{"id":25291,"date":"2020-05-26T09:04:21","date_gmt":"2020-05-26T13:04:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/?p=25291"},"modified":"2020-05-26T09:04:21","modified_gmt":"2020-05-26T13:04:21","slug":"as-saidas-para-superar-a-tristeza-e-a-depressao-que-crescem-no-isolamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/as-saidas-para-superar-a-tristeza-e-a-depressao-que-crescem-no-isolamento\/","title":{"rendered":"As sa\u00eddas para superar a tristeza e a depress\u00e3o que crescem no isolamento"},"content":{"rendered":"<p><strong>TERAPIA A DIST\u00c2NCIA:<\/strong><\/p>\n<p><em>A \u00faltima vez que sa\u00ed de casa foi em 13 de mar\u00e7o. Depois disso, percebi que as coisas estavam graves e decidi me isolar. O confinamento me deu uma crise de ansiedade tremenda. Sentia falta de ar. Reagi. Recorri a acompanhamento remoto e pausas para tomar sol. Quando noto que estou come\u00e7ando a ficar nervosa, paro o que estou fazendo e respiro profundamente.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Um dia, quando formos levados a definir os primeiros meses de 2020, e pudermos ir para muito al\u00e9m de nossas janelas, haver\u00e1 uma marca incontorn\u00e1vel: o isolamento social e, a partir dele, a sensa\u00e7\u00e3o de tristeza associada ao fechamento compuls\u00f3rio dentro de casa. H\u00e1, evidentemente, momentos de alegria e relaxamento com os filhos, com os pais, nas conversas por meio de aplicativos de videoconfer\u00eancia, h\u00e1 as maratonas de s\u00e9ries na televis\u00e3o, at\u00e9 o intenso trabalho a dist\u00e2ncia pode ser agrad\u00e1vel \u2014 mas paira no ar a percep\u00e7\u00e3o, nem sempre palp\u00e1vel, de que algo saiu de linha com a sa\u00fade mental. \u00c9 preocupa\u00e7\u00e3o que agora, com a quarentena em pleno curso, come\u00e7a a ser medida. Um recente levantamento realizado pela Associa\u00e7\u00e3o Americana de Psiquiatria mostrou que 36% dos cidad\u00e3os nos Estados Unidos sofreram impactos, na forma de prostra\u00e7\u00e3o severa e depress\u00e3o, em decorr\u00eancia do atual confinamento provocado pelo surto de Covid-19 \u2014 quadro s\u00f3 compar\u00e1vel ao dos dias e semanas posteriores aos ataques do 11 de Setembro. No Brasil, o desconforto pode ser aferido pelo aumento das consultas virtuais com psic\u00f3logos e psicanalistas. O recurso eletr\u00f4nico, deflagrado em 2018, ganhou tra\u00e7\u00e3o com atendimentos feitos por Whats\u00adApp, Skype, FaceTime, Zoom etc. Desde o in\u00edcio de mar\u00e7o a quantidade de profissionais cadastrados pelos conselhos da categoria e autorizados a atender a dist\u00e2ncia dobrou \u2014 j\u00e1 s\u00e3o quase 90\u2009000. Na plataforma Psicologia Viva, de orienta\u00e7\u00e3o virtual, com cerca de 4\u2009000 profissionais registrados, o n\u00famero de atendimentos quadruplicou durante a pandemia. Nos meses de mar\u00e7o e abril, o termo \u201cpsic\u00f3logo on-line\u201d bateu recorde de consultas no Google.<\/p>\n<figure id=\"attachment_3474665\" class=\"wp-caption aligncenter  \"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3474665\" style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: 0px; outline: 0px; list-style: none; text-decoration: none; box-sizing: border-box; display: block; width: 636px; height: auto;\" title=\"SAUDE MENTAL EM QUARENTENA\" src=\"https:\/\/abrilveja.files.wordpress.com\/2020\/05\/pamela-26042020-_mg_9020.jpg.jpg?quality=70&amp;strip=info&amp;w=1024&amp;h=683\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" border=\"0\" data-attachment-id=\"3474665\" data-permalink=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/saude\/as-saidas-para-superar-a-tristeza-e-a-depressao-que-crescem-no-isolamento\/attachment\/saude-mental-em-quarentena-2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilveja.files.wordpress.com\/2020\/05\/pamela-26042020-_mg_9020.jpg.jpg?quality=70&amp;strip=info\" data-orig-size=\"1500,1000\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;4&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;Jefferson