{"id":29806,"date":"2020-11-20T19:28:13","date_gmt":"2020-11-20T23:28:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/?p=29806"},"modified":"2020-11-20T19:28:13","modified_gmt":"2020-11-20T23:28:13","slug":"no-seculo-21-eleicoes-brasileiras-ainda-trazem-agressoes-atentados-e-assassinatos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/no-seculo-21-eleicoes-brasileiras-ainda-trazem-agressoes-atentados-e-assassinatos\/","title":{"rendered":"No s\u00e9culo 21, elei\u00e7\u00f5es brasileiras ainda trazem agress\u00f5es, atentados e assassinatos"},"content":{"rendered":"<p>No dia 24 de setembro, pouco depois do fim das conven\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias que definiram as chapas das elei\u00e7\u00f5es municipais, o candidato a vereador C\u00e1ssio Remis (PSDB) foi morto em Patroc\u00ednio (MG) com cinco tiros, \u00e0 luz do dia, filmado por c\u00e2meras de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"Paragraph-paragraph-2Bgue ArticleBody-para-TD_9x\">O assassinato marcou a abertura da campanha eleitoral municipal de 2020 e intensificou a temporada de mortes, agress\u00f5es e atentados.<\/p>\n<p class=\"Paragraph-paragraph-2Bgue ArticleBody-para-TD_9x\">No mesmo dia, com menos repercuss\u00e3o, morreu em S\u00e3o Jos\u00e9 da Coroa Grande (PE), Valter Rafael da Silva (DEM), o Valter do Conselho, tamb\u00e9m candidato a vereador.<\/p>\n<p class=\"Paragraph-paragraph-2Bgue ArticleBody-para-TD_9x\">Foram duas v\u00edtimas no mesmo dia de um per\u00edodo, entre julho e setembro de 2020, em que 123 pol\u00edticos e associados foram alvo de homic\u00eddios, atentados, agress\u00f5es, de acordo com levantamento feito pelo Grupo de Investiga\u00e7\u00e3o Eleitoral (Giel) da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio).<\/p>\n<p class=\"Paragraph-paragraph-2Bgue ArticleBody-para-TD_9x\">Dados ainda n\u00e3o publicados pelo Giel mostram que a viol\u00eancia continuou crescendo \u00e0 medida que a elei\u00e7\u00e3o se aproximava. N\u00fameros repassados \u00e0 Reuters com levantamento de outubro e at\u00e9 9 de novembro, 6 dias antes da elei\u00e7\u00e3o, mostram, em cerca de 40 dias, 14 homic\u00eddios e 58 tentativas.<\/p>\n<p class=\"Paragraph-paragraph-2Bgue ArticleBody-para-TD_9x\">No pr\u00f3prio dia da elei\u00e7\u00e3o, o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a registrou sete amea\u00e7as e sete tentativas de homic\u00eddio. Em Sumar\u00e9 (SP), no in\u00edcio da noite de domingo, com as urnas fechadas, Edmar Santana (Patriotas), que acabara de ser eleito suplente para a C\u00e2mara de Vereadores, foi assassinado a tiros por um homem que passou por ele de moto, de acordo com a emissora EPTV, do interior de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p class=\"Paragraph-paragraph-2Bgue ArticleBody-para-TD_9x\">A viol\u00eancia pol\u00edtica no Brasil, que existe ao longo do ano &#8211;em um reflexo da pr\u00f3pria viol\u00eancia que domina o pa\u00eds&#8211;, se acentua em anos eleitorais e cresce \u00e0 medida que a elei\u00e7\u00e3o se aproxima.<\/p>\n<p class=\"Paragraph-paragraph-2Bgue ArticleBody-para-TD_9x\">No primeiro trimestre deste ano foram 88 casos de viol\u00eancia, no segundo, 86 e no terceiro, 123. Em 2019, ano sem elei\u00e7\u00f5es municipais ou estaduais, o total ficou em 148. Ou seja, s\u00f3 nos primeiros 9 meses de 2020 os casos de viol\u00eancia foram o dobro de todo ano passado.