{"id":28966,"date":"2020-10-09T10:18:25","date_gmt":"2020-10-09T14:18:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/?p=28966"},"modified":"2020-10-09T10:18:25","modified_gmt":"2020-10-09T14:18:25","slug":"recuperacao-judicial-no-campo-veja-o-que-muda-com-novo-entendimento-do-stj","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/recuperacao-judicial-no-campo-veja-o-que-muda-com-novo-entendimento-do-stj\/","title":{"rendered":"Recupera\u00e7\u00e3o judicial no campo: veja o que muda com novo entendimento do STJ"},"content":{"rendered":"<p>A\u00a0<b>Confedera\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria do Brasil (CNA)\u00a0<\/b>comemora uma vit\u00f3ria esperada por produtores rurais de todo o Brasil h\u00e1 anos. Quando o Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ)\u00a0 decidiu na \u00faltima ter\u00e7a-feira, 6, mais uma vez a favor aos produtores rurais pedirem recupera\u00e7\u00e3o judicial sem exig\u00eancia de registro da Junta Comercial, a entidade enxergou como mais um passo para maior profissionaliza\u00e7\u00e3o da atividade agropecu\u00e1ria brasileira.<\/p>\n<p>Esse sentimento de mudan\u00e7a definitiva ocorre porque, refor\u00e7ando a decis\u00e3o anterior do pr\u00f3prio STJ, o colegiado definiu que a comprova\u00e7\u00e3o deve ser feita apenas pela atividade rural e que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio dois anos de inscri\u00e7\u00e3o na Junta Comercial.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o por 4 votos a 1 em favor do recurso do Grupo ERS, uma banca de advogados representante de produtores rurais,\u00a0 fixou tese e gera uma orienta\u00e7\u00e3o que praticamente pacifica o assunto no \u00e2mbito do judici\u00e1rio.<\/p>\n<p>Para a CNA, a decis\u00e3o do STJ foi recebida por muito entusiasmo, pois a entidade reconhece do direito do produtor rural Pessoa F\u00edsica.\u00a0\u201cCom isso, vejo que o setor produtivo encaminha ainda mais para o profissionalismo e para a transpar\u00eancia, com a possibilidade do bom pagador conseguir melhores condi\u00e7\u00f5es de financiamento\u201d, explicou o consultor jur\u00eddico da CNA, Rodrigo Kaufman.<\/p>\n<p>Segundo ele, o judici\u00e1rio brasileiro sempre olhou para o empres\u00e1rio urbano, mas ao contr\u00e1rio desse tipo de profissional, o empres\u00e1rio rural nunca precisou ter esse registro para exercer a profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s achamos a decis\u00e3o fundamental, pois ela reconhece uma tese que o produtor rural pede h\u00e1 muito tempo. O cr\u00e9dito rural das tradings sempre foi concedido a ele, sem a necessidade deste registro. Por isso, a grande tese que a CNA defendeu \u00e9 que\u00a0<b>o produtor tem direito a recupera\u00e7\u00e3o judicial, independente da Junta Comercial<\/b>. Havia um debate com os financiadores da atividade rural at\u00e9 o ano passado, sempre em clima amistoso de di\u00e1logo\u201d, disse.<\/p>\n<p>O especialista cita ainda o<b>\u00a0Projeto de Lei 6229<\/b>, aprovado na C\u00e2mara e encaminhado ao Senado que atualiza a Lei de Fal\u00eancia,\u00a0 adaptando-a ao cen\u00e1rio de calamidade p\u00fablica da pandemia de coronav\u00edrus. Entre as maiores inova\u00e7\u00f5es, est\u00e3o as possibilidades de financiamento na fase de recupera\u00e7\u00e3o judicial, de amplia\u00e7\u00e3o do parcelamento das d\u00edvidas tribut\u00e1rias federais e de apresenta\u00e7\u00e3o do plano de recupera\u00e7\u00e3o pelos credores.<\/p>\n<p>Pelo texto, se autorizado pelo juiz,\u00a0<b>o devedor em recupera\u00e7\u00e3o judicial poder\u00e1 fazer contratos de financiamento, inclusive com seus bens pessoais como garantia, visando salvar a empresa da fal\u00eancia<\/b>. Se a fal\u00eancia for decretada antes da libera\u00e7\u00e3o de todo o dinheiro do financiamento, o contrato ser\u00e1 rescindido sem multas ou encargos.<\/p>\n<p>Outra decis\u00e3o relevante neste \u00e2mbito foi sobre a recupera\u00e7\u00e3o de produtos levados dos produtores rurais como forma de pagamento durante a suspens\u00e3o da recupera\u00e7\u00e3o judicial. Segundo a decis\u00e3o, ficou definido que \u201cnenhum credor poder\u00e1 tomar bens durante o processamento da recupera\u00e7\u00e3o judicial\u201d e que \u201cuma vez que apreendido, durante a suspens\u00e3o da Recupera\u00e7\u00e3o Judicial, que ficou restabelecida, este credor tem o dever de restituir os ativos, no caso, os gr\u00e3os arrestados e, se n\u00e3o os tiverem, o respectivo pagamento, levando-se em considera\u00e7\u00e3o o dia do dep\u00f3sito judicial, j\u00e1 que com o cumprimento da liminar de arresto assumiram os riscos respectivos\u201d.<\/p>\n<h3><strong>Entenda a decis\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>Em seu parecer, o relator do processo, o ministro Marco Aur\u00e9lio Belizze, destacou que ainda que relevante para o deferimento do pedido de recupera\u00e7\u00e3o judicial, como instituto pr\u00f3prio do regime empresarial, o registro na junta \u00e9 absolutamente desnecess\u00e1rio para que o\u00a0<b>empres\u00e1rio rural demonstre a sua regularidade de exerc\u00edcio profissional de sua atividade podendo ser comprovada de outras formas<\/b>.