Coppola&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;Canon EOS 5D&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;S\\u00c3O PAULO, SP, BRASIL - 26\\\/04\\\/2020 - Retrato da psic\\u00f3loga cl\\u00ednica Pamela Magalh\\u00e3es, 38, no apartamento onde vive, em Moema. Pamela \\u00e9 especialista em casal e fam\\u00edlia e tem atendito seus paciente por v\\u00eddeo-confer\\u00eancia durante a quarentena. Foto de Jefferson Coppola&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1587899232&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;Jefferson Coppola&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;35&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;800&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.01&quot;,&quot;title&quot;:&quot;SAUDE MENTAL EM QUARENTENA&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"SAUDE MENTAL EM QUARENTENA\" data-image-description=\"&lt;p&gt;VJ2686&lt;\/p&gt;\n\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilveja.files.wordpress.com\/2020\/05\/pamela-26042020-_mg_9020.jpg.jpg?quality=70&amp;strip=info&amp;w=300\" data-large-file=\"https:\/\/abrilveja.files.wordpress.com\/2020\/05\/pamela-26042020-_mg_9020.jpg.jpg?quality=70&amp;strip=info&amp;w=650\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Jefferson Coppola\" data-image-caption=\"Pamela Magalh\u00e3es, psic\u00f3loga\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Pamela Magalh\u00e3es, psic\u00f3loga Jefferson Coppola\/VEJA<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>DIV\u00c3 VIRTUAL:<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cAtendo diariamente das 7 horas da manh\u00e3 \u00e0s 7 da noite, por v\u00eddeo. Percebo que est\u00e3o todos mais ansiosos. Vivemos uma revolu\u00e7\u00e3o comportamental compuls\u00f3ria. Mas lembro aos meus pacientes que a dificuldade \u00e9 transit\u00f3ria.\u201d<\/em><\/p>\n<p>A falta de perspectiva \u2014 at\u00e9 quando? \u2014 dissemina o inc\u00f4modo, sobretudo entre os mais propensos a dificuldades, com hist\u00f3rico anterior de desequil\u00edbrio. \u201cA quarentena \u00e9 composta de fases\u201d, diz o psic\u00f3logo Artur Scarpato. \u201cNo come\u00e7o h\u00e1 um otimismo maior, mas com o passar das semanas cresce o sentimento de aprisionamento e de amea\u00e7a.\u201d N\u00e3o \u00e9 o caso de diluir a indiz\u00edvel agonia de quem sofre com o apartamento, mas pesquisas sobejamente aceitas demonstram que seis em cada dez pessoas desafiam o corte abrupto e experimentam \u00f3timas sa\u00eddas cerebrais \u2014 embora, ressalve-se, diversos trabalhos comportamentais j\u00e1 tenham apontado os danos da falta de rela\u00e7\u00e3o social (uma experi\u00eancia publicada em 2015 pelo reputado Departamento de Psicologia da Universidade Brigham Young, de Utah, nos Estados Unidos, mostrou que o risco de morte entre os que vivem muito s\u00f3s cresce 32% em rela\u00e7\u00e3o aos mais soci\u00e1veis, dado comumente comparado ao da obesidade).<\/p>\n<p>Por sorte, a humanidade aprendeu a conviver coletivamente \u2014 e a se defender em caso de afastamentos for\u00e7ados, atalho para transtornos hormonais, neurol\u00f3gicos e comportamentais. O americano John Cacioppo (1951-2018), do Centro de Neuroci\u00eancia Cognitiva e Social da Universidade de Chicago, uma das autoridades mundiais em sua \u00e1rea, desenvolveu uma tese, depois comprovada por antrop\u00f3logos: os primatas, nossos ancestrais, h\u00e1 mais de 50 milh\u00f5es de anos, precisavam pertencer a um grupo social, uma fam\u00edlia, um bando. Estar sozinho, ou mesmo entre pares com os quais n\u00e3o havia entendimento, provocava