{"id":104869,"date":"2026-09-30T13:07:42","date_gmt":"2026-09-30T17:07:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/?p=104869"},"modified":"2026-09-30T13:07:42","modified_gmt":"2026-09-30T17:07:42","slug":"china-impoe-tarifa-de-55-e-agrava-pressao-sobre-carne-brasileira-ja-barrada-na-europa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/china-impoe-tarifa-de-55-e-agrava-pressao-sobre-carne-brasileira-ja-barrada-na-europa\/","title":{"rendered":"China imp\u00f5e tarifa de 55% e agrava press\u00e3o sobre carne brasileira j\u00e1 barrada na Europa"},"content":{"rendered":"<div id=\"tps_slideContainer_295508\" class=\"theiaPostSlider_slides\">\n<div class=\"theiaPostSlider_preloadedSlide\">\n<p>A carne bovina brasileira chega a outubro pressionada simultaneamente em dois dos mercados mais importantes do mundo. A China come\u00e7ar\u00e1 a cobrar, a partir desta quinta-feira, 1\u00ba de outubro, uma tarifa adicional de 55% sobre os embarques do Brasil. Na Uni\u00e3o Europeia, o produto continua suspenso. Os Estados Unidos surgem como uma poss\u00edvel v\u00e1lvula de escape, mas o acesso tamb\u00e9m depende de cotas, tarifas e disputa com outros fornecedores.<\/p>\n<p>A medida chinesa entrou em vigor depois que os embarques brasileiros atingiram, em 29 de setembro, o limite anual de 1,106 milh\u00e3o de toneladas estabelecido por Pequim. Pela regra, a sobretaxa come\u00e7a a ser aplicada no terceiro dia ap\u00f3s o preenchimento integral da cota. O adicional de 55% ser\u00e1 cobrado sobre a tarifa de importa\u00e7\u00e3o j\u00e1 existente.<\/p>\n<p>A China n\u00e3o fechou formalmente o mercado, mas a nova tributa\u00e7\u00e3o reduz drasticamente a competitividade da carne brasileira. Frigor\u00edficos ainda poder\u00e3o exportar, desde que o importador chin\u00eas aceite pagar o custo adicional. Na pr\u00e1tica, a tend\u00eancia \u00e9 de retra\u00e7\u00e3o dos neg\u00f3cios at\u00e9 janeiro, quando come\u00e7a a vigorar uma nova cota anual.<\/p>\n<p>O impacto \u00e9 ampliado pelo peso chin\u00eas na pecu\u00e1ria brasileira. Em 2025, o pa\u00eds asi\u00e1tico comprou 1,648 milh\u00e3o de toneladas, mais da metade das 3,091 milh\u00f5es de toneladas exportadas pelo Brasil. A receita obtida com essas vendas correspondeu a aproximadamente R$ 46,2 bilh\u00f5es, considerando a convers\u00e3o pela cota\u00e7\u00e3o de R$ 5,22.<\/p>\n<p>A cota fixada para 2026 ficou cerca de 33% abaixo do volume adquirido pela China no ano passado. A diferen\u00e7a mostra que a restri\u00e7\u00e3o n\u00e3o representa apenas uma interrup\u00e7\u00e3o pontual. O limite foi estabelecido em patamar incompat\u00edvel com o ritmo que o com\u00e9rcio entre os dois pa\u00edses havia alcan\u00e7ado.<\/p>\n<p>Os efeitos come\u00e7aram a aparecer antes mesmo do esgotamento da cota. Em agosto, as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras de carne bovina somaram 233,5 mil toneladas, com forte redu\u00e7\u00e3o das compras chinesas. Nos primeiros 18 dias \u00fateis de setembro, o Brasil embarcou 176,3 mil toneladas de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada. A m\u00e9dia di\u00e1ria ficou 29,9% abaixo da registrada no mesmo per\u00edodo de 2025.<\/p>\n<div>\n<div class=\"centered-text-area\">\n<div class=\"centered-text\">\n<div class=\"u97a08e455eb74d938d21b43f50f1d161-content\"><span class=\"ctaText\">Leia Tamb\u00e9m:<\/span>\u00a0 <span class=\"postTitle\">Agroneg\u00f3cio inicia o ano com mais quatro novos mercados na \u00c1sia<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ctaButton\"><\/div>\n<\/div>\n<p>A restri\u00e7\u00e3o chinesa encontra o setor \u00e0s voltas com outra barreira. Desde o in\u00edcio de setembro, a Uni\u00e3o Europeia mant\u00e9m suspensa a entrada de carne bovina brasileira e de outros produtos de origem animal, ap\u00f3s a entrada em vigor de novas exig\u00eancias relacionadas ao uso de antimicrobianos.<\/p>\n<p>Uma auditoria europeia realizada no Brasil concluiu que as cadeias de carne de aves e mel atendem \u00e0s exig\u00eancias do bloco. O resultado poder\u00e1 permitir a retomada desses dois produtos, mas n\u00e3o alcan\u00e7a a carne bovina. A situa\u00e7\u00e3o do produto continuar\u00e1 dependendo de novas avalia\u00e7\u00f5es e de entendimento entre as autoridades sanit\u00e1rias.<\/p>\n<p>A estimativa do setor \u00e9 que a suspens\u00e3o europeia retire aproximadamente 70 mil toneladas de carne bovina brasileira do mercado entre setembro e dezembro. O impacto potencial se aproxima de R$ 3,7 bilh\u00f5es. Embora o volume destinado \u00e0 Europa seja menor que o enviado \u00e0 China, o mercado europeu compra cortes de maior valor e tem import\u00e2ncia estrat\u00e9gica para os frigor\u00edficos.