{"id":105700,"date":"2026-11-03T10:13:18","date_gmt":"2026-11-03T14:13:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/?p=105700"},"modified":"2026-11-03T10:13:18","modified_gmt":"2026-11-03T14:13:18","slug":"dependencia-de-fertilizantes-importados-ameaca-custos-de-producao-da-safra-de-2027","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/dependencia-de-fertilizantes-importados-ameaca-custos-de-producao-da-safra-de-2027\/","title":{"rendered":"Depend\u00eancia de fertilizantes importados amea\u00e7a custos de produ\u00e7\u00e3o da safra de 2027"},"content":{"rendered":"<p data-pm-slice=\"1 1 []\">O Brasil iniciou o plantio da safra 2026\/27 ainda dependente do mercado internacional para abastecer suas lavouras com fertilizantes. Apesar da retomada da produ\u00e7\u00e3o nacional de nitrogenados, o pa\u00eds continua importando a maior parte dos insumos utilizados na agricultura. A preocupa\u00e7\u00e3o aumenta diante das restri\u00e7\u00f5es de oferta no exterior e dos custos de produ\u00e7\u00e3o, especialmente para o milho de segunda safra, que ser\u00e1 plantado no in\u00edcio de 2027.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-295941 alignleft\" src=\"https:\/\/pensaragro.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/WhatsApp-Image-2026-07-19-at-20.21.48-1-846x1024.jpeg\" sizes=\"auto, (max-width: 539px) 100vw, 539px\" srcset=\"https:\/\/pensaragro.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/WhatsApp-Image-2026-07-19-at-20.21.48-1-846x1024.jpeg 846w, https:\/\/pensaragro.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/WhatsApp-Image-2026-07-19-at-20.21.48-1-248x300.jpeg 248w, https:\/\/pensaragro.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/WhatsApp-Image-2026-07-19-at-20.21.48-1-768x929.jpeg 768w, https:\/\/pensaragro.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/WhatsApp-Image-2026-07-19-at-20.21.48-1-750x907.jpeg 750w, https:\/\/pensaragro.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/WhatsApp-Image-2026-07-19-at-20.21.48-1.jpeg 968w\" alt=\"\" width=\"539\" height=\"652\" \/>O alerta \u00e9 do engenheiro agr\u00f4nomo Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agroneg\u00f3cio (IA) e da Federa\u00e7\u00e3o dos Engenheiros Agr\u00f4nomos de Mato Grosso (Feagro-MT), em artigo publicado nesta ter\u00e7a-feira (03.11) no LinkedIn. Ele analisa a valoriza\u00e7\u00e3o de 46% da am\u00f4nia no Meio-Oeste dos Estados Unidos desde junho e seus poss\u00edveis reflexos sobre o mercado brasileiro. Segundo Rezende, o aumento da mat\u00e9ria-prima n\u00e3o significa necessariamente uma eleva\u00e7\u00e3o equivalente no custo dos fertilizantes comprados pelos agricultores brasileiros.<\/p>\n<p>\u201cA valoriza\u00e7\u00e3o da am\u00f4nia americana n\u00e3o se traduz automaticamente em aumento proporcional do pre\u00e7o da ureia no Brasil\u201d, afirma o especialista, ao destacar que as condi\u00e7\u00f5es de oferta e demanda s\u00e3o diferentes nos dois mercados.<\/p>\n<p>A depend\u00eancia brasileira \u00e9 expressiva. Segundo o Minist\u00e9rio da Agricultura e Pecu\u00e1ria (Mapa), aproximadamente 93% dos fertilizantes consumidos no pa\u00eds t\u00eam origem externa. Em 2025, as importa\u00e7\u00f5es alcan\u00e7aram 45,5 milh\u00f5es de toneladas, volume recorde. A necessidade de compras internacionais envolve os tr\u00eas principais nutrientes utilizados na agricultura: nitrog\u00eanio, f\u00f3sforo e pot\u00e1ssio.<\/p>\n<p>Entre janeiro e setembro de 2026, o Brasil importou aproximadamente 28,46 milh\u00f5es de toneladas de fertilizantes, redu\u00e7\u00e3o de 15,7% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano anterior. Somente em setembro, as compras externas somaram 3,11 milh\u00f5es de toneladas, queda de 27,9% na compara\u00e7\u00e3o anual. As importa\u00e7\u00f5es de fertilizantes nitrogenados chegaram a 1,34 milh\u00e3o de toneladas naquele m\u00eas, recuo de 32,3%.<\/p>\n<div>\n<div class=\"centered-text-area\">\n<div class=\"centered-text\">\n<div class=\"uf32970362687aef765c30c0efee67cde-content\"><span class=\"ctaText\">Leia Tamb\u00e9m:<\/span>\u00a0 <span class=\"postTitle\">Conab compra 263 mil toneladas de arroz importado ap\u00f3s Justi\u00e7a liberar leil\u00e3o<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ctaButton\"><\/div>\n<\/div>\n<p>A ureia, uma das principais fontes de nitrog\u00eanio utilizadas nas lavouras, respondeu por aproximadamente 710 mil toneladas das importa\u00e7\u00f5es de setembro. O produto \u00e9 especialmente importante para culturas como milho, trigo e cana-de-a\u00e7\u00facar, que necessitam de quantidades significativas desse nutriente para alcan\u00e7ar boa produtividade.<\/p>\n<p>O Brasil tamb\u00e9m come\u00e7ou a recuperar parte de sua capacidade industrial. As unidades de fertilizantes nitrogenados de Sergipe e da Bahia retomaram as opera\u00e7\u00f5es entre o fim de 2025 e o in\u00edcio de 2026. Em abril, a f\u00e1brica de Arauc\u00e1ria, no Paran\u00e1, voltou a produzir ureia.<\/p>\n<p>A unidade paranaense possui capacidade instalada para fabricar 720 mil toneladas de ureia e 475 mil toneladas de am\u00f4nia por ano. Com as tr\u00eas f\u00e1bricas em funcionamento, a produ\u00e7\u00e3o brasileira poder\u00e1 atender aproximadamente 20% da demanda nacional de ureia, conforme estimativas divulgadas para a retomada das opera\u00e7\u00f5es. O percentual representa uma capacidade potencial de abastecimento, e n\u00e3o o volume efetivamente produzido neste ano.