{"id":35160,"date":"2021-04-03T07:55:32","date_gmt":"2021-04-03T11:55:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/?p=35160"},"modified":"2021-04-03T07:55:32","modified_gmt":"2021-04-03T11:55:32","slug":"turismo-reclamacoes-aumentam-427-na-pandemia-especialista-orienta-consumidor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/turismo-reclamacoes-aumentam-427-na-pandemia-especialista-orienta-consumidor\/","title":{"rendered":"Turismo: reclama\u00e7\u00f5es aumentam 427% na pandemia; especialista orienta consumidor"},"content":{"rendered":"<div id=\"infocoweb_corpo\" class=\"infocoweb_corpo\">\n<p>O \u00faltimo\u00a0<a href=\"https:\/\/economia.ig.com.br\/2021-03-15\/telecomunicacoes-e-setor-financeiro-lideram-reclamacoes-em-2020-diz-governo.html\">levantamento Consumidor em N\u00fameros<\/a>\u00a0, da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) divulgado no m\u00eas passado divulgou crescimento de\u00a0427% das reclama\u00e7\u00f5es de consumidores a respeito do\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/economia.ig.com.br\/2021-02-18\/turismo-domestico-deve-se-recuperar-100-ate-maio-promete-marcos-arbaitman.html\">setor de viagens e turismo<\/a>\u00a0\u00a0em 2020. Companhias a\u00e9reas, hot\u00e9is, eventos e ag\u00eancias de viagem. foram alvo de clientes como Felipe Cavalcanti, de 31 anos.<\/p>\n<p>Em dezembro do ano passado, ele agendou uma viagem para Portugal pela ag\u00eancia de viagens MaxMilhas. Iria para a Irlanda. Mas com o aumento de casos de Covid-19 e as restri\u00e7\u00f5es\u00a0\u00e0\u00a0entrada de brasileiros em muitos pa\u00edses pela situa\u00e7\u00e3o da pandemia, ele imaginou que n\u00e3o conseguiria um voo direto para Dublin.<\/p>\n<p>Felipe embarcaria em fevereiro. Mas como a pandemia no pa\u00eds e a rejei\u00e7\u00e3o ao brasileiro no mundo s\u00f3 aumentaram, calculou que a primeira viagem pudesse ser cancelada. E foi. Ele, no entanto, n\u00e3o foi notificado pela MaxMilhas em nenhum de seus canais de comunica\u00e7\u00e3o. E s\u00f3 soube do cancelamento da passagem quando visitou o site da empresa e conferiu o status do seu pedido.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, Felipe tem tentado contato com MaxMilhas por suas redes sociais \u2013 a empresa n\u00e3o disponibiliza nenhum meio mais formal de reclama\u00e7\u00e3o. Ele conseguiu viajar, mas atrav\u00e9s de outra companhia (alguns dias ap\u00f3s a entrevista feita pelo iG, a Maxmilhas entrou em contato com Felipe e prop\u00f4s o ressarcimento pela passagem; o pagamento ser\u00e1 feito at\u00e9 fevereiro de 2022).<\/p>\n<div class=\"gd7 noticiaFloat foto-legenda--aling-left\">\n<figure class=\"foto-legenda foto-legenda--size-1\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.statig.com.br\/bancodeimagens\/ar\/vm\/19\/arvm19zsf8bt9dayavv7koenf.jpg\" alt=\"viajante \" \/><figcaption class=\"foto-legenda-citacao\"><cite>Imagem cedida pelo autor<\/cite>Felipe conta que n\u00e3o \u00e9 o primeiro problema com ag\u00eancias de viagem que enfrenta<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p class=\"\">\u201cEu quero meu dinheiro de volta porque eu paguei por um servi\u00e7o que eu n\u00e3o usei. Eu j\u00e1 estou aqui [na Irlanda], n\u00e3o preciso de cr\u00e9dito de viagens. Preciso do meu dinheiro de volta. E vou entrar na Justi\u00e7a pra isso\u201d, diz.<\/p>\n<p class=\"\">Felipe \u00e9 moderador de conte\u00fado em uma empresa na Irlanda. O processo seletivo foi no Brasil, mas para sair de vez do desemprego e ocupar o alto cargo, o administrador precisou viajar para a entrevista final e se instalar no pa\u00eds onde hoje trabalha.