{"id":36827,"date":"2021-04-28T09:42:59","date_gmt":"2021-04-28T13:42:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/?p=36827"},"modified":"2021-04-28T09:42:59","modified_gmt":"2021-04-28T13:42:59","slug":"como-o-momento-atual-se-compara-a-crise-de-2008","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/2021\/04\/28\/como-o-momento-atual-se-compara-a-crise-de-2008\/","title":{"rendered":"Como o momento atual se compara \u00e0 crise de 2008"},"content":{"rendered":"<div id=\"infocoweb_corpo\" class=\"infocoweb_corpo\">\n<p class=\"\">Como j\u00e1 contei algumas vezes sobre a hist\u00f3ria da minha vida profissional, sou uma combina\u00e7\u00e3o de peixe fora d\u2019\u00e1gua, engenheiro agr\u00f4nomo formado em julho de 1981, portanto h\u00e1 quase 40 anos, um dos poucos gestores de recursos com essa forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, imagino, e filho da crise. Viv\u00edamos em 1982 uma das piores recess\u00f5es do Brasil, com o partido pol\u00edtico\u00a0<strong>PT<\/strong>\u00a0, fundado em 1980 e seu l\u00edder\u00a0<strong>Lula<\/strong>\u00a0, tamb\u00e9m crias desta recess\u00e3o. A regi\u00e3o do ABC foi ber\u00e7o do partido, onde estavam as principais montadoras de ve\u00edculos do pa\u00eds, com demiss\u00f5es em massa e greves.<\/p>\n<p class=\"\">Na \u00e9poca, o banco Lar Brasileiro, Lar Chase, ou\u00a0<strong>Chase Manhattan<\/strong>\u00a0, suas diversas denomina\u00e7\u00f5es, estava se protegendo da crise, no Brasil e no mundo, formando \u201coficiais de cr\u00e9dito\u201d ou trainees, programa de treinamento de 10 meses (verdadeiro MBA), em cr\u00e9dito, com aulas, provas (10 com nota m\u00ednima de 7) e exclus\u00f5es (jubilamento como se diz nas universidades). Portanto, foi nessa crise que para mim surgiu a oportunidade ao ingressar, como agr\u00f4nomo, no programa de trainee do Chase, rec\u00e9m-casado, desempregado e com filho a caminho.<\/p>\n<p class=\"\">Da nossa turma de outubro de 1982, 16 trainees, tr\u00eas eram agr\u00f4nomos, e tr\u00eas trainees (nenhum agr\u00f4nomo, todos economistas) foram exclu\u00eddos por n\u00e3o conseguirem as notas m\u00ednimas. O treinamento era em ingl\u00eas com instrutores norte-americanos, exceto nosso professor de contabilidade, brasileiro, tamb\u00e9m ex-trainee do banco, mat\u00e9ria mais importante, tr\u00eas meses, visava melhorar os padr\u00f5es de cr\u00e9dito do Chase.<\/p>\n<p class=\"\">O programa era mundial, mas, no Brasil, o banco vislumbrava o\u00a0<strong>agroneg\u00f3cio<\/strong>\u00a0como verdadeira salva\u00e7\u00e3o da lavoura, onde estava abrindo novas agencias em regi\u00f5es ligadas ao campo, como, por exemplo, Dourados (MS) e Itumbiara (GO). Por isso a contrata\u00e7\u00e3o de tr\u00eas agr\u00f4nomos em cada turma de dezesseis trainees, e abertura das novas ag\u00eancias. Nessas, alocavam os novos oficiais de cr\u00e9dito, ou simplesmente analistas, no meu caso, na linda e apraz\u00edvel Goi\u00e2nia.<\/p>\n<p class=\"\">O Chase se destacou como o principal formador de profissionais de cr\u00e9dito no Brasil, e coincid\u00eancia, dos grandes bancos americanos, o \u00fanico que se salvou sozinho sem ajuda do Tio Sam, da crise 2008, tema parte desta coluna.<\/p>\n<p class=\"\">Credito a isso, seu excelente processo de gest\u00e3o de cr\u00e9dito e risco, talvez ainda heran\u00e7a daquele extraordin\u00e1rio programa de forma\u00e7\u00e3o profissional. O Citigroup, por exemplo, quase sucumbiu no in\u00edcio dos anos 90 por exposi\u00e7\u00e3o a cr\u00e9dito imobili\u00e1rio e de fato em 2008, pelo mesmo motivo, desta vez resgatado pelo governo.<\/p>\n<p class=\"\">Como atuei nas duas institui\u00e7\u00f5es por um bom tempo, para mim era fragrante a diferen\u00e7a da qualidade e dos processos de cr\u00e9dito. O Chase, claramente orientado por pol\u00edticas e processos e o Citi, por neg\u00f3cios.<\/p>\n<p class=\"\">Situa\u00e7\u00e3o no in\u00edcio da d\u00e9cada de 80 muito parecida \u00e0 atual. Crise, recess\u00e3o e o\u00a0<strong>agroneg\u00f3cio<\/strong>\u00a0carregando o Brasil, embora muitas vezes maltratado e ignorado pelos nossos governantes. Assim, revivo a mesma situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"\">Recebo muitos pedidos para comentar a atual crise, e o que fazer, tendo em vista minha jornada de quase 40 anos no mercado financeiro, 25 em cr\u00e9dito, e experi\u00eancia em pelo menos 20 crises.