{"id":105525,"date":"2026-10-27T10:22:45","date_gmt":"2026-10-27T14:22:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/?p=105525"},"modified":"2026-10-27T10:22:45","modified_gmt":"2026-10-27T14:22:45","slug":"agro-movimenta-r-144-trilhao-mas-custos-pressionam-renda-no-campo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/agro-movimenta-r-144-trilhao-mas-custos-pressionam-renda-no-campo\/","title":{"rendered":"Agro movimenta R$ 1,44 trilh\u00e3o, mas custos pressionam renda no campo"},"content":{"rendered":"<p>O agroneg\u00f3cio brasileiro deve encerrar 2026 com Valor Bruto da Produ\u00e7\u00e3o Agropecu\u00e1ria (VBP) estimado em R$ 1,44 trilh\u00e3o, segundo levantamento de setembro da Secretaria de Pol\u00edtica Agr\u00edcola do Minist\u00e9rio da Agricultura e Pecu\u00e1ria (Mapa).<\/p>\n<p>O montante equivale a quase R$ 4 bilh\u00f5es por dia em valor de produ\u00e7\u00e3o, mas est\u00e1 longe de representar o dinheiro que efetivamente permanece nas m\u00e3os dos produtores. A diferen\u00e7a entre faturamento e renda revela um dos principais desafios do setor: transformar o crescimento da produ\u00e7\u00e3o em rentabilidade.<\/p>\n<p>As lavouras respondem por R$ 921,7 bilh\u00f5es, aproximadamente 64% do total, enquanto a pecu\u00e1ria representa R$ 517,9 bilh\u00f5es, ou 36%. O resultado confirma a dimens\u00e3o econ\u00f4mica da atividade rural, mas tamb\u00e9m evidencia sua concentra\u00e7\u00e3o em algumas cadeias produtivas, particularmente soja, milho, cana-de-a\u00e7\u00facar e carne bovina.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-295869 alignleft\" src=\"https:\/\/pensaragro.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/isan-com-logo-IA.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 473px) 100vw, 473px\" srcset=\"https:\/\/pensaragro.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/isan-com-logo-IA.jpg 725w, https:\/\/pensaragro.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/isan-com-logo-IA-300x214.jpg 300w, https:\/\/pensaragro.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/isan-com-logo-IA-120x86.jpg 120w, https:\/\/pensaragro.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/isan-com-logo-IA-350x250.jpg 350w\" alt=\"\" width=\"473\" height=\"337\" \/>Para o produtor presidente do Instituto do Agroneg\u00f3cio (IA), Isan Rezende (foto), a dimens\u00e3o econ\u00f4mica do setor precisa ser acompanhada de uma an\u00e1lise sobre a renda efetivamente gerada nas propriedades.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil alcan\u00e7ou uma dimens\u00e3o extraordin\u00e1ria na produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria, mas precisamos olhar para o que realmente fica com o produtor. Faturamento n\u00e3o \u00e9 lucro. N\u00e3o adianta produzir mais, bater recordes e movimentar trilh\u00f5es se uma parcela cada vez maior dessa receita \u00e9 consumida pelos custos de produ\u00e7\u00e3o, pelos juros e pelas despesas para colocar a safra no mercado\u201d.<\/p>\n<p>A soja, sozinha, responde por R$ 352,7 bilh\u00f5es, quase um quarto de todo o VBP nacional. O milho aparece com R$ 162 bilh\u00f5es, seguido pela cana-de-a\u00e7\u00facar, com R$ 112,3 bilh\u00f5es, e pelo caf\u00e9, com R$ 106,5 bilh\u00f5es. Juntas, essas quatro culturas representam aproximadamente metade do valor bruto de toda a produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria brasileira.<\/p>\n<p>Essa concentra\u00e7\u00e3o torna o resultado nacional especialmente sens\u00edvel \u00e0s oscila\u00e7\u00f5es dos pre\u00e7os internacionais, \u00e0s condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e ao comportamento da demanda externa. Uma safra volumosa n\u00e3o significa necessariamente maior faturamento, assim como um aumento do VBP n\u00e3o garante melhores margens de lucro. Quando os pre\u00e7os agr\u00edcolas recuam, o produtor pode colher mais e receber menos por unidade comercializada.<\/p>\n<div>\n<div class=\"centered-text-area\">\n<div class=\"centered-text\">\n<div class=\"u2d38a34c2929c99893cc6944d821391f-content\"><span class=\"ctaText\">Leia Tamb\u00e9m:<\/span>\u00a0 <span class=\"postTitle\">Pol\u00edtica de minerais estrat\u00e9gicos deve ampliar produ\u00e7\u00e3o nacional de insumos<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ctaButton\"><\/div>\n<\/div>\n<p>O problema se torna mais evidente quando entram na conta os custos de sementes, fertilizantes, defensivos, diesel, m\u00e3o de obra e financiamento. S\u00e3o despesas que antecedem a colheita e precisam ser pagas independentemente do pre\u00e7o alcan\u00e7ado pelo produto no mercado. Em per\u00edodos de juros elevados e margens apertadas, mesmo propriedades com produtividade satisfat\u00f3ria podem enfrentar dificuldades financeiras.<\/p>\n<p>Isan Rezende observa que o descasamento entre o momento dos investimentos e o recebimento pela produ\u00e7\u00e3o amplia a exposi\u00e7\u00e3o financeira dos agricultores, principalmente em per\u00edodos de maior volatilidade dos mercados.<\/p>\n<p>\u201cO produtor assume praticamente todos os riscos antes de receber pela produ\u00e7\u00e3o. Compra insumos, contrata financiamento, investe em tecnologia e enfrenta as incertezas do clima e dos pre\u00e7os. Quando chega a colheita, muitas vezes descobre que a margem ficou menor do que a prevista. Precisamos de cr\u00e9dito mais acess\u00edvel, seguro rural eficiente e condi\u00e7\u00f5es para que o aumento da produtividade se transforme em renda\u201d.