{"id":105750,"date":"2026-11-04T09:27:50","date_gmt":"2026-11-04T13:27:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/?p=105750"},"modified":"2026-11-04T09:27:50","modified_gmt":"2026-11-04T13:27:50","slug":"falta-de-etanol-ameaca-metas-ambientais-e-precos-de-combustiveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/falta-de-etanol-ameaca-metas-ambientais-e-precos-de-combustiveis\/","title":{"rendered":"Falta de etanol amea\u00e7a metas ambientais e pre\u00e7os de combust\u00edveis"},"content":{"rendered":"<div id=\"tps_slideContainer_295964\" class=\"theiaPostSlider_slides\">\n<div class=\"theiaPostSlider_preloadedSlide\">\n<p>O Brasil corre o risco de estabelecer metas de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de carbono superiores \u00e0 capacidade de gera\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos pelos produtores de biocombust\u00edveis. O desequil\u00edbrio, apontado em estudo da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI), poder\u00e1 exigir novos investimentos em usinas de etanol, ampliar a demanda por cana-de-a\u00e7\u00facar e milho e pressionar os custos dos combust\u00edveis nos pr\u00f3ximos anos. A preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 com o cen\u00e1rio projetado para 2035, quando a diferen\u00e7a entre os certificados dispon\u00edveis e as metas de descarboniza\u00e7\u00e3o poder\u00e1 chegar a 15,2 milh\u00f5es de cr\u00e9ditos.<\/p>\n<p>O alerta consta do levantamento <em>Combust\u00edveis no Brasil: an\u00e1lise do mercado e perspectivas para a descarboniza\u00e7\u00e3o<\/em>, divulgado pela CNI em 28 de outubro. O documento analisa a capacidade de expans\u00e3o dos biocombust\u00edveis e os efeitos econ\u00f4micos das metas estabelecidas pelo RenovaBio, programa federal criado para estimular a substitui\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis f\u00f3sseis por alternativas de menor emiss\u00e3o de carbono.<\/p>\n<p>Pelas proje\u00e7\u00f5es da Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE) utilizadas no estudo, o consumo brasileiro de etanol dever\u00e1 passar de 34,4 bilh\u00f5es de litros em 2025 para aproximadamente 46,2 bilh\u00f5es em 2035. O crescimento estimado \u00e9 de 34% em dez anos, impulsionado pela demanda do setor de transportes e pelas pol\u00edticas de descarboniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O problema identificado pela CNI \u00e9 que esse aumento poder\u00e1 n\u00e3o ser suficiente para gerar a quantidade de Cr\u00e9ditos de Descarboniza\u00e7\u00e3o (CBIOs) necess\u00e1ria ao cumprimento das metas indicativas do programa.<\/p>\n<p>Cada CBIO corresponde a uma tonelada de di\u00f3xido de carbono equivalente cuja emiss\u00e3o \u00e9 evitada com a utiliza\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis. Os certificados s\u00e3o emitidos por produtores habilitados e adquiridos pelas distribuidoras de combust\u00edveis, que precisam cumprir metas anuais de descarboniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo o levantamento, a necessidade de aquisi\u00e7\u00e3o desses cr\u00e9ditos dever\u00e1 crescer de 48,09 milh\u00f5es em 2026 para 73,45 milh\u00f5es em 2035. A gera\u00e7\u00e3o projetada, entretanto, n\u00e3o acompanharia o mesmo ritmo. A diferen\u00e7a, estimada em 4,7 milh\u00f5es de certificados j\u00e1 em 2027, alcan\u00e7aria 15,2 milh\u00f5es ao final do per\u00edodo.<\/p>\n<p>Para dimensionar o tamanho do desafio, a CNI calculou quanto etanol adicional seria necess\u00e1rio caso toda essa diferen\u00e7a fosse compensada exclusivamente pelo aumento do consumo de etanol hidratado, vendido diretamente nos postos de combust\u00edveis.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, seriam necess\u00e1rios outros 15,2 bilh\u00f5es de litros em 2035, elevando o consumo total para aproximadamente 61,3 bilh\u00f5es de litros. O volume seria 78% superior ao registrado em 2025.