<\/p>\n<p class=\"\">S\u00f3 para citar algumas, o pr\u00f3prio Brasil em v\u00e1rias oportunidades (morat\u00f3ria, hiperinfla\u00e7\u00e3o, planos econ\u00f4micos frustrados etc.), Mexico, R\u00fassia, Hong Kong, colapso do banco Barings em 1995 (tendo clientes como a rainha e agora vi\u00fava Elizabeth II, devido uso de derivativos), 11 de Setembro e subprime em 15 de setembro de 2008 na quebra do tradicional banco Lehman Brothers.<\/p>\n<p class=\"\">Ali\u00e1s, o que se passou na quebra do Barings e Lehman e suas semelhan\u00e7as, ser\u00e1 tema de uma futura coluna, pois a hist\u00f3ria se repete continuamente e vivemos estas situa\u00e7\u00f5es. Mas o mercado n\u00e3o aprende. O\u00a0<strong>mercado imobili\u00e1rio<\/strong>\u00a0\u00e9 tamb\u00e9m fonte de muitas crises e quebras, especialmente no Brasil. Cuidado.<\/p>\n<p class=\"\">Dessa forma, transcrevemos nossa carta de outubro de 2008, direcionada a investidores estrangeiros como apoio \u00e0 nossa viagem de duas semanas na Europa, quando busc\u00e1vamos captar investimentos em uma \u00e9poca que se abriu uma extraordin\u00e1ria janela de oportunidade.<\/p>\n<p class=\"\">Hav\u00edamos visitado em Nova Iorque, aquele que seria nosso maior investidor, o maior fundo soberano do mundo, Norges Bank, em julho, antes mesmo da eclos\u00e3o da crise, ap\u00f3s a quebra do\u00a0<strong>banco<\/strong>\u00a0Lehman Brothers em 15 de setembro, data em que pediu fal\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"\">De fato, ao contr\u00e1rio dos demais investidores europeus, o fundo soberano nos escolheu como primeira gestora na Am\u00e9rica Latina em dezembro de 2008 e surfou uma das maiores ondas de oportunidades para investir em\u00a0<strong>bolsas de valores<\/strong>\u00a0no Brasil, notadamente na estrat\u00e9gia small caps. Embora o momento seja diferente, a causa de a crise ter origem na\u00a0<strong>covid<\/strong>\u00a0, de natureza sanit\u00e1ria, nos parece est\u00e1 aberta mais uma janela de oportunidade para investidores de longo prazo.<\/p>\n<p class=\"\">O Brasil est\u00e1 passando por per\u00edodo de\u00a0<strong>reformas econ\u00f4micas<\/strong>\u00a0, embora mais lentas e aqu\u00e9m do necess\u00e1rio ou prometidas. Mas h\u00e1 a possibilidade de o capital estrangeiro voltar, com grande for\u00e7a, como j\u00e1 ensaiou no ano passado e no in\u00edcio deste ano, abortado pelo desconforto de troca do presidente da Petrobras.<\/p>\n<p class=\"\">A volta dever\u00e1 ocorrer \u00e0 medida que as reformas sa\u00edrem do papel e os resultados das medidas econ\u00f4micas aparecerem, al\u00e9m das privatiza\u00e7\u00f5es, ainda t\u00edmidas. A\u00a0<strong>reforma da Previd\u00eancia<\/strong>\u00a0em 2019 gerou algum otimismo, mas a covid e quest\u00f5es pol\u00edticas minaram o progresso das mesmas, mas digno de nota o novo marco regulat\u00f3rio do g\u00e1s que tramitava, pasmem prezados leitores, desde 2013, foi finalmente sancionada h\u00e1 poucos dias.<\/p>\n<p class=\"\">O crescimento do\u00a0<strong>PIB<\/strong>\u00a0\u00e9 um importante catalisador para a volta do capital estrangeiro, mas as reformas e o imbr\u00f3glio pol\u00edtico est\u00e3o na mira dos investidores.<\/p>\n<h3 class=\"\">Por tr\u00e1s do p\u00e2nico, surge uma oportunidade \u2013 Outubro de 2008<\/h3>\n<p class=\"\">Crise, palavra mais ouvida ultimamente e que afeta todos que possuem investimentos no\u00a0<strong>mercado financeiro<\/strong>\u00a0. A palavra crise origina-se do grego krisis (decis\u00e3o) \/ krinein (decidir). De acordo com o Dicion\u00e1rio Aur\u00e9lio, o significado da palavra seria: \u201cestado de d\u00favida e incerteza; momento perigoso ou decisivo; ponto de transi\u00e7\u00e3o entre uma \u00e9poca de prosperidade e outra de depress\u00e3o, ou vice-versa; fase dif\u00edcil, grave, na evolu\u00e7\u00e3o das coisas, dos fatos, das ideias.\u201d Creio que todas estas defini\u00e7\u00f5es para a palavra crise se aplicam ao atual momento do mercado financeiro. \u00c9 hora de tomarmos decis\u00f5es importantes sobre nossos investimentos.<\/p>\n<p class=\"\"><em>Coment\u00e1rio atual: est\u00e1vamos num momento de crise em 2008 e, atualmente, tamb\u00e9m desde o in\u00edcio da pandemia h\u00e1 um ano, al\u00e9m das quest\u00f5es econ\u00f4micas, com infla\u00e7\u00e3o ascendente, or\u00e7amento, ru\u00eddos pol\u00edticos, troca de ministros e presidentes das tr\u00eas maiores estatais do pa\u00eds.