<\/p>\n<p>Na pecu\u00e1ria, a carne bovina responde por R$ 253,4 bilh\u00f5es, equivalente a 17,6% do VBP brasileiro. A carne de frango acrescenta R$ 110 bilh\u00f5es. As duas atividades somam R$ 363,4 bilh\u00f5es, mostrando o peso das prote\u00ednas animais na forma\u00e7\u00e3o da receita agropecu\u00e1ria nacional.<\/p>\n<p>O desempenho dessas cadeias tamb\u00e9m est\u00e1 condicionado \u00e0 rela\u00e7\u00e3o entre custos e pre\u00e7os. Na bovinocultura, reposi\u00e7\u00e3o de animais, alimenta\u00e7\u00e3o, sanidade e manuten\u00e7\u00e3o das pastagens influenciam o resultado econ\u00f4mico. Na avicultura, o custo da ra\u00e7\u00e3o, principalmente milho e farelo de soja, \u00e9 determinante para a competitividade.<\/p>\n<p><strong>Centro-Oeste concentra quase um ter\u00e7o do valor produzido<\/strong><\/p>\n<p>O Centro-Oeste lidera o levantamento regional, com R$ 431,2 bilh\u00f5es, aproximadamente 30% do VBP brasileiro. Mato Grosso responde por R$ 225,2 bilh\u00f5es, ou 15,6% do total nacional, consolidando sua posi\u00e7\u00e3o entre os principais polos de produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os e prote\u00ednas animais.<\/p>\n<p>A lideran\u00e7a regional, entretanto, traz desafios proporcionais \u00e0 escala produtiva. Grandes dist\u00e2ncias entre as propriedades, os centros consumidores e os portos ampliam a import\u00e2ncia do transporte e da armazenagem. O custo do frete, as condi\u00e7\u00f5es das rodovias e a capacidade de escoamento interferem diretamente no valor l\u00edquido recebido pelos agricultores.<\/p>\n<div>\n<div class=\"centered-text-area\">\n<div class=\"centered-text\">\n<div class=\"u69159e06c98775c8f9a607f55585135d-content\"><span class=\"ctaText\">Leia Tamb\u00e9m:<\/span>\u00a0 <span class=\"postTitle\">RS continua sofrendo com as cheias. Preju\u00edzos no agro somam R$ 1,1 bilh\u00e3o<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ctaButton\"><\/div>\n<\/div>\n<p>O Sudeste aparece com R$ 367,3 bilh\u00f5es, impulsionado pela diversidade de atividades agr\u00edcolas e pecu\u00e1rias. Minas Gerais concentra R$ 172,4 bilh\u00f5es, com destaque para cadeias como caf\u00e9, leite e produ\u00e7\u00e3o animal. O Sul responde por R$ 315,7 bilh\u00f5es, sustentado pela produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os, aves, su\u00ednos e outras atividades de elevada integra\u00e7\u00e3o agroindustrial.<\/p>\n<p>A distribui\u00e7\u00e3o regional mostra que o valor produzido depende tanto da escala quanto do perfil econ\u00f4mico das cadeias. Culturas de maior valor por hectare, sistemas intensivos de cria\u00e7\u00e3o e atividades integradas \u00e0 ind\u00fastria podem gerar resultados expressivos mesmo em \u00e1reas menores.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Isan Rezende, o avan\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o precisa ser acompanhado de investimentos estruturais que reduzam os custos e ampliem a capacidade de negocia\u00e7\u00e3o dos produtores.<\/p>\n<p>\u201cO pr\u00f3ximo grande salto do agroneg\u00f3cio brasileiro n\u00e3o ser\u00e1 apenas produzir mais, mas produzir com maior rentabilidade. Temos tecnologia, capacidade empresarial e produtores preparados. O que falta \u00e9 avan\u00e7ar em infraestrutura, armazenagem, log\u00edstica e seguran\u00e7a econ\u00f4mica. O sucesso do agro n\u00e3o deve ser medido somente pelo tamanho da safra, mas tamb\u00e9m pela capacidade de gerar renda, investir e manter as propriedades economicamente sustent\u00e1veis\u201d.<\/p>\n<p>O VBP tamb\u00e9m n\u00e3o deve ser confundido com a participa\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio no Produto Interno Bruto (PIB). Enquanto o primeiro estima o valor bruto da produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria, o PIB mede o valor adicionado pelas atividades econ\u00f4micas, evitando a dupla contagem de insumos e produtos intermedi\u00e1rios.<\/p>\n<p>Assim, os R$ 1,44 trilh\u00e3o estimados pelo Mapa dimensionam a capacidade produtiva do campo brasileiro, mas n\u00e3o permitem concluir quanto os agricultores e pecuaristas efetivamente ganharam. Para isso, seria necess\u00e1rio confrontar a receita com os custos de produ\u00e7\u00e3o, as despesas financeiras e os investimentos realizados ao longo do ciclo produtivo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/pensaragro.com.br\/agro-movimenta-r-144-trilhao-mas-custos-pressionam-renda-no-campo\/\">Pensar Agro<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O agroneg\u00f3cio brasileiro deve encerrar 2026 com Valor Bruto da Produ\u00e7\u00e3o Agropecu\u00e1ria (VBP) estimado em &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":105526,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[48],"tags":[],"class_list":["post-105525","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agro_cfnews"],"wps_subtitle":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/105525","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=105525"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/105525\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":105527,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/105525\/revisions\/105527"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/105526"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=105525"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=105525"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=105525"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}