<\/p>\n<div>\n<div class=\"centered-text-area\">\n<div class=\"centered-text\">\n<div class=\"uf7b31abe79edc008225874737ab9d13a-content\"><span class=\"ctaText\">Leia Tamb\u00e9m:<\/span>\u00a0 <span class=\"postTitle\">Clima prejudica, mas plantio do trigo avan\u00e7a no Sul<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ctaButton\"><\/div>\n<\/div>\n<p>O c\u00e1lculo n\u00e3o representa uma obriga\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o nem uma previs\u00e3o de que o pa\u00eds efetivamente consumir\u00e1 essa quantidade. Trata-se de uma simula\u00e7\u00e3o destinada a mostrar a dimens\u00e3o do desequil\u00edbrio caso outros biocombust\u00edveis e melhorias na efici\u00eancia de gera\u00e7\u00e3o dos certificados n\u00e3o sejam suficientes para atender \u00e0s metas.<\/p>\n<p>A expans\u00e3o exigiria uma resposta da agroind\u00fastria e dos produtores rurais. No caso da cana-de-a\u00e7\u00facar, o aumento da oferta de etanol depende da disponibilidade de mat\u00e9ria-prima e das decis\u00f5es das usinas sobre a destina\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o. Quando os pre\u00e7os internacionais do a\u00e7\u00facar s\u00e3o mais atrativos, parte da cana pode ser direcionada \u00e0 fabrica\u00e7\u00e3o da commodity, reduzindo a disponibilidade para o combust\u00edvel.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m a limita\u00e7\u00e3o imposta pela safra. A moagem da cana se concentra em determinados meses do ano, e muitas unidades industriais interrompem as atividades durante a entressafra. Essa caracter\u00edstica reduz a utiliza\u00e7\u00e3o anual das instala\u00e7\u00f5es, mesmo quando existe capacidade autorizada para produzir volumes maiores.<\/p>\n<p>O etanol de milho apresenta uma alternativa importante porque permite o funcionamento das unidades industriais durante praticamente todo o ano, com utiliza\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os armazenados. Sua expans\u00e3o, por\u00e9m, depende de investimentos, disponibilidade de milho a pre\u00e7os competitivos e infraestrutura para processamento e distribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O crescimento dessa ind\u00fastria tamb\u00e9m altera a din\u00e2mica regional do agroneg\u00f3cio. Nas \u00e1reas de maior produ\u00e7\u00e3o de milho, especialmente no Centro-Oeste, o processamento do gr\u00e3o em etanol amplia as possibilidades de comercializa\u00e7\u00e3o da safra e gera coprodutos destinados \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o animal. Ao mesmo tempo, uma demanda industrial maior exige planejamento para evitar desequil\u00edbrios entre oferta, consumo interno e exporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O estudo chama aten\u00e7\u00e3o para uma diferen\u00e7a fundamental entre capacidade industrial autorizada e produ\u00e7\u00e3o efetiva. Em junho de 2026, o Brasil possu\u00eda autoriza\u00e7\u00e3o para produzir aproximadamente 103,5 bilh\u00f5es de litros de etanol por ano. Projetos de novas unidades e amplia\u00e7\u00f5es poderiam acrescentar outros 20,9 bilh\u00f5es de litros.<\/p>\n<p>Esses n\u00fameros, entretanto, n\u00e3o significam que o pa\u00eds disponha de mat\u00e9ria-prima ou condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas para utilizar toda essa estrutura. A CNI aponta uma taxa m\u00e9dia hist\u00f3rica de utiliza\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima de 35%.<\/p>\n<p>Mantido esse \u00edndice, a capacidade atualmente autorizada corresponderia a uma produ\u00e7\u00e3o efetiva de aproximadamente 36,2 bilh\u00f5es de litros anuais. Mesmo com a entrada de todos os projetos adicionais, o volume ficaria perto de 43,6 bilh\u00f5es de litros, abaixo dos 46,2 bilh\u00f5es projetados para o consumo em 2035.