<\/em><\/p>\n<p class=\"\">Fazendo uso da palavra crise neste texto, voltamos um pouco na hist\u00f3ria para verificar os efeitos das crises na economia do Brasil e nas bolsas de valores. Provocamos os leitores a refletirem sobre o que se passou na economia do pa\u00eds nos \u00faltimos 28 anos e pensarem a respeito de seus investimentos visando o longo prazo. \u00c9 este um momento de prote\u00e7\u00e3o ou de oportunidade de multiplica\u00e7\u00e3o? Esta \u00e9 a nossa pergunta.<\/p>\n<p class=\"\"><em>Coment\u00e1rio atual: 28 anos citado acima, na \u00f3tica de 2008 quando redigimos a Carta. Mas a pergunta permanece, mas devemos olhar o que se passou desde 2008 para hoje. Em d\u00f3lares, o \u00edndice Bovespa atingiu o pico em d\u00f3lares 30 de maio de 2008, quando alcan\u00e7ou 44.551 pontos, 75.592 nominal; em 27\/abril\/21, a bolsa alcan\u00e7ou 119.388 pontos, 21.896 convertida em d\u00f3lar pontos. Ou seja, precisa subir 103,5% para voltar ao topo hist\u00f3rico em d\u00f3lares, sob a \u00f3tica do estrangeiro.<\/em><\/p>\n<p class=\"\">Na d\u00e9cada de 70, \u00e9poca que engloba o per\u00edodo conhecido como Milagre Econ\u00f4mico (1968-1973), o Brasil apresentou taxas de crescimento compar\u00e1veis \u00e0quelas da China atual. Crescimento de 8,78% m\u00e9dio anual do PIB entre 1971 e 1980. Em 1980, a lista das dez maiores empresas negociadas na\u00a0<strong>Bovespa<\/strong>\u00a0tinha, em conjunto, valor de mercado de US$ 9,7 bilh\u00f5es, com o\u00a0<strong>Banco do Brasil<\/strong>\u00a0\u00e0 frente com US$ 2,3 bilh\u00f5es. Desta lista, faziam parte tamb\u00e9m as estatais Petrobras (2\u00aa maior, com valor de US$ 2,2 bilh\u00f5es), Eletrobras (3\u00aa), CESP (4\u00aa), CVRD (7\u00aa) e Light (9\u00aa), acompanhadas de dois bancos privados, Bradesco (5\u00aa) e Ita\u00fa (6\u00aa), e duas multinacionais ligadas ao setor de consumo, Souza Cruz (8\u00aa) e Pirelli (10\u00aa). A Brahma, atual AMBEV, era a 15\u00aa maior, com valor de mercado de US$ 170 milh\u00f5es (US$ 73 bilh\u00f5es atualmente), multiplicando seu valor em 429 vezes, acredite quem quiser, mas \u00e9 verdade.<\/p>\n<p class=\"\"><em>Coment\u00e1rio atual: a lista das dez maiores possuem valor de R$1,7 trilh\u00f5es, ou US$ 310 bilh\u00f5es. A empresa de maior valor atualmente \u00e9 a Vale, alcan\u00e7ando US$ 103 bilh\u00f5es. Entre as dez maiores por valor de mercado, tr\u00eas s\u00e3o bancos (Ita\u00fa Unibanco, Bradesco e Santander), tr\u00eas s\u00e3o empresas ligadas a commodities (Petrobras, Suzano e Vale), al\u00e9m de consumo (Ambev), holding financeira (Itausa), segmento financeiro (B3), varejo (Magazine Luiza), industrial (WEG). Ou seja, metade (5), ligadas ao setor financeiro.<\/em><\/p>\n<p class=\"\">Se considerarmos uma carteira hipot\u00e9tica, abrigando Banco do Brasil,\u00a0<strong>Petrobras<\/strong>\u00a0, CVRD,\u00a0<strong>Eletrobras<\/strong>\u00a0, Bradesco, Ita\u00fa e Souza Cruz, com 20% de aloca\u00e7\u00e3o individual para as tr\u00eas primeiras e 10% para as demais e um investimento de US$ 10 milh\u00f5es no \u00faltimo preg\u00e3o de 1980, esta carteira teria um valor atual de mercado de US$ 560 milh\u00f5es (presumindo que as a\u00e7\u00f5es encerrem o ano de 2008 ao pre\u00e7o de 30 de setembro de 2008), com ganho anual composto de 15,5% ao final de 28 anos. Se estimarmos dividendos anuais de 3% n\u00e3o reinvestidos na carteira, o ganho anual atinge 18,5% sobre a moeda norte-americana. Devemos ainda considerar que partimos de um ponto que pode ser considerado como pico, pois foi o \u00faltimo ano em que o PIB cresceu mais do que 8%.<\/p>\n<p class=\"\">Nada mal para uma\u00a0<strong>poupan\u00e7a<\/strong>\u00a0de longo prazo com vistas a uma aposentadoria. Se ajustarmos o valor do d\u00f3lar pela infla\u00e7\u00e3o norte-americana (CPI) de 154% no per\u00edodo, ou 3,4% ao ano, ainda assim ter\u00edamos um ganho bastante razo\u00e1vel, j\u00e1 ajustado pelo poder de compra daquela moeda. Individualmente, as a\u00e7\u00f5es tiveram a seguinte valoriza\u00e7\u00e3o anual em d\u00f3lar, excluindo os dividendos: CVRD 20,8%, Ita\u00fa 17,9%, Petrobras 16,9%, Bradesco 16,0%, Souza Cruz 10,4% Banco do Brasil 9,7% e Eletrobras 9,1%. Citamos ainda a AMBEV\/Brahma, com ganho anual de 20,7%. Podemos considerar ser esse um bom retorno para um pa\u00eds que passou por tantas crises, sendo que metade deste per\u00edodo antecedeu o\u00a0<strong>Plano Real<\/strong>\u00a0e a outra metade corresponde ao per\u00edodo ap\u00f3s a estabiliza\u00e7\u00e3o da economia.