{"id":105580,"date":"2026-10-29T09:12:12","date_gmt":"2026-10-29T13:12:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/?p=105580"},"modified":"2026-10-29T09:12:12","modified_gmt":"2026-10-29T13:12:12","slug":"novo-governo-tera-de-enfrentar-juros-divida-rural-e-falta-de-recursos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/novo-governo-tera-de-enfrentar-juros-divida-rural-e-falta-de-recursos\/","title":{"rendered":"\u201cNovo governo\u201d ter\u00e1 de enfrentar juros, d\u00edvida rural e falta de recursos"},"content":{"rendered":"<p>Passadas as elei\u00e7\u00f5es, o agroneg\u00f3cio brasileiro entra em um per\u00edodo de expectativa sobre as decis\u00f5es econ\u00f4micas que orientar\u00e3o o Pa\u00eds a partir de 2027. A continuidade da administra\u00e7\u00e3o federal n\u00e3o elimina a necessidade de mudan\u00e7as, alerta Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agroneg\u00f3cio (IA).<\/p>\n<p>Com juros elevados, endividamento crescente no campo, or\u00e7amento limitado para o seguro rural e investimentos insuficientes em infraestrutura, o pr\u00f3ximo mandato come\u00e7a diante de problemas que afetam diretamente o custo de produzir, a competitividade das exporta\u00e7\u00f5es e a capacidade de financiar novas safras.<\/p>\n<p>O desafio mais imediato est\u00e1 na recupera\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a econ\u00f4mica. A forte oscila\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es evidenciou a sensibilidade do mercado \u00e0s expectativas sobre as contas p\u00fablicas, a infla\u00e7\u00e3o e a condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica fiscal. Para o produtor rural, essa instabilidade representa uma combina\u00e7\u00e3o dif\u00edcil: de um lado, a moeda valorizada favorece a receita das exporta\u00e7\u00f5es; de outro, encarece fertilizantes, defensivos e equipamentos importados, al\u00e9m de dificultar o planejamento financeiro.<\/p>\n<p>A reorganiza\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas ser\u00e1 um dos primeiros testes da nova etapa administrativa. A meta fiscal de 2026 prev\u00ea super\u00e1vit prim\u00e1rio de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), com margem de toler\u00e2ncia de 0,25 ponto percentual. O resultado prim\u00e1rio corresponde \u00e0 diferen\u00e7a entre receitas e despesas do governo, sem considerar os juros da d\u00edvida. A discuss\u00e3o envolve a necessidade de controlar gastos permanentes sem comprometer investimentos e servi\u00e7os essenciais.<\/p>\n<p>O debate ganhou for\u00e7a com a sinaliza\u00e7\u00e3o da equipe econ\u00f4mica de ampliar os mecanismos de conten\u00e7\u00e3o de despesas para perseguir o centro da meta fiscal. A medida, entretanto, depende de altera\u00e7\u00f5es legais e de entendimento com o Congresso Nacional. Para a atividade produtiva, o ponto central n\u00e3o est\u00e1 apenas no an\u00fancio de ajustes, mas na capacidade de estabelecer regras duradouras que permitam reduzir a incerteza e criar condi\u00e7\u00f5es para investimentos de longo prazo.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Isan Rezende, a estabilidade econ\u00f4mica precisa ser tratada como uma condi\u00e7\u00e3o para o crescimento da produ\u00e7\u00e3o. \u201cO produtor rural trabalha com planejamento de longo prazo. Ele assume compromissos antes de plantar, depende do clima, dos pre\u00e7os internacionais e de financiamento para manter a atividade. Quando as regras econ\u00f4micas mudam constantemente, o risco aumenta e o investimento fica mais dif\u00edcil. O Pa\u00eds precisa oferecer previsibilidade para quem produz.\u201d<\/p>\n<p>O custo do dinheiro \u00e9 uma das principais preocupa\u00e7\u00f5es. Mesmo com a expectativa de redu\u00e7\u00e3o gradual da taxa b\u00e1sica de juros, as proje\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis antes do segundo turno apontavam Selic de 13,25% ao fim de 2026 e 11,75% em dezembro de 2027. S\u00e3o patamares elevados para uma atividade que exige grandes desembolsos antes da colheita e cuja receita depende de condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e comerciais nem sempre previs\u00edveis.