<\/p>\n<p>De acordo com o advogado especialista em recupera\u00e7\u00e3o judicial e professor de direito empresarial, Saulo Mesquita, essa decis\u00e3o \u00e9 muito importante pois h\u00e1 diverg\u00eancia sobre o assunto nos tribunais, sobretudo em Mato Grosso e S\u00e3o Paulo. \u201cO STJ ainda n\u00e3o julgou essa mat\u00e9ria em repetitivo, no entanto, n\u00e3o pacificou por completo essa mat\u00e9ria. Por\u00e9m, quando se t\u00eam o entendimento de duas turmas a favor de um assunto, tudo indica que se vai conseguir pacificar a jurisprud\u00eancia, dando a orienta\u00e7\u00e3o para os tribunais de origem\u201d, contou.<\/p>\n<p>De fato,\u00a0 24 horas ap\u00f3s a decis\u00e3o do STJ, os tribunais j\u00e1 come\u00e7aram a aplicar o novo entendimento. De acordo com o advogado Alisson Franco, s\u00f3cio da ERS Advocacia, nesta quarta-feira, 7, uma decis\u00e3o no Tribunal de Justi\u00e7a de Mato Grosso j\u00e1 reconheceu a tese do STJ.<\/p>\n<div id=\"attachment_2772883\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2772883 size-full lazyloaded\" src=\"https:\/\/static-wp-canalr-prd.canalrural.com.br\/wp-content\/uploads\/saulomesquita.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 507px) 100vw, 507px\" srcset=\"https:\/\/static-wp-canalr-prd.canalrural.com.br\/wp-content\/uploads\/saulomesquita.jpg 507w, https:\/\/static-wp-canalr-prd.canalrural.com.br\/wp-content\/uploads\/saulomesquita-200x150.jpg 200w, https:\/\/static-wp-canalr-prd.canalrural.com.br\/wp-content\/uploads\/saulomesquita-320x240.jpg 320w, https:\/\/static-wp-canalr-prd.canalrural.com.br\/wp-content\/uploads\/saulomesquita-86x63.jpg 86w\" alt=\"\" width=\"507\" height=\"378\" aria-describedby=\"caption-attachment-2772883\" data-lazy-srcset=\"https:\/\/static-wp-canalr-prd.canalrural.com.br\/wp-content\/uploads\/saulomesquita.jpg 507w, https:\/\/static-wp-canalr-prd.canalrural.com.br\/wp-content\/uploads\/saulomesquita-200x150.jpg 200w, https:\/\/static-wp-canalr-prd.canalrural.com.br\/wp-content\/uploads\/saulomesquita-320x240.jpg 320w, https:\/\/static-wp-canalr-prd.canalrural.com.br\/wp-content\/uploads\/saulomesquita-86x63.jpg 86w\" data-lazy-sizes=\"(max-width: 507px) 100vw, 507px\" data-lazy-src=\"https:\/\/static-wp-canalr-prd.canalrural.com.br\/wp-content\/uploads\/saulomesquita.jpg\" data-was-processed=\"true\" \/><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-2772883\" class=\"wp-caption-text\">Saulo Mesquita, advogado especialista em recupera\u00e7\u00e3o judicial e professor de direito empresarial. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/div>\n<p>Segundo Saulo Mesquita, havia um entrave para muitos produtores no pedido de recupera\u00e7\u00e3o judicial, j\u00e1 que a\u00a0 Lei de Recupera\u00e7\u00e3o Judicial exige o registro da atividade na Junta Comercial. No entanto, \u00e9 reconhecido que a profiss\u00e3o de produtor rural difere das atividades empresariais urbanas.<\/p>\n<p>\u201cSabemos que a maioria dos produtores opera na Pessoa F\u00edsica, porque oferece uma s\u00e9rie de benef\u00edcios e o agro \u00e9 uma atividade um tanto quanto familiar. Se fala muito de que seriam grandes grupos se aproveitando, mas sabemos que o agro n\u00e3o \u00e9 feito de grandes conglomerados e sim de muitos pequenos produtores\u201d, disse.<\/p>\n<p>Esses pequenos produtores, na opini\u00e3o do advogado, mesmo operando em Pessoa F\u00edsica, t\u00eam uma atividade empresarial organizada, geram muitos empregos e geram renda. \u201cTemos que lembrar que o agro \u00e9 que movimenta o pa\u00eds\u201d, completou.<\/p>\n<p>\u201cEu vejo isso com bons olhos, mas h\u00e1 diverg\u00eancias. Outros especialistas acreditam que os credores podem ser pegos de surpresa, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o na lei para recupera\u00e7\u00e3o judicial de produtor. Por outro lado, o C\u00f3digo Civil explica que o agroneg\u00f3cio merece um tratamento diferenciado. Ainda que os produtores n\u00e3o tenham o registro mercantil, eles t\u00eam uma atividade comercial organizada. Desde que ele comprove essa atividade comercial, eu n\u00e3o vejo motivo para que n\u00e3o seja acatada essa decis\u00e3o\u201d, concluiu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte:\u00a0 <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/\">Canal Rural<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A\u00a0Confedera\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria do Brasil (CNA)\u00a0comemora uma vit\u00f3ria esperada por produtores rurais de &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":28967,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[48],"tags":[],"class_list":["post-28966","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agro_cfnews"],"wps_subtitle":"Tribunal definiu que produtores rurais n\u00e3o precisam de registro na Junta Comercial para entrar com processo de recupera\u00e7\u00e3o judicial; entenda o panorama para futuras negocia\u00e7\u00f5es","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28966","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28966"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28966\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28968,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28966\/revisions\/28968"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28967"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28966"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28966"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28966"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}