<\/p>\n<p class=\"\">Observando Wall Street em 1980, entre as dez maiores empresas listadas na NYSE, sete eram ligadas \u00e0 ind\u00fastria de petr\u00f3leo, acompanhadas pela IBM (com valor de US$ 40 bilh\u00f5es na \u00e9poca e US$ 160 bilh\u00f5es atualmente), ATT (3\u00aa) e G&amp;E (10\u00aa). Da d\u00e9cima primeira \u00e0 vig\u00e9sima posi\u00e7\u00e3o, encontramos mais sete empresas ligadas ao petr\u00f3leo, al\u00e9m da GM, Eastman Kodak e Union Pacific. A Exxon era a 2\u00aa maior empresa em valor de mercado, com US$ 37 bilh\u00f5es (US$ 413 bilh\u00f5es atualmente), com as 50 maiores empresas totalizando um valor de mercado de US$ 498 bilh\u00f5es. O maior banco, pelo crit\u00e9rio de valor de mercado, era o BankAmerica (\u00fanico da lista das 50 maiores empresas), ocupando a modesta 42\u00aa posi\u00e7\u00e3o, com valor de US$ 4,7 bilh\u00f5es (US$ 161 bilh\u00f5es atual). A gigante IBM representava 17% do PIB do Brasil da \u00e9poca (US$ 235 bilh\u00f5es).<\/p>\n<p class=\"\">Na NYSE, o setor petrol\u00edfero era destacado como principal, com o petr\u00f3leo negociado a US$ 32\/barril. No Brasil, os bancos, o setor el\u00e9trico, o de consumo, al\u00e9m de Petrobras e a CVRD, dominavam o mercado de acordo com o crit\u00e9rio de valor de mercado; nada muito diferente de hoje.<\/p>\n<p class=\"\"><em>Coment\u00e1rio atual: das dez maiores empresas por valor de mercado nas bolsas de valores norte americanas, cinco est\u00e3o ligadas \u00e0 tecnologia (Apple, Microsoft, Amazon, Alphabet\/Google, Facebook), complementadas por Berkshire, JP Morgan Chase, J&amp;J, Tesla e Visa. Ou seja, tr\u00eas ligadas ao setor financeiro, uma de consumo e uma mista de ind\u00fastria e tecnologia como a Tesla pode ser classificada. A maior \u00e9 a Apple, com valor de mercado de US$ 2,2 trilh\u00f5es, e a menor \u00e9 a J&amp;J, com US$ 425 bilh\u00f5es. A Apple sozinha representa 1,3x a soma das dez maiores empresas brasileiras em valor de mercado, e a J&amp;J, d\u00e9cima da lista, 1,5 vezes mais que a soma das nossas dez maiores empresas.<\/em><\/p>\n<div class=\"maislidas_container\">\n<h3>Voc\u00ea viu?<\/h3>\n<\/div>\n<p class=\"\">Em 1980, o Brasil exportava US$ 20 bilh\u00f5es e importava US$ 23 bilh\u00f5es, dos quais US$ 9,4 bilh\u00f5es relativos a petr\u00f3leo. A venda de ve\u00edculos beirava 1,2 milh\u00f5es de unidades (100 mil caminh\u00f5es) e a Petrobras produzia 180 mil barris de petr\u00f3leo por dia. Pano de fundo: Prime Rate de 21,5% nos EUA (infla\u00e7\u00e3o de 12% no varejo) e Libor de 16,4%. Em 2008, o Brasil exportar\u00e1 mais de US$ 200 bilh\u00f5es, a venda de ve\u00edculos dever\u00e1 superar 3 milh\u00f5es de unidades e a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo est\u00e1 pr\u00f3xima de 2 milh\u00f5es de barris\/dia, com o pa\u00eds se aproximando da autossufici\u00eancia. Ainda em 1980, a desvaloriza\u00e7\u00e3o do Cruzeiro, moeda da \u00e9poca, atingiu 96%, ante 110% da infla\u00e7\u00e3o medida pelo IGP-DI. Os investimentos em ORTNs (Obriga\u00e7\u00f5es Reajust\u00e1veis do Tesouro Nacional) auferiram retorno de 50%, trazendo pesadas perdas aqueles que investiram em\u00a0<strong>renda fixa<\/strong>\u00a0.<\/p>\n<p class=\"\">Mergulhamos na d\u00e9cada de 80, tamb\u00e9m conhecida como D\u00e9cada Perdida. De 1981 a 1983, o PIB caiu cumulativamente 4,2%. A infla\u00e7\u00e3o anual m\u00e9dia de 43% da d\u00e9cada de 70 (23% de m\u00e9dia nos cinco primeiros anos e 63% nos \u00faltimos cinco, com 110% em 1980) passou para 211% em 1983, ou seja, infla\u00e7\u00e3o elevada com contra\u00e7\u00e3o do PIB, mal de cunho econ\u00f4mico conhecido como estagfla\u00e7\u00e3o, que assolou o mundo no in\u00edcio da d\u00e9cada. Este cen\u00e1rio embutia ainda elevada taxa de desemprego, determinante para o fortalecimento dos movimentos sindicais na regi\u00e3o do ABC, onde se concentrava a ind\u00fastria automobil\u00edstica. Este foi o ber\u00e7o do partido pol\u00edtico PT e do presidente Lula no movimento sindical (comentado no pre\u00e2mbulo).