<\/p>\n<div>\n<div class=\"centered-text-area\">\n<div class=\"centered-text\">\n<div class=\"u8ebe075f42b0e2b78becc48a3ebee3b3-content\"><span class=\"ctaText\">Leia Tamb\u00e9m:<\/span>\u00a0 <span class=\"postTitle\">Safra avan\u00e7a, mas agro enfrenta press\u00e3o de tarifas, clima e risco geopol\u00edtico<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ctaButton\"><\/div>\n<\/div>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o se agrava diante do crescimento da inadimpl\u00eancia rural. Dados do Banco Central mostram que, em agosto, 9,69% das opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito rural contratadas por pessoas f\u00edsicas apresentavam atraso superior a 90 dias, ante 5,23% no mesmo m\u00eas de 2025. O avan\u00e7o revela dificuldades financeiras que n\u00e3o se resolvem apenas com a oferta de novos empr\u00e9stimos.<\/p>\n<p>Para Rezende, a recupera\u00e7\u00e3o da capacidade de pagamento precisa acompanhar qualquer estrat\u00e9gia de expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o basta anunciar volumes recordes de cr\u00e9dito se uma parcela crescente dos produtores j\u00e1 enfrenta dificuldades para honrar os financiamentos anteriores. \u00c9 necess\u00e1rio olhar para o custo efetivo dos recursos, os prazos de pagamento e as condi\u00e7\u00f5es reais de cada atividade. O cr\u00e9dito rural precisa voltar a ser instrumento de desenvolvimento, e n\u00e3o se transformar em mais um fator de press\u00e3o sobre a propriedade.\u201d<\/p>\n<p>A quest\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria tamb\u00e9m alcan\u00e7a o seguro rural, a armazenagem e a infraestrutura. S\u00e3o instrumentos que ajudam a reduzir riscos e melhorar a competitividade, mas dependem de recursos p\u00fablicos e de planejamento continuado. Com a possibilidade de um El Ni\u00f1o intenso na safra 2026\/27, a prote\u00e7\u00e3o contra perdas clim\u00e1ticas assume import\u00e2ncia ainda maior.<\/p>\n<p>O Plano Safra 2026\/27 prev\u00ea R$ 525,1 bilh\u00f5es para a agricultura empresarial. Entretanto, estudo do Centro de Estudos do Agroneg\u00f3cio da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV Agro) aponta que o aumento nominal de 1,7% sobre o ciclo anterior corresponde a uma redu\u00e7\u00e3o real de 0,8%, depois de descontada a infla\u00e7\u00e3o utilizada no levantamento. O resultado demonstra que anunciar mais recursos n\u00e3o significa necessariamente ampliar a capacidade de financiamento.<\/p>\n<p>Rezende considera que o pr\u00f3ximo mandato precisa estabelecer prioridades claras para os instrumentos de prote\u00e7\u00e3o da atividade rural. \u201cO seguro rural n\u00e3o pode continuar sendo tratado como uma despesa secund\u00e1ria, sujeita a cortes e incertezas todos os anos. O produtor investe antes de saber se ter\u00e1 chuva suficiente, se enfrentar\u00e1 uma seca ou se conseguir\u00e1 colher no momento adequado. Quando o seguro funciona, ele protege a propriedade, o financiamento e toda a cadeia que depende daquela produ\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma pol\u00edtica que precisa de continuidade.\u201d<\/p>\n<p>A infraestrutura representa outro desafio. A produ\u00e7\u00e3o brasileira de gr\u00e3os tem condi\u00e7\u00f5es de superar 366 milh\u00f5es de toneladas na safra 2026\/27, segundo proje\u00e7\u00f5es da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Esse crescimento aumenta a necessidade de armaz\u00e9ns, estradas, ferrovias e terminais portu\u00e1rios. Sem investimentos compat\u00edveis, parte dos ganhos obtidos nas lavouras acaba consumida pelo transporte e pelas dificuldades de comercializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div>\n<div class=\"centered-text-area\">\n<div class=\"centered-text\">\n<div class=\"u019190c6b568c802387964dca550ba98-content\"><span class=\"ctaText\">Leia Tamb\u00e9m:<\/span>\u00a0 <span class=\"postTitle\">Guerra pressiona custos no campo e amplia incertezas para produtores<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ctaButton\"><\/div>\n<\/div>\n<p>A reforma tribut\u00e1ria tamb\u00e9m exigir\u00e1 aten\u00e7\u00e3o em 2027, com o in\u00edcio de uma nova etapa de implanta\u00e7\u00e3o do sistema de tributa\u00e7\u00e3o sobre o consumo. Para cooperativas, agroind\u00fastrias e produtores, ser\u00e1 necess\u00e1rio acompanhar os efeitos sobre cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios, capital de giro, contratos e custos administrativos. A transi\u00e7\u00e3o deve oferecer regras claras para evitar que mudan\u00e7as operacionais se transformem em despesas adicionais.