<\/p>\n<div>\n<div class=\"centered-text-area\">\n<div class=\"centered-text\">\n<div class=\"u2c69fc4b418bcbf9d1a01a1ef39b110e-content\"><span class=\"ctaText\">Leia Tamb\u00e9m:<\/span>\u00a0 <span class=\"postTitle\">Agroneg\u00f3cio de Minas Gerais bate recordes seguidos e VBP atinge R$ 137 bilh\u00f5es<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ctaButton\"><\/div>\n<\/div>\n<p>A diferen\u00e7a mostra que a amplia\u00e7\u00e3o da capacidade nominal das usinas, isoladamente, n\u00e3o resolve o problema. Ser\u00e1 necess\u00e1rio combinar investimentos industriais, produtividade agr\u00edcola, oferta regular de mat\u00e9rias-primas e condi\u00e7\u00f5es de mercado que estimulem a produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro efeito potencial est\u00e1 no pre\u00e7o dos combust\u00edveis. Se a quantidade de CBIOs dispon\u00edvel permanecer abaixo das metas, a disputa pelos certificados poder\u00e1 elevar suas cota\u00e7\u00f5es. O custo adicional recairia inicialmente sobre as distribuidoras, respons\u00e1veis pela aquisi\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos, com possibilidade de repasse de parte desse valor ao consumidor.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio hist\u00f3rico do RenovaBio mostra a sensibilidade desse mercado. Em 2022, quando a emiss\u00e3o de certificados ficou 4,54 milh\u00f5es abaixo da meta, o pre\u00e7o m\u00e9dio do CBIO passou de R$ 36 no ano anterior para R$ 101. Em 2023, chegou a R$ 113. Com a recupera\u00e7\u00e3o da oferta, as m\u00e9dias recuaram para R$ 88 em 2024 e R$ 56 em 2025.<\/p>\n<p>A evolu\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os n\u00e3o depende exclusivamente da quantidade emitida, mas os dados ilustram como per\u00edodos de oferta insuficiente podem aumentar o custo de cumprimento das obriga\u00e7\u00f5es ambientais.<\/p>\n<p>O estudo da CNI n\u00e3o questiona a import\u00e2ncia da descarboniza\u00e7\u00e3o da matriz de transportes. O alerta \u00e9 para a necessidade de compatibilizar as metas com a capacidade real de expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, evitando que uma pol\u00edtica destinada a estimular combust\u00edveis menos poluentes provoque escassez de certificados e aumento excessivo de custos.<\/p>\n<p>Para o agroneg\u00f3cio, a discuss\u00e3o envolve oportunidades de investimento e riscos econ\u00f4micos. A maior demanda por etanol pode abrir mercados para cana e milho, estimular novas ind\u00fastrias e agregar valor \u00e0 produ\u00e7\u00e3o rural. Mas esses resultados depender\u00e3o de planejamento e de condi\u00e7\u00f5es que permitam ampliar a oferta sem comprometer a competitividade das cadeias produtivas.<\/p>\n<p>O desafio at\u00e9 2035, portanto, n\u00e3o ser\u00e1 apenas produzir mais combust\u00edvel renov\u00e1vel. Ser\u00e1 assegurar que o crescimento da produ\u00e7\u00e3o acompanhe as metas ambientais, com mat\u00e9ria-prima dispon\u00edvel, investimentos vi\u00e1veis e custos compat\u00edveis com a realidade de produtores, ind\u00fastrias e consumidores.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"theiaPostSlider_footer _footer\"><\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/pensaragro.com.br\/falta-de-etanol-ameaca-metas-ambientais-e-pode-elevar-precos-de-combustiveis\/\">Pensar Agro<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil corre o risco de estabelecer metas de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de carbono superiores &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":105751,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-105750","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"wps_subtitle":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/105750","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=105750"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/105750\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":105752,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/105750\/revisions\/105752"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/105751"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=105750"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=105750"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=105750"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}