como resposta a luta e a fuga. Para Cacioppo, a solid\u00e3o desencadeava, como ainda desencadeia, a chamada \u201chipervigil\u00e2ncia\u201d \u2014 e, em fascinante processo evolutivo, ela foi incorporada ao sistema nervoso. Por isso o ex\u00edlio deflagra rea\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, e luta-se para evit\u00e1-lo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_3474669\" class=\"wp-caption aligncenter  \"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3474669\" style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: 0px; outline: 0px; list-style: none; text-decoration: none; box-sizing: border-box; display: block; width: 636px; height: auto;\" title=\"SAUDE MENTAL EM QUARENTENA\" src=\"https:\/\/abrilveja.files.wordpress.com\/2020\/05\/angelica-alice-29042020-image00013.jpg.jpg?quality=70&amp;strip=info&amp;w=1024&amp;h=683\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" border=\"0\" data-attachment-id=\"3474669\" data-permalink=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/saude\/as-saidas-para-superar-a-tristeza-e-a-depressao-que-crescem-no-isolamento\/attachment\/saude-mental-em-quarentena-3\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilveja.files.wordpress.com\/2020\/05\/angelica-alice-29042020-image00013.jpg.jpg?quality=70&amp;strip=info\" data-orig-size=\"1500,1000\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;1.8&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;Jefferson Coppola&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;iPhone 7 Plus&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;S\\u00c3O PAULO, SP, BRASIL - 29\\\/04\\\/2020 - A advogada Ang\\u00e9lica Ravagnani, 45, trabalha online e cuida da filha Alice, 3, com a ajuda de uma empregada dom\\u00e9stica e uma tutora para o ensino. Angelica trabalha cerca de 10 horas di\\u00e1rias e Alice sofre pela aus\\u00eancia dos colegas da escola. Foto de Jefferson Coppola&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1588183493&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;Jefferson Coppola&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;3.99&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;200&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.058823529411765&quot;,&quot;title&quot;:&quot;SAUDE MENTAL EM QUARENTENA&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"SAUDE MENTAL EM QUARENTENA\" data-image-description=\"&lt;p&gt;VJ2686&lt;\/p&gt;\n\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilveja.files.wordpress.com\/2020\/05\/angelica-alice-29042020-image00013.jpg.jpg?quality=70&amp;strip=info&amp;w=300\" data-large-file=\"https:\/\/abrilveja.files.wordpress.com\/2020\/05\/angelica-alice-29042020-image00013.jpg.jpg?quality=70&amp;strip=info&amp;w=650\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Jefferson Coppola\" data-image-caption=\"Ang\u00e9lica Ravagnani, advogada\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Ang\u00e9lica Ravagnani, advogada Jefferson Coppola\/VEJA<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>ESTRANHAMENTO INFANTIL:<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cAlice tem 3 anos de idade. Ela achava que o afastamento dos colegas e da escola era um castigo pessoal. Tornou-se irritada e inquieta. Demorou para aceitar a situa\u00e7\u00e3o. Mas sei que sairemos fortalecidas.\u201d<\/em><\/p>\n<p>\u201cEsse per\u00edodo de desassossego nos d\u00e1 a possibilidade de reavaliar o que \u00e9 realmente prioridade e construir h\u00e1bitos que fa\u00e7am mais sentido para nosso prop\u00f3sito de vida\u201d, diz Ilana Pinsky, psic\u00f3loga cl\u00ednica e pesquisadora visitante na City University de New York (Cuny). \u201c\u00c9 uma chance \u00fanica para refletir e construir um novo jeito de viver, seja de forma coletiva, seja de modo individual.