<\/p>\n<p class=\"\">Ap\u00f3s tr\u00eas anos de recess\u00e3o na economia brasileira, em 1983 havia 506 companhias negociadas na Bovespa, com valor de mercado de US$ 26 bilh\u00f5es. Curiosamente, o \u00edndice Bovespa teve um ganho acumulado de 2.908% entre 1981 e 1983, comparado a 1.045% do IGP-DI e 993% de desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial, com o \u00edndice Bovespa proporcionando um ganho em d\u00f3lar de 175% neste per\u00edodo de recess\u00e3o e crise.<\/p>\n<p class=\"\">As ORTNs proporcionaram um retorno acumulado de apenas 673%. A produ\u00e7\u00e3o automobil\u00edstica caiu para 900 mil unidades, com destaque negativo para a produ\u00e7\u00e3o de 35 mil caminh\u00f5es, ante 102 mil em 1980, sendo este um importante term\u00f4metro do n\u00edvel de atividade econ\u00f4mica. A produ\u00e7\u00e3o de tratores caiu de 70 mil para 36 mil unidades.<\/p>\n<p class=\"\">Em 1985, houve a elei\u00e7\u00e3o indireta de Tancredo Neves para a presid\u00eancia da rep\u00fablica em disputa com Paulo Maluf. Com a morte de Tancredo Neves antes de sua posse, o vice-presidente Jos\u00e9 Sarney assumiu o governo e implantou o Plano Cruzado, em fevereiro de 1986, que naufragou nove meses depois, quando a infla\u00e7\u00e3o atingiu 7,7% no m\u00eas de dezembro, ante 6,3% acumulada de mar\u00e7o a novembro.<\/p>\n<p class=\"\">Mais uma vez, esse plano nos ensinou os efeitos da tentativa de se debelar a infla\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do controle de pre\u00e7os e n\u00e3o de suas causas, sendo a principal delas as contas p\u00fablicas desajustadas, al\u00e9m da indexa\u00e7\u00e3o geral da economia. Podemos dizer que esta foi a segunda crise da d\u00e9cada com efeito devastador em v\u00e1rias empresas que sucumbiram nos anos seguintes.<\/p>\n<p class=\"\">Apesar disso, entre 1983 e 1986, o n\u00famero de empresas negociadas na Bovespa passou de 506 para 592, com um valor de mercado que atingiu US$ 42 bilh\u00f5es. O \u00edndice Bovespa subiu 3.739% em tr\u00eas anos, comparado a 2.794% do IGP-DI, 2.137% das ORTNs e 2.431% da desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial.<\/p>\n<p class=\"\">Ap\u00f3s outras tentativas infrut\u00edferas de se controlar a infla\u00e7\u00e3o e estabilizar a economia atrav\u00e9s de planos econ\u00f4micos, como os Planos Bresser e Ver\u00e3o, tivemos a primeira elei\u00e7\u00e3o direta para presidente da rep\u00fablica ap\u00f3s o golpe militar de 1964, elegendo-se Fernando Collor de Mello em 1989, candidato filiado a um obscuro partido pol\u00edtico (PRN).<\/p>\n<p class=\"\">O novo governo implementou novas medidas econ\u00f4micas conhecidas como Plano Collor I (houve depois nova tentativa, no in\u00edcio de 1999, com o Plano Collor II), cuja maior lembran\u00e7a talvez tenha sido o confisco da poupan\u00e7a. No entanto, esse plano econ\u00f4mico teve, como m\u00e9rito, a abertura da economia para produtos importados e o in\u00edcio das privatiza\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s do Programa Nacional de Desestatiza\u00e7\u00e3o. Houve novo fracasso da pol\u00edtica econ\u00f4mica e, em 2 de outubro de 1992, o impeachment do presidente, ap\u00f3s ele ter sido acusado de corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"\">Assume ent\u00e3o o poder o vice-presidente Itamar Franco, que, em 1993, se defronta com nova crise, desta vez vinda do M\u00e9xico. Ainda sob seu governo, o ent\u00e3o ministro da Fazenda, o soci\u00f3logo Fernando Henrique Cardoso, implementou um novo plano econ\u00f4mico, o Real, desta vez bem-sucedido. O Real se tornou o principal cabo eleitoral que o levou \u00e0 presid\u00eancia da Rep\u00fablica na elei\u00e7\u00e3o de 1994.<\/p>\n<p class=\"\">Reeleito em 1998, FHC manteve-se no poder at\u00e9 2002. Entre 1994 e 2001, duas novas crises vieram tamb\u00e9m de fora, a asi\u00e1tica, em 1997, e a russa, em 1998, a que se somou os ataques terroristas de 11 de setembro, em 2001. Em janeiro de 1999, nova crise, com forte ataque contra a moeda brasileira culminando com a desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial de 30% e a ado\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio flutuante pelo Banco Central.<\/p>\n<p class=\"\">J\u00e1 estamos em 2002, e agora uma nova crise, com intensa fuga de capitais, forte desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda brasileira e economistas estrangeiros que prognosticavam a quebra do pa\u00eds. A raz\u00e3o? O temor de que o candidato\u00a0<strong>Lula<\/strong>\u00a0se elegesse como sucessor do presidente\u00a0<strong>FHC<\/strong>\u00a0.