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda a necessidade de conciliar o controle das contas p\u00fablicas com pol\u00edticas de apoio \u00e0 produ\u00e7\u00e3o. A revis\u00e3o de subs\u00eddios e benef\u00edcios tribut\u00e1rios pode melhorar a efici\u00eancia do gasto, mas exige distinguir incentivos sem resultados comprovados de mecanismos que reduzem riscos e sustentam investimentos produtivos. Cortes indiscriminados em pesquisa, defesa sanit\u00e1ria, seguro e infraestrutura poderiam comprometer a pr\u00f3pria capacidade de crescimento que ajudaria a elevar a arrecada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O com\u00e9rcio exterior completa essa agenda. A amplia\u00e7\u00e3o dos mercados compradores de alimentos brasileiros exige continuidade das negocia\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias, fortalecimento da fiscaliza\u00e7\u00e3o e investimentos em rastreabilidade. Barreiras comerciais e exig\u00eancias ambientais representam desafios permanentes para cadeias como carne bovina, soja, caf\u00e9, algod\u00e3o e produtos florestais.<\/p>\n<p>Para Rezende, o per\u00edodo entre o encerramento das elei\u00e7\u00f5es e o in\u00edcio do novo mandato deve servir para definir compromissos econ\u00f4micos que ultrapassem o calend\u00e1rio pol\u00edtico.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil tem capacidade de produzir mais, agregar valor e ampliar sua presen\u00e7a no mercado internacional. Mas isso exige um ambiente em que o investimento seja estimulado, o cr\u00e9dito seja acess\u00edvel e as pol\u00edticas p\u00fablicas tenham continuidade. O campo n\u00e3o precisa de promessas renovadas a cada safra. Precisa de condi\u00e7\u00f5es para trabalhar, competir e crescer.\u201d<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o dessa agenda depender\u00e1 tamb\u00e9m do Congresso Nacional, respons\u00e1vel pela aprova\u00e7\u00e3o do Or\u00e7amento e de mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o fiscal, tribut\u00e1ria e econ\u00f4mica. A capacidade de negocia\u00e7\u00e3o entre os Poderes ser\u00e1 decisiva para transformar propostas em medidas concretas, independentemente das diferen\u00e7as de orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>O desafio do pr\u00f3ximo mandato ser\u00e1, portanto, encontrar espa\u00e7o para reduzir a press\u00e3o sobre as contas p\u00fablicas sem enfraquecer os instrumentos que sustentam a produ\u00e7\u00e3o. Para o agroneg\u00f3cio, a recupera\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a econ\u00f4mica s\u00f3 ter\u00e1 resultado efetivo quando se refletir em financiamento menos oneroso, prote\u00e7\u00e3o contra riscos clim\u00e1ticos, infraestrutura adequada e maior previsibilidade para investir.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o brasileira mant\u00e9m potencial de crescimento, mas transformar esse potencial em renda exige mais do que recordes de safra. Exige condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas que permitam ao produtor colher, comercializar, pagar seus compromissos e continuar investindo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/pensaragro.com.br\/novo-governo-tera-de-enfrentar-juros-divida-e-falta-de-recursos\/\">Pensar Agro<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passadas as elei\u00e7\u00f5es, o agroneg\u00f3cio brasileiro entra em um per\u00edodo de expectativa sobre as decis\u00f5es &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":105581,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[188],"tags":[],"class_list":["post-105580","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"wps_subtitle":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/105580","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=105580"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/105580\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":105582,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/105580\/revisions\/105582"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/105581"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=105580"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=105580"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=105580"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}