<\/p>\n<p>Em empregos anteriores, ele conta que tinha que se deslocar bastante. A pandemia, entretanto, enxugou a quantidade de viagens internacionais em favor do\u00a0<em>home office<\/em>\u00a0. Por isso, adotou a medida trabalhista e sanit\u00e1ria recomendada, de s\u00f3 se deslocar de um pa\u00eds para outro em caso de extrema necessidade \u2013 n\u00e3o havendo outra alternativa.\u00a0Foi este o caso.<\/p>\n<div class=\"maislidas_container\">\n<h3>Voc\u00ea viu?<\/h3>\n<\/div>\n<h3>Quest\u00f5es jur\u00eddicas<\/h3>\n<p>Paulo Ramos, o advogado consumerista que atende Felipe na demanda, explica que as empresas de viagem s\u00e3o obrigadas a notificar o usu\u00e1rio com pelo menos duas semanas de anteced\u00eancia no caso de cancelamento.<\/p>\n<p>\u201cO princ\u00edpio fundamental no C\u00f3digo de Defesa do Consumidor (art. 6\u00ba, III, do CDC)\u00a0\u00e9 o Direito Geral de Informar. Tentar resolver atrav\u00e9s do SAC \u00e9 uma tarefa \u00e1rdua, muitas vezes imposs\u00edvel. Comumente, nos deparamos com atendentes despreparados\/desinformados sem a t\u00e9cnica necess\u00e1ria para resolver o problema\u201d.<\/p>\n<p>Ele conta que as ag\u00eancias de viagem que descumprirem as leis consumeristas podem e devem ser acionadas judicialmente. Geralmente, os pedidos est\u00e3o relacionados a remarca\u00e7\u00e3o de pacotes de turismo (art. 20, inciso I, do CDC), devolu\u00e7\u00e3o dos valores pagos (art. 20, inciso II, do CDC), dano material e dano moral.<\/p>\n<p>Ramos diz que, at\u00e9 a Constitui\u00e7\u00e3o de 1989, n\u00e3o havia qualquer tipo de legisla\u00e7\u00e3o que protegesse o consumidor de qualquer servi\u00e7o, por isso cabia ao fornecedor estipular as regras do jogo. A Constitui\u00e7\u00e3o gerou uma s\u00e9rie de avan\u00e7os, ainda que o cen\u00e1rio seja muito diferente do que o de hoje.<\/p>\n<p>Em 11 de setembro de 1990 o Brasil deu um grande passo nas rela\u00e7\u00f5es consumeristas com a san\u00e7\u00e3o da Lei 8078\/90, o C\u00f3digo de Defesa do Consumidor. \u201cTrata-se da aplicabilidade sobreposta com o dever de cuidar n\u00e3o somente de um cidad\u00e3o, mas sim da coletividade. Logo, essa \u00e9 a Lei que resguarda\/embasa os direitos dos consumidores no Brasil\u201d, diz Ramos.<\/p>\n<div class=\"Noticia_Embed\">\n<div class=\"twitter-tweet twitter-tweet-rendered\"><iframe id=\"twitter-widget-0\" class=\"\" title=\"Twitter Tweet\" src=\"https:\/\/platform.twitter.com\/embed\/Tweet.html?dnt=false&amp;embedId=twitter-widget-0&amp;frame=false&amp;hideCard=false&amp;hideThread=false&amp;id=1364448268189589506&amp;lang=pt&amp;origin=https%3A%2F%2Feconomia.ig.com.br%2F2021-04-03%2Freclamacoes-contra-o-turismo-batem-427---consumidor-e-especialistas-opinam.html&amp;theme=light&amp;widgetsVersion=e1ffbdb%3A1614796141937&amp;width=550px\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-tweet-id=\"1364448268189589506\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"\">Em nota, a MaxMilhas informou que a empresa continua lidando com\u00a0<a href=\"https:\/\/economia.ig.com.br\/2020-09-11\/com-rombo-de-r-183-bi-turismo-deve-se-recuperar-apenas-em-2023.html\">in\u00fameros casos de cancelamento e remarca\u00e7\u00e3o de voos<\/a>\u00a0. \u201cAl\u00e9m disso, muitos pa\u00edses seguem com restri\u00e7\u00f5es e constantes mudan\u00e7as nas exig\u00eancias de entrada de viajantes brasileiros, o que tamb\u00e9m tem afetado uma grande quantidade de voos\u201d, diz a nota.<\/p>\n<p>\u201cTodos os canais de atendimento do setor de viagens e turismo continuam comprometidos. Na MaxMilhas n\u00e3o \u00e9 diferente. Como intermediadores da venda de passagens, estamos atuando dentro das previs\u00f5es da legisla\u00e7\u00e3o e ante as regras das companhias para cancelar e remarcar as viagens. Al\u00e9m de concentrar nossos esfor\u00e7os em canais exclusivos, tamb\u00e9m aceleramos a automatiza\u00e7\u00e3o dos processos de cancelamento e altera\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Paulo Ramos adverte que, antes de ingressar com qualquer medida judicial, \u00e9 importante que o consumidor j\u00e1 tenha esgotado as vias administrativas, e os Procons s\u00e3o excelentes aliados na resolu\u00e7\u00e3o dos conflitos.