{"id":46575,"date":"2021-09-23T15:50:23","date_gmt":"2021-09-23T19:50:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/?p=46575"},"modified":"2021-09-23T15:50:23","modified_gmt":"2021-09-23T19:50:23","slug":"o-impacto-dos-movimentos-nacional-e-global-nos-investimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/o-impacto-dos-movimentos-nacional-e-global-nos-investimentos\/","title":{"rendered":"O impacto dos movimentos nacional e global nos investimentos"},"content":{"rendered":"<div id=\"infocoweb_corpo\" class=\"infocoweb_corpo\">\n<div class=\"Noticia_Foto\">\n<figure class=\"foto-legenda\"><figcaption class=\"foto-legenda-citacao\">\n<div class=\"foto-legenda-citacao-text\">Werner Roger, s\u00f3cio-fundador da Tr\u00edgono Capital<\/div>\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p class=\"\">No mercado financeiro, existem in\u00fameros fatores internos e acontecimentos internacionais que\u00a0afetam diretamente pap\u00e9is e t\u00edtulos de investimentos e que podem influenciar uma alta ou uma\u00a0desvaloriza\u00e7\u00e3o repentina, desde as decis\u00f5es econ\u00f4micas at\u00e9 as a\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas. Tudo est\u00e1\u00a0interconectado globalmente, especialmente no sistema financeiro. A teoria defendida pelo matem\u00e1tico e meteorologista Edward Lorenz, em 1917, mostra que a estreita correla\u00e7\u00e3o de pequenas\u00a0altera\u00e7\u00f5es no sistema podem provocar mudan\u00e7as dr\u00e1sticas bem longe dali, seja no clima ou na Bolsa\u00a0de Valores. Ele afirmou que o bater de asas de uma borboleta na Calif\u00f3rnia pode causar um tornado na Austr\u00e1lia amanh\u00e3; tal fen\u00f4meno ficou conhecido como \u201cEfeito Borboleta\u201d, cada vez mais not\u00e1vel\u00a0no mundo atual. Portanto, quem tem investimentos no Brasil precisa fazer a leitura constante dos\u00a0cen\u00e1rios nacionais e al\u00e9m das nossas fronteiras para passar pelos ventos que trazem riscos e,\u00a0sobretudo, reconhecer e otimizar oportunidades.<\/p>\n<p>Para entendermos melhor essa interconex\u00e3o dos elementos, tracei um painel de diversos fatores que\u00a0trazem riscos e oportunidades e t\u00eam impactado o mercado e, consequentemente, os investimentos.\u00a0No cen\u00e1rio nacional, temos diversas quest\u00f5es, entre elas, a crise energ\u00e9tica. A situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o \u00e9\u00a0dramaticamente pior porque o Brasil sofreu um duro golpe (de novo, sem trocadilho) da recess\u00e3o de\u00a02020, causada pela pandemia da Covid, reduzindo a atividade econ\u00f4mica. Muitos atribuem esta culpa\u00a0\u00e0 S\u00e3o Pedro, que, claro, nada tem a ver com a situa\u00e7\u00e3o \u2013 nem aqui nem na China e Europa,\u00a0notadamente Reino Unido que sofrem tamb\u00e9m com problemas id\u00eanticos, al\u00e9m do forte aumento do\u00a0pre\u00e7o do g\u00e1s e carv\u00e3o, e ano que vem quando a Alemanha desativa seus retores nucleares. Outros\u00a0atribuem a culpa ao atual governo.<\/p>\n<p>Quando se fala em culpa de governo, \u00e9 preciso voltar aos governos Temer e Dilma para encontrar\u00a0investimentos n\u00e3o realizados ou aprovados. O que dizer dos investimentos p\u00edfios, como em usinas em\u00a0regimes de fio d\u2019\u00e1gua, como Santo Antonio, Jirau e Monte Belo \u2013 em comum, todas elas t\u00eam as\u00a0distintivas caracter\u00edsticas de ficarem na regi\u00e3o Norte \u2013 distantes, portanto, dos centros de consumo \u2013\u00a0e de serem um enorme desperd\u00edcio de capital e efetividade. Julgo que a atual crise resulta de uma\u00a0combina\u00e7\u00e3o de fatores. Entre eles, a falta de investimento em novas hidrel\u00e9tricas de acumula\u00e7\u00e3o, e\u00a0em energia mais limpa e \u00fanica que possui enormes baterias nos reservat\u00f3rios. \u00c9 importante entender que investimentos em gera\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica no Brasil s\u00e3o extremamente\u00a0regulados, com muitas limita\u00e7\u00f5es ambientais. O prazo t\u00edpico \u00e9 de 3 a 5 anos, desde a fase inicial at\u00e9 o\u00a0comissionamento dos projetos.<\/p>\n<p>A crise tamb\u00e9m pode ser atribu\u00edda \u00e0 car\u00eancia de investimentos em t\u00e9rmicas intermitentes a g\u00e1s, devido \u00e0 procrastina\u00e7\u00e3o da aprova\u00e7\u00e3o da nova Lei do G\u00e1s e ao enorme desperd\u00edcio econ\u00f4mico de n\u00e3o\u00a0monetiza\u00e7\u00e3o do g\u00e1s do pr\u00e9-sal (a Petrobras sofre de um desinteresse at\u00e1vico em faz\u00ea-lo). Al\u00e9m da presen\u00e7a dos governos federal e estaduais em empresas do setor el\u00e9trico e dos investimentos que poderiam ser executados pelo setor privado e ficam, assim, inviabilizados.<\/p>\n<p>E talvez a maior causa da crise el\u00e9trica brasileira seja a MP (Medida Provis\u00f3ria) 579, de Dilma Rousseff. Em 7 de setembro de 2012 (quem diria\u2026, que data), a ent\u00e3o presidente anunciou uma\u00a0redu\u00e7\u00e3o de 20% nas tarifas de energia para o povo brasileiro. Estima-se preju\u00edzo entre R$ 