<\/p>\n<div class=\"AdSlot__container___2BqUD ArticleBody-ad-slot-83sCj\"><\/div>\n<p class=\"Paragraph-paragraph-2Bgue ArticleBody-para-TD_9x\">Os assassinatos e atentados n\u00e3o escolhem partido. O levantamento do Giel mostra que foram mortos, agredidos e amea\u00e7ados pol\u00edticos de praticamente todas as legendas, do PSOL ao PSL. S\u00e3o vereadores, prefeitos, candidatos a prefeito, lideran\u00e7as locais. Em alguns casos, deputados estaduais e federais, mas em um n\u00famero muito menor &#8211;nesses casos, amea\u00e7as \u00e9 o mais comum.<\/p>\n<p class=\"Paragraph-paragraph-2Bgue ArticleBody-para-TD_9x\">Os casos est\u00e3o espalhados por praticamente todos os Estados, mas raramente acontecem em capitais. \u00c9 nos munic\u00edpios menores onde a rivalidade eleitoral \u00e9 mais violenta.<\/p>\n<p class=\"Paragraph-paragraph-2Bgue ArticleBody-para-TD_9x\">\u201cO conflito pol\u00edtico brasileiro n\u00e3o \u00e9 nacional, \u00e9 local\u201d, diz Felipe Borba, coordenador do Giel. \u201cNos pequenos munic\u00edpios \u00e9 uma l\u00f3gica de rivalidade local. Nesses pequenos \u00e9 quase um jogo de soma zero: quem tem acesso ao cargo pol\u00edtico tem acesso a muita coisa; perder o controle do poder p\u00fablico tem um custo pol\u00edtico muito alto, \u00e9 patronagem mesmo. Estar na oposi\u00e7\u00e3o \u00e9 n\u00e3o ter nada.\u201d<\/p>\n<p class=\"Paragraph-paragraph-2Bgue ArticleBody-para-TD_9x\">Os dados de homic\u00eddios com motiva\u00e7\u00f5es pol\u00edticas levantados pelo Giel mostram, ainda, que a elei\u00e7\u00e3o municipal \u00e9 muito mais violenta que os pleitos nacionais. Em 2018, ano de elei\u00e7\u00e3o presidencial &#8211;e apesar do atentado ao ent\u00e3o candidato Jair Bolsonaro&#8211; aconteceram 26 mortes. Em 2019, com o final do ano j\u00e1 dando sinais das primeiras disputas locais, esse n\u00famero chegou a 47. Em 2020, nos primeiros 9 meses do ano, foram 91 mortes.<\/p>\n<p class=\"Paragraph-paragraph-2Bgue ArticleBody-para-TD_9x\">A motiva\u00e7\u00e3o, enraizada nas disputas locais, varia de acordo com os interesses, a criminalidade e o submundo local.<\/p>\n<p class=\"Paragraph-paragraph-2Bgue ArticleBody-para-TD_9x\">Em in\u00edcio de outubro, Adriano Sousa Magalh\u00e3es, candidato a prefeito em Dom Eliseu (PA), foi assassinado com um tiro na cabe\u00e7a enquanto jantava em uma lanchonete na cidade. O atirador estava em um carro e fugiu em seguida. At\u00e9 agora ningu\u00e9m foi preso.<\/p>\n<p class=\"Paragraph-paragraph-2Bgue ArticleBody-para-TD_9x\">Dom Eliseu, no nordeste do Par\u00e1, est\u00e1 no centro da extra\u00e7\u00e3o de madeira ilegal na Amaz\u00f4nia, de acordo com a ONG Imazon, que acompanha o desmatamento na regi\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"AdSlot__container___2BqUD ArticleBody-ad-slot-83sCj\"><\/div>\n<p class=\"Paragraph-paragraph-2Bgue ArticleBody-para-TD_9x\">O Estado do Rio de Janeiro registrou, nas \u00faltimas semanas antes da elei\u00e7\u00e3o, n\u00fameros crescentes de assassinatos e atentados. Em Nova Igua\u00e7u, quatro dias antes da elei\u00e7\u00e3o, Domingos Cabral (DEM) foi morto por homens encapuzados enquanto estava em um bar. Um m\u00eas antes, na mesma cidade, Mauro da Rocha, tamb\u00e9m foi assassinato.