, mas n\u00e3o o afasta das oportunidades econ\u00f4micas. Projetos rurais poder\u00e3o gerar cr\u00e9ditos de carbono e, quando atenderem aos crit\u00e9rios oficiais, Certificados de Redu\u00e7\u00e3o ou Remo\u00e7\u00e3o Verificada de Emiss\u00f5es, conhecidos pela sigla CRVE.<\/p>\n<p>Para isso, ser\u00e1 necess\u00e1rio adotar uma metodologia reconhecida, estabelecer quanto carbono havia antes do projeto, medir a redu\u00e7\u00e3o ou a remo\u00e7\u00e3o obtida, demonstrar que o resultado n\u00e3o ocorreria sem a iniciativa e passar por verifica\u00e7\u00e3o independente. Tamb\u00e9m ser\u00e1 preciso garantir que o mesmo benef\u00edcio ambiental n\u00e3o seja vendido ou contabilizado duas vezes.<\/p>\n<p>O mercado regulado brasileiro ainda est\u00e1 em implanta\u00e7\u00e3o. A proposta apresentada em 2026 prev\u00ea o in\u00edcio gradual do monitoramento, relato e verifica\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es a partir de 2027, inicialmente em setores industriais e no transporte a\u00e9reo. As metodologias aceitas para transformar redu\u00e7\u00f5es e remo\u00e7\u00f5es em certificados oficiais ainda dependem de regulamenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse processo explica por que a pesquisa ser\u00e1 determinante para a entrada do agro no mercado. Resultados obtidos em uma propriedade n\u00e3o podem ser transferidos automaticamente para outra, mesmo quando os sistemas produtivos parecem semelhantes. O estoque de carbono muda conforme o tipo de solo, o clima, a cultura, a profundidade analisada e o hist\u00f3rico de manejo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio diferenciar estoque, remo\u00e7\u00e3o e emiss\u00e3o evitada. Encontrar carbono em uma camada profunda do solo n\u00e3o demonstra, isoladamente, que ele tenha sido retirado da atmosfera pelo manejo atual. A comprova\u00e7\u00e3o exige uma linha de base, repeti\u00e7\u00e3o das coletas ao longo dos anos e o desconto de todas as fontes relevantes de emiss\u00e3o.<\/p>\n<p>A pesquisa brasileira avan\u00e7a justamente nessa dire\u00e7\u00e3o. O objetivo n\u00e3o \u00e9 apenas mostrar que o solo, as \u00e1rvores e os microrganismos armazenam carbono, mas calcular quanto permanece, por quanto tempo e sob quais condi\u00e7\u00f5es. Quanto mais confi\u00e1vel for essa medi\u00e7\u00e3o, maior ser\u00e1 a possibilidade de transformar o benef\u00edcio ambiental em produtividade, acesso a mercados e renda adicional para o produtor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/pensaragro.com.br\/pesquisas-preparam-agro-para-mercado-de-carbono-que-ja-gera-r-556-bilhoes-por-ano\/\">Pensar Agro<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisas realizadas por universidades e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa) come\u00e7am a dimensionar &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":104819,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[188],"tags":[],"class_list":["post-104818","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"wps_subtitle":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/104818","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=104818"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/104818\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":104820,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/104818\/revisions\/104820"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/104819"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=104818"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=104818"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=104818"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}