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio nos Estados Unidos \u00e9 mais favor\u00e1vel, mas est\u00e1 longe de compensar automaticamente as perdas. De janeiro a agosto, as vendas brasileiras de carne bovina ao mercado norte-americano movimentaram cerca de R$ 10,4 bilh\u00f5es, crescimento de 24,75% sobre o mesmo per\u00edodo de 2025.<\/p>\n<p>O governo norte-americano ampliou temporariamente em 300 mil toneladas a cota de importa\u00e7\u00e3o de carne bovina com tarifa reduzida. O volume foi dividido em tr\u00eas parcelas, dispon\u00edveis entre setembro e novembro. A medida procura aumentar a oferta de carne magra utilizada na fabrica\u00e7\u00e3o de hamb\u00fargueres e conter a alta dos pre\u00e7os para o consumidor dos Estados Unidos.<\/p>\n<div>\n<div class=\"centered-text-area\">\n<div class=\"centered-text\">\n<div class=\"u3bd3e529e4bfbe83b84498e5183d6379-content\"><span class=\"ctaText\">Leia Tamb\u00e9m:<\/span>\u00a0 <span class=\"postTitle\">Lula veta parte do PL do Marco Temporal. FPA promete derrubar os vetos<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ctaButton\"><\/div>\n<\/div>\n<p>A abertura representa uma oportunidade, mas a cota n\u00e3o \u00e9 exclusiva do Brasil. Os frigor\u00edficos brasileiros disputam o espa\u00e7o com fornecedores de outros pa\u00edses, e as vendas realizadas fora dos limites tarif\u00e1rios continuam sujeitas a tributa\u00e7\u00e3o mais elevada. A carne bovina tamb\u00e9m foi exclu\u00edda da nova tarifa de 25% aplicada pelos Estados Unidos a determinados produtos brasileiros, o que evita um obst\u00e1culo adicional.<\/p>\n<p>O Brasil permanece como maior exportador mundial de carne bovina e aparece \u00e0 frente dos Estados Unidos na proje\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o do Departamento de Agricultura norte-americano para 2025\/26, com 12,61 milh\u00f5es de toneladas. Essa for\u00e7a, no entanto, convive com elevada concentra\u00e7\u00e3o das vendas em poucos compradores.<\/p>\n<p>Quando China, Uni\u00e3o Europeia e Estados Unidos adotam cotas, tarifas ou exig\u00eancias sanit\u00e1rias, os efeitos chegam rapidamente aos frigor\u00edficos e ao pecuarista. A redu\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es pode diminuir a demanda por animais para abate e pressionar a cota\u00e7\u00e3o da arroba. Parte da carne que deixaria de ser embarcada tamb\u00e9m pode permanecer no mercado interno, aumentando a oferta, embora o pre\u00e7o ao consumidor dependa de fatores como custos industriais, transporte, c\u00e2mbio e fase do ciclo pecu\u00e1rio.<\/p>\n<p>A crise exp\u00f5e a necessidade de acelerar a abertura de mercados e reduzir a depend\u00eancia de um \u00fanico destino. M\u00e9xico, Filipinas, Chile, Emirados \u00c1rabes Unidos e outros compradores ganharam espa\u00e7o nos \u00faltimos anos, mas ainda est\u00e3o longe de absorver rapidamente o volume movimentado pela China.<\/p>\n<p>O desafio brasileiro deixou de ser apenas produzir mais. A maior pecu\u00e1ria exportadora do mundo precisa garantir acesso permanente aos mercados, adaptar-se \u00e0s exig\u00eancias sanit\u00e1rias e ambientais e distribuir melhor suas vendas. Sem essa diversifica\u00e7\u00e3o, cada nova decis\u00e3o tomada em Pequim, Bruxelas ou Washington continuar\u00e1 repercutindo diretamente dentro das fazendas brasileiras.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"theiaPostSlider_footer _footer\"><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><a href=\"https:\/\/pensaragro.com.br\/china-impoe-tarifa-de-55-e-agrava-pressao-sobre-carne-brasileira-ja-barrada-na-europa\/\">Pensar Agro<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A carne bovina brasileira chega a outubro pressionada simultaneamente em dois dos mercados mais importantes &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":104870,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[188],"tags":[],"class_list":["post-104869","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"wps_subtitle":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/104869","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=104869"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/104869\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":104871,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/104869\/revisions\/104871"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/104870"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=104869"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=104869"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=104869"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}