<\/p>\n<p class=\"Paragraph-paragraph-2Bgue ArticleBody-para-TD_9x\">No in\u00edcio de novembro, um dos vereadores da capital, o ex-policial militar Zico Bacana (Podemos), foi baleado quando vazia campanha na zona norte. O vereador, que foi investigado por envolvimento com mil\u00edcias, n\u00e3o foi reeleito.<\/p>\n<p class=\"Paragraph-paragraph-2Bgue ArticleBody-para-TD_9x\">Apesar da falta de resultados das investiga\u00e7\u00f5es, Borba afirma que se pode ver alguns padr\u00f5es nas motiva\u00e7\u00f5es a partir das regi\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"Paragraph-paragraph-2Bgue ArticleBody-para-TD_9x\">\u201cTem alguns padr\u00f5es. Aqui no Rio de Janeiro o principal \u00e9 envolvimento com crime organizado, tr\u00e1fico, mil\u00edcia. No Par\u00e1 h\u00e1 muitos crimes ligados \u00e0 disputa por terra\u201d, explica.<\/p>\n<h2 class=\"Headline-headline-2FXIq Headline-black-OogpV ArticleBody-heading-3h695\">VISIBILIDADE<\/h2>\n<p class=\"Paragraph-paragraph-2Bgue ArticleBody-para-TD_9x\">A morte de C\u00e1ssio Remis foi filmada por c\u00e2meras de seguran\u00e7a em Patroc\u00ednio; Adriano Magalh\u00e3es morreu na lanchonete mais movimentada de Dom Eliseu; h\u00e1 10 dias, Ricardo Moura (PL), candidato a vereador em Guarulhos, fazia uma live em redes sociais quando foi baleado na perna e no ombro.<\/p>\n<p class=\"Paragraph-paragraph-2Bgue ArticleBody-para-TD_9x\">Ainda assim, em nenhum desses casos algu\u00e9m foi preso. Em Patroc\u00ednio, o secret\u00e1rio de obras Jorge Marra &#8211;irm\u00e3o do prefeito Deir\u00f3 Marra (DEM), candidato \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o&#8211;, aparece atirando em Remis, mas est\u00e1 foragido h\u00e1 quase dois meses. Nos outros casos, a pol\u00edcia ainda n\u00e3o conseguiu identificar autores ou mandantes.<\/p>\n<div class=\"AdSlot__container___2BqUD ArticleBody-ad-slot-83sCj\"><\/div>\n<p class=\"Paragraph-paragraph-2Bgue ArticleBody-para-TD_9x\">A sensa\u00e7\u00e3o de faroeste n\u00e3o \u00e9 nova no pa\u00eds. Em 1963, os senadores rivais Arnon de Mello &#8211;pai do ex-presidente Fernando Collor&#8211; e Silvestre P\u00e9ricles sacaram armas no plen\u00e1rio do Senado e Mello, ao tentar atingir P\u00e9ricles, matou o senador pelo Acre Jos\u00e9 Kairalla.<\/p>\n<p class=\"Paragraph-paragraph-2Bgue ArticleBody-para-TD_9x\">Em 1993, Ronaldo Cunha Lima, ent\u00e3o governador da Para\u00edba, deu dois tiros no ex-governador Tarc\u00edsio Burity, que acusara seu filho, C\u00e1ssio Cunha Lima (PSDB) &#8211;ex-senador e ex-governador do Estado&#8211; de corrup\u00e7\u00e3o. Em 1998, Ceci Cunha (PSDB), primeira mulher eleita deputada federal por Alagoas, foi assassinada com outras tr\u00eas pessoas. Um deputado foi apontado como mandante, mas nunca julgado.<\/p>\n<p class=\"Paragraph-paragraph-2Bgue ArticleBody-para-TD_9x\">No interior do pa\u00eds, disputas pol\u00edticas eram comumente resolvidas \u00e0 bala sem chegar \u00e0s manchetes dos jornais.