<\/p>\n<p class=\"\">Os Cavaleiros do Apocalipse quebraram a cara e, desde ent\u00e3o, o pa\u00eds vem apresentando processo gradativo de recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social, com o presidente Lula alcan\u00e7ando \u00edndices de popularidade invej\u00e1veis que o levaram \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o em 2006, culminando com duas ag\u00eancias classificadoras de risco elevando o Brasil ao t\u00e3o cobi\u00e7ado Grau de Investimento em 2008. Ponto final nesta retrospectiva de 28 anos. Passaram-se 14 anos desde o Plano Real e seus efeitos ainda repercutem na economia, com o Governo Lula mantendo os fundamentos do Plano Real, adotando, por\u00e9m, novas a\u00e7\u00f5es no sentido de melhorar a distribui\u00e7\u00e3o de renda no pa\u00eds.<\/p>\n<p class=\"\">Mas o que queremos abordar neste texto s\u00e3o os efeitos das crises e planos econ\u00f4micos fracassados sobre as empresas e as oportunidades de investimento que surgem. Pois bem, das 101 empresas que compunham o \u00edndice Bovespa em 1983, ap\u00f3s 25 anos, apenas 46 continuam listadas, sendo que algumas delas transformaram-se em conglomerados poderosos como a Gerdau (ex-Cos\u00edgua), Ambev (ex-Brahma) e Braskem (ex-Copene).<\/p>\n<p class=\"\">Algumas empresas importantes da \u00e9poca faliram, como Engesa, Mesbla, Banco Nacional, Sharp e Varig. Outras, consideradas como de \u201csegunda linha nobre\u201d, foram adquiridas e tiveram seu capital fechado, como Acesita e Belgo Mineira (Arcelor); Caemi e Samitri (CVRD); Ceval, Manah e Moinho Santista (Bunge). Outras empresas importantes tamb\u00e9m tiveram seu capital fechado, como Cimento Ita\u00fa, Ericsson, Pirelli, Vidraria Santa Marina e White Martins.<\/p>\n<p class=\"\">Mais interessante ainda \u00e9 observar que, das 20 a\u00e7\u00f5es mais negociadas na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro em 1985, ano que antecedeu o Plano Cruzado, restaram menos da metade: Vale (1.), Petrobras (2.), Paranapanema (3.), Banco do Brasil (4.), Braskem (6.), Banco Ita\u00fa (15.), Aracruz (16.), Unipar (19.) e A\u00e7os Villares (20.). Entre as dez mais negociadas, merecem destaque as falidas Sharp (5.), Varig (7.) e Trorion (10a). Se ampliarmos a rela\u00e7\u00e3o das empresas mais negociadas na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, em 1985, para 50, restou exatamente metade, 25 empresas.<\/p>\n<p class=\"\"><em>Coment\u00e1rio atual: entre 2008 e 2020, a Aracruz tornou-se parte da Suzano, a Villares foi adquirida pela Gerdau e a Paranapanema tornou-se uma small caps e em p\u00e9ssima situa\u00e7\u00e3o financeira, enquanto Braskem (antiga Copene e fus\u00e3o de v\u00e1rias empresas petroqu\u00edmicas) encontra-se \u00e0 venda e campe\u00e3 das pr\u00e1ticas contr\u00e1rias aos princ\u00edpios de ESG.<\/em><\/p>\n<p class=\"\">Ap\u00f3s sucessivos planos econ\u00f4micos objetivando a estabiliza\u00e7\u00e3o da economia e de crises de car\u00e1ter local e internacional, o que se observou foi um processo natural de depura\u00e7\u00e3o. Empresas mal geridas e protegidas por uma economia fechada ou subs\u00eddios simplesmente desapareceram.<\/p>\n<p class=\"\">Destacamos aqui o setor de inform\u00e1tica, que teve seu momento de gl\u00f3ria nos anos 80, citando alguns nomes como ABC XTAL, Edisa, Elebra, Flexdisk, Matec, Modata, Microlab, Microtec, Itautec, Polymax, Racimec e Sid Inform\u00e1tica, entre outros, restando apenas a Itautec, que contou com o suporte financeiro e comercial do Grupo Ita\u00fasa. Alguns bancos brasileiros de grande porte, como Bamerindus, Comind, Econ\u00f4mico e Nacional, e outros de menor porte, como Auxiliar, Maisonnave e Sul-Brasileiro, tamb\u00e9m sucumbiram.<\/p>\n<p class=\"\">A hist\u00f3ria e a an\u00e1lise das empresas nos ensinam que, nas crises, empresas bem geridas e com s\u00f3lida estrutura de capital foram vencedoras e aproveitaram a oportunidade para ampliar ainda mais sua presen\u00e7a no mercado.<\/p>\n<p class=\"\">Empresas mal geridas, que dependiam de subs\u00eddios ou que eram protegidas pela economia fechada, situa\u00e7\u00e3o que se manteve at\u00e9 o final dos anos 80, desapareceram. Outro exemplo \u00e9 o setor de transportes a\u00e9reos, ent\u00e3o representado pela Transbrasil, TAM, Vasp e Varig, restando apenas a TAM, que cresceu, inicialmente, ao ocupar o nicho espec\u00edfico de mercado de voos regionais, al\u00e9m de contar com a compet\u00eancia do saudoso Comandante Rolim. A incompet\u00eancia, a competi\u00e7\u00e3o nas linhas internacionais e a ingest\u00e3o do governo no setor foram fatais.