<\/p>\n<p>A am\u00f4nia \u00e9 uma mat\u00e9ria-prima fundamental para a fabrica\u00e7\u00e3o de fertilizantes nitrogenados. A partir dela, a ind\u00fastria produz ureia e outros compostos utilizados para fornecer nitrog\u00eanio \u00e0s plantas. Esse nutriente participa da forma\u00e7\u00e3o da clorofila, respons\u00e1vel pela absor\u00e7\u00e3o da luz na fotoss\u00edntese, e da produ\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas necess\u00e1rias ao crescimento vegetal.<\/p>\n<p>Quando a planta recebe menos nitrog\u00eanio do que necessita, perde vigor, apresenta amarelecimento das folhas mais velhas e pode ter seu desenvolvimento comprometido. No milho, a defici\u00eancia durante as fases de crescimento pode reduzir a forma\u00e7\u00e3o e o enchimento dos gr\u00e3os, prejudicando a produtividade. Por isso, a aduba\u00e7\u00e3o nitrogenada exige planejamento t\u00e9cnico, considerando a fertilidade do solo e o potencial produtivo de cada lavoura.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o se concentra agora no milho de segunda safra de 2027, que ser\u00e1 plantado principalmente depois da colheita da soja no Centro-Oeste. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta 18,48 milh\u00f5es de hectares destinados \u00e0 segunda safra, com produ\u00e7\u00e3o estimada em 113,2 milh\u00f5es de toneladas. Consideradas as tr\u00eas safras de milho, a previs\u00e3o nacional se aproxima de 148 milh\u00f5es de toneladas.<\/p>\n<div>\n<div class=\"centered-text-area\">\n<div class=\"centered-text\">\n<div class=\"u2c40f9331eda69caab60653129edd7e4-content\"><span class=\"ctaText\">Leia Tamb\u00e9m:<\/span>\u00a0 <span class=\"postTitle\">Agroneg\u00f3cio brasileiro enfrenta desequil\u00edbrio estrutural com safras recorde e d\u00edvida alta<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ctaButton\"><\/div>\n<\/div>\n<p>O desafio para o agricultor n\u00e3o est\u00e1 apenas no pre\u00e7o do fertilizante, mas tamb\u00e9m na capacidade de compr\u00e1-lo sem comprometer a rentabilidade da lavoura. Com juros elevados, restri\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito e margens apertadas, uma eventual piora nas condi\u00e7\u00f5es de compra poder\u00e1 exigir mais recursos por hectare ou levar \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do investimento em aduba\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cMais importante que o pre\u00e7o isolado da ureia \u00e9 a quantidade de milho necess\u00e1ria para pagar o fertilizante\u201d, observa Isan Rezende. Essa rela\u00e7\u00e3o de troca determina quantas sacas do cereal o produtor precisa vender para adquirir uma tonelada do insumo e ajuda a medir o peso real da aduba\u00e7\u00e3o sobre os custos de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m interessa \u00e0 ind\u00fastria de etanol de milho, que vem ampliando sua capacidade de processamento no Brasil. O crescimento do setor aumenta a demanda pelo cereal, mas depende da continuidade dos investimentos nas lavouras e da manuten\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas favor\u00e1veis tanto para agricultores quanto para as unidades industriais.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o basta ampliar a demanda industrial se o custo de produzir a mat\u00e9ria-prima compromete a rentabilidade de quem planta\u201d, ressalta Rezende no artigo.<\/p>\n<p>A retomada da produ\u00e7\u00e3o brasileira de nitrogenados representa um avan\u00e7o para o abastecimento, mas ainda est\u00e1 longe de eliminar a depend\u00eancia externa. Para a safra 2026\/27, a combina\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es, disponibilidade de estoques, c\u00e2mbio e condi\u00e7\u00f5es de financiamento continuar\u00e1 determinando o custo dos fertilizantes. O risco mais imediato est\u00e1 na perda de rentabilidade dos produtores que ainda precisam adquirir insumos para o milho de segunda safra, justamente quando a expans\u00e3o do consumo interno exige ganhos constantes de produtividade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/pensaragro.com.br\/dependencia-de-fertilizantes-importados-ameaca-custos-da-safra-de-2027\/\">Pensar Agro<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil iniciou o plantio da safra 2026\/27 ainda dependente do mercado internacional para abastecer &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":105701,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[188],"tags":[],"class_list":["post-105700","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"wps_subtitle":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/105700","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=105700"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/105700\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":105702,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/105700\/revisions\/105702"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/105701"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=105700"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=105700"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=105700"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}