<\/p>\n<p class=\"Paragraph-paragraph-2Bgue ArticleBody-para-TD_9x\">No s\u00e9culo 21, capitais raramente s\u00e3o alvo de cenas de viol\u00eancia nesse n\u00edvel, mas em 2018 a vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco (PSOL) foi assassinada, junto com o motorista Anderson Gomes. Apesar da press\u00e3o no pa\u00eds e no exterior, a pol\u00edcia conseguiu chegar ao ex-PM Ronie Lessa como executor do crime, mas at\u00e9 hoje n\u00e3o alcan\u00e7ou o mandante.<\/p>\n<p class=\"Paragraph-paragraph-2Bgue ArticleBody-para-TD_9x\">\u201cS\u00e3o poucos pol\u00edticos locais que t\u00eam visibilidade e geram como\u00e7\u00e3o, como o caso da Marielle, que era uma lideran\u00e7a em ascens\u00e3o e na capital. A maior parte dos casos acontece nos munic\u00edpios pequenos, sem visibilidade, n\u00e3o gera essa como\u00e7\u00e3o para investigar\u201d, diz Borba.<\/p>\n<p class=\"Paragraph-paragraph-2Bgue ArticleBody-para-TD_9x\">Por mais chocante que seja um pol\u00edtico sofrendo um atentado ao vivo, como aconteceu mais de uma vez neste ano, nada foi feito em rela\u00e7\u00e3o a uma pol\u00edtica para investigar ou prevenir isso. E essa viol\u00eancia, alerta Borba, n\u00e3o \u00e9 apenas contra pol\u00edticos, mas eleitores, que s\u00e3o coagidos, amea\u00e7ados e, muitas vezes &#8211;como nas \u00e1reas de mil\u00edcias no Rio de Janeiro&#8211; vivem sob dom\u00ednio de grupos violentos.<\/p>\n<p class=\"Paragraph-paragraph-2Bgue ArticleBody-para-TD_9x\">A cada elei\u00e7\u00e3o, a pedido do TSE, o governo federal envia a For\u00e7a Nacional de Seguran\u00e7a ou tropas das For\u00e7as Armadas para locais considerados de maior risco &#8211;este ano cerca de 600. Esse refor\u00e7o, no entanto, normalmente chega na v\u00e9spera e vai embora no dia seguinte \u00e0 elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"Paragraph-paragraph-2Bgue ArticleBody-para-TD_9x\">\u201c\u00c9 at\u00e9 lugar comum falar da impunidade, mas n\u00e3o tem uma pol\u00edtica organizada de combate ao crime pol\u00edtico. Deveria ter um n\u00facleo especializado para investigar esse tipo de crime, n\u00e3o basta essas opera\u00e7\u00f5es de mandar For\u00e7a Nacional, Ex\u00e9rcito. Isso pode inibir naquele momento, mas o ciclo eleitoral \u00e9 muito longo. Tem pol\u00edtico morrendo desde o ano passado\u201d, disse Borba.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte:\u00a0 <a href=\"https:\/\/br.reuters.com\/\">Reuters<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 24 de setembro, pouco depois do fim das conven\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias que definiram as &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":29807,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52,59],"tags":[],"class_list":["post-29806","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","category-destaque"],"wps_subtitle":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29806","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29806"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29806\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":29808,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29806\/revisions\/29808"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/29807"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29806"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29806"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29806"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}