<\/p>\n<p>O assessor jur\u00eddico da Abav (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Ag\u00eancias de Viagem), Marcelo Oliveira, argumenta que as ag\u00eancias de viagem nunca trabalharam tanto quanto agora. Entretanto, ele diz que o segmento \u00e9 \u201csomente um dos ramos do setor do turismo\u201d, e por isso \u201cn\u00e3o podemos falar pelo setor todo, que tem sofrido muito\u201d.<\/p>\n<p>Oliveira aponta como causa da eleva\u00e7\u00e3o do n\u00famero de queixas o pr\u00f3prio passageiro que, segundo ele, \u201cn\u00e3o entende ou n\u00e3o quer respeitar as medidas adotadas pelo Minist\u00e9rio do Turismo\u201d e, por isso, t\u00eam dificuldades de negociar com as ag\u00eancias que fazem o interm\u00e9dio entre os segmentos.<\/p>\n<p>Ele ainda indica as falhas do levantamento da Senacon. Em sua avalia\u00e7\u00e3o, a pesquisa feita pelo Minist\u00e9rio da Defesa apresenta falhas de apura\u00e7\u00e3o, e que, se seguidos crit\u00e9rios mais r\u00edgidos de coleta de dados dos consumidores, as ag\u00eancias de viagem n\u00e3o seriam culpabilizadas pela crise.<\/p>\n<p>S\u00f3 no estado de S\u00e3o Paulo,\u00a0<a href=\"https:\/\/economia.ig.com.br\/2020-09-11\/setor-de-turismo-recebe-sozinho-75-das-reclamacoes-ligadas-a-covid-19-no-procon.html\">o Procon-SP registrou que 75% das reclama\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 Covid-19 s\u00e3o contra o setor de turismo<\/a>\u00a0.\u00a0 Ag\u00eancias de viagens somaram 3.986 (52%) do total das queixas, e companhias a\u00e9reas, 1.726 (25%). S\u00f3 na capital, de mar\u00e7o at\u00e9 o dia 20 de agosto de 2020, as multas somaram R$ 5 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Ramos aconselha que tanto o consumidor quanto o fornecedor de produtos e servi\u00e7os precisam \u201cfazer uso dos princ\u00edpios norteadores da rela\u00e7\u00e3o de consumo (boa-f\u00e9 objetiva, fun\u00e7\u00e3o social do contrato, dever geral de informa\u00e7\u00e3o e outros) para buscar o equil\u00edbrio nos contratos, como uma forma de minimizar os preju\u00edzos poss\u00edveis de todas as partes contratantes\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"infocoweb_rodape\" class=\"infocoweb_rodape\">Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/economia.ig.com.br\/2021-04-03\/reclamacoes-contra-o-turismo-batem-427---consumidor-e-especialistas-opinam.html#73\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">IG ECONOMIA<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O \u00faltimo\u00a0levantamento Consumidor em N\u00fameros\u00a0, da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) divulgado no m\u00eas passado &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":35161,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52,59],"tags":[],"class_list":["post-35160","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","category-destaque"],"wps_subtitle":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35160","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35160"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35160\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":35162,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35160\/revisions\/35162"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35161"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35160"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35160"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35160"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}