\u201d H\u00e1 atividades simples e pequenas sugest\u00f5es de posturas chanceladas pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). S\u00e3o comezinhas, mas produtivas. Uma das mais poderosas \u00e9 ignorar as fake news. Tentar executar tarefas desafiadoras estimula a mente. Nunca cozinhou? Cozinhe. N\u00e3o tem o h\u00e1bito de ler? Leia. \u201cSair\u00e1 melhor da quarentena quem conseguir desenvolver novos gostos e n\u00e3o lamentar o passado perdido\u201d, afirma Alfredo Maluf, psiquiatra do Hospital Albert Einstein. Uma boa rotina \u00e9 unanimidade entre os especialistas. Trabalhar em per\u00edodos semelhantes aos que se cumpria no escrit\u00f3rio, fazer pausas para refei\u00e7\u00f5es. Para o bom sono, fortemente afetado pelo isolamento, desligar celulares, tablets e laptops ao menos noventa minutos antes de apagar as luzes (<em>leia o quadro na p\u00e1g. 58<\/em>).<\/p>\n<p>As crian\u00e7as, os adolescentes e os idosos est\u00e3o entre os que mais podem sofrer durante o isolamento. Logo que deixou de ir para a escola, Alice, de apenas 3 anos, ligava para os amigos perguntando como estavam as aulas, um tanto perdida. \u201cEla se recusava a compreender que n\u00e3o podia sair de casa\u201d, conta a m\u00e3e, Angelica Ravagnani (leia depoimentos ao longo desta reportagem). Uma pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina de Tongji e pela Universidade de Ci\u00eancia e Tecnologia de Huazhong, na China, mostra que 22,6% dos alunos mais jovens da prov\u00edncia de Hubei \u2014 o epicentro inaugural da Covid-19 \u2014 apresentaram quadros depressivos. Trata-se de uma taxa 5 pontos porcentuais maior que a observada em escolas prim\u00e1rias no resto da China. \u201cOs pequenos t\u00eam menor capacidade de organiza\u00e7\u00e3o e planejamento diante da quebra da rotina\u201d, diz Juliana de Oliveira G\u00f3is, psic\u00f3loga e orientadora pedag\u00f3gica do Col\u00e9gio Rio Branco, um dos mais tradicionais de S\u00e3o Paulo. H\u00e1 menos de um m\u00eas, a Associa\u00e7\u00e3o Americana de Psicologia publicou recomenda\u00e7\u00f5es acerca do atendimento psicol\u00f3gico espec\u00edfico de jovens em idade escolar. As consultas n\u00e3o podem ser formais e \u00e9 preciso que se usem recursos on-line interativos, como jogos, por exemplo, para manter a aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_3474666\" class=\"wp-caption aligncenter  \"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3474666\" style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: 0px; outline: 0px; list-style: none; text-decoration: none; box-sizing: border-box; display: block; width: 636px; height: auto;\" title=\"Rear view of woman looking out to city through window\" src=\"https:\/\/abrilveja.files.wordpress.com\/2020\/05\/gettyimages-960285972.jpg.jpg?quality=70&amp;strip=info&amp;w=1024&amp;h=683\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" border=\"0\" data-attachment-id=\"3474666\" data-permalink=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/saude\/as-saidas-para-superar-a-tristeza-e-a-depressao-que-crescem-no-isolamento\/attachment\/rear-view-of-woman-looking-out-to-city-through-window\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilveja.files.wordpress.com\/2020\/05\/gettyimages-960285972.jpg.jpg?quality=70&amp;strip=info\" data-orig-size=\"1500,1000\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;Getty Images&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;960285972 - Rear view of woman looking out to city through window\\rCredito: iStock\\\/Getty Images&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1588796543&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&lt;XMP-dc:Rights xmlns=&quot;http:\\\/\\\/ns.exiftool.ca\\\/XMP\\\/XMP-dc\\\/1.0\\\/&quot; 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