<\/p>\n<p class=\"\"><em>Coment\u00e1rio atual: TAM, ou agora LATAM tamb\u00e9m sucumbiu e recorreu a concordata no exterior, cometendo os mesmos erros das quatro empresas mencionadas que faliram, deixando um rastro de preju\u00edzo aos funcion\u00e1rios, fundo de pens\u00e3o AERUS, bancos e credores em geral. Setor a\u00e9reo no Brasil \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de quando ir\u00e1 sucumbir. Extremamente vulner\u00e1vel ao c\u00e2mbio, cr\u00e9dito e competi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 no Brasil. As europeias ainda contaram e contam com suporte dos governos.<\/em><\/p>\n<p class=\"\">Remetendo ao in\u00edcio deste texto, assim como em nossa vida pessoal, \u00e9 na\u00a0<strong>crise<\/strong>\u00a0que temos que tomar as decis\u00f5es mais importantes em rela\u00e7\u00e3o aos nossos\u00a0<strong>investimentos<\/strong>\u00a0. A hist\u00f3ria e os dados aqui relatados nos ensinam que, mesmo ap\u00f3s sucessivas crises e com o Brasil tendo sua economia estabilizada apenas na metade dos \u00faltimos 28 anos, investimentos em empresas s\u00f3lidas trouxeram ganhos substanciais no longo prazo. Investimentos em momento de euforia, como aqueles feitos em empresas que recentemente abriram seu capital, em 2006 e 2007, podem ser desastrosos para o investidor incauto.<\/p>\n<p class=\"\">Essas empresas, de forma geral, foram negociadas com m\u00faltiplos de mercado muito acima de empresas tradicionais que se provaram vencedoras nas diversas crises, enquanto algumas das novatas simplesmente venderam planos de neg\u00f3cios.<\/p>\n<p class=\"\"><em>Coment\u00e1rio atual: a euforia do mercado de IPOs nos remete ao passado. IPOs com valores, ou melhor, pre\u00e7os muito acima de empresas listadas e conhecidas, sem qualquer rela\u00e7\u00e3o ao valor intr\u00ednseco e sobrevalorizando setores glamorosos, como supostas tecnol\u00f3gicas, maior parte provedores de e-commerce. Investidores incentivados por recomenda\u00e7\u00f5es generosas das corretoras ligadas a bancos de investimentos com rela\u00e7\u00f5es corporativas nas empresas levam incautos e ne\u00f3fitos a seguirem cegamente tais recomenda\u00e7\u00f5es. Este ambiente se repete sempre que o mercado perde a racionalidade, como na recente \u201conda\u201d de IPOs. Nossa li\u00e7\u00e3o, em IPO n\u00e3o existe \u201cfree lunch\u201d.<\/em><\/p>\n<p class=\"\">Sumarizando:<\/p>\n<ul>\n<li>O crescimento dos anos 70, produzido de forma artificial, deixou-nos, como legado, a maior d\u00edvida externa do mundo, duas morat\u00f3rias, o maior d\u00e9ficit em conta corrente, um dos maiores d\u00e9ficits p\u00fablicos em rela\u00e7\u00e3o ao PIB e uma das maiores infla\u00e7\u00f5es do mundo no decorrer de quase quinze anos seguintes;<\/li>\n<li>O Brasil provou no longo prazo que \u00e9 maior que a crise;<\/li>\n<li>Em cada crise surgem oportunidades de comprar ativos a pre\u00e7os atraentes;<\/li>\n<li>Ao abra\u00e7ar as oportunidades surgidas nas crises, empresas s\u00f3lidas transformaram-se em grandes conglomerados, enquanto empresas mal geridas desapareceram;<\/li>\n<li>Uma carteira de a\u00e7\u00f5es com empresas s\u00f3lidas traz retorno consistente no longo prazo;<\/li>\n<li>Movimentos de manada \u2013 venda na crise e compra na euforia \u2013, trazem resultados inversos ao esperado;<\/li>\n<li>Investimentos de renda fixa em emissores privados (bancos e empresas n\u00e3o financeiras) e em t\u00edtulos p\u00fablicos est\u00e3o sujeitos a risco de contraparte (quebra do emissor) e rendimentos abaixo da infla\u00e7\u00e3o, conforme nos ensina a hist\u00f3ria econ\u00f4mica do Brasil e a atual crise financeira nos Estados Unidos, repercutindo-se em quase todos os mercados financeiros;<\/li>\n<li>O Brasil possui estabilidade pol\u00edtica e condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas favor\u00e1veis jamais vistas na hist\u00f3ria recente, apesar de uma das maiores taxas de juros reais do mundo. O pa\u00eds caminha ainda num processo gradativo de melhora na distribui\u00e7\u00e3o de renda, possui autossufici\u00eancia energ\u00e9tica e \u00e9 um dos poucos pa\u00edses com possibilidade de aumentar a oferta de alimentos e biocombust\u00edveis, sem falar do potencial da ind\u00fastria petrol\u00edfera. Ainda temos, no entanto, in\u00fameros problemas e defici\u00eancias. O momento \u00e9 de crise financeira mundial, mas acreditamos que surge mais uma janela de oportunidades de se ganhar com a crise e cabe a cada um de n\u00f3s tomar as decis\u00f5es.<\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"\"><em>Coment\u00e1rio atual: a racionalidade econ\u00f4mica que acompanhou o Brasil at\u00e9 cerca de 2011 foi substitu\u00edda pela \u201cNova Matriz Econ\u00f4mica\u201d, plantada quando Dilma Rousseff e Guido Mantega tornaram-se ministros durante o governo Lula, mas que frutificou ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o de Dilma \u00e0 presid\u00eancia, em 2011, e que deixou um legado de grandes problemas macroecon\u00f4micos e de desequil\u00edbrio nas contas p\u00fablicas. Na d\u00e9cada que come\u00e7ou em 2010, o crescimento m\u00e9dio do PIB foi de apenas 1,39%, o pior desde 1990. O atual governo, principalmente atrav\u00e9s do ministro Guedes, busca corrigir o desconcerto causado pela falta de reformas econ\u00f4micas de vulto desde 2011, mas o progresso \u00e9 moroso, e de certa forma amarrado por interesses pol\u00edticos contr\u00e1rios como observado quando Rodrigo Maia estava a frente da C\u00e2mara dos Deputados, e obviamente a oposi\u00e7\u00e3o. O momento atual \u00e9 de crise, mas a janela de oportunidade est\u00e1. Esperamos que os frutos de reformas, e que estas se acelerem, reestabele\u00e7am o potencial de crescimento do Brasil. As reformas, no entanto, n\u00e3o est\u00e3o apenas sob o comando do ministro Guedes, mas devem passar pelo crivo Legislativo e pelo Judici\u00e1rio, exemplificando que, no estado de direito, o Executivo n\u00e3o pode tudo, devendo apreender a navegar pela pol\u00edtica brasileira. Ao lado das reformas, como tribut\u00e1ria e administrativa, as privatiza\u00e7\u00f5es como em infraestrutura e talvez Eletrobras, al\u00e9m de um novo marco regulat\u00f3rio no setor el\u00e9trico, como observado no g\u00e1s natural, removam gargalos que embutem o Custo Brasil, caso contr\u00e1rio, o pa\u00eds jamais atingir\u00e1 o crescimento desejado e o potencial existente.<\/em><\/p>\n<h3>SPQR (Sen\u0101tus Populusque R\u014dm\u0101nus)<\/h3>\n<p>Se me permitem uma analogia, um dos melhores livros que li nos \u00faltimos anos tem o t\u00edtulo SPQR \u2013 da historiadora Mary Beard, professora em Cambridge (mesma universidade de Keynes) \u2013, que muito agradavelmente nos conta a hist\u00f3ria de Roma. SPQR (Sen\u0101tus Populusque R\u014dm\u0101nus) significa \u201cO Senado e o Povo de Roma\u201d, frase que Beard representa o poder do povo para o povo, ideia que inspirou quase todas as na\u00e7\u00f5es do mundo. No Brasil, os tr\u00eas poderes possuem a chave para a transforma\u00e7\u00e3o. No campo econ\u00f4mico, o poder Executivo decifrou a fechadura e desenhou a chave. O Legislativo dever\u00e1 autorizar a introdu\u00e7\u00e3o da chave na fechadura e, o Judici\u00e1rio, fiscalizar o correto uso. Podemos chamar, por analogia, este momento como TPPB \u2013 Tr\u00eas Poderes e o Povo Brasileiro.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"infocoweb_rodape\" class=\"infocoweb_rodape\">Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/economia.ig.com.br\/colunas\/werner-roger\/2021-04-28\/como-o-momento-atual-se-compara-a-crise-de-2008.html#73\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">IG ECONOMIA<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como j\u00e1 contei algumas vezes sobre a hist\u00f3ria da minha vida profissional, sou uma combina\u00e7\u00e3o &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":36828,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59,56],"tags":[],"class_list":["post-36827","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-mundo"],"wps_subtitle":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36827","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36827"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36827\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":36830,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36827\/revisions\/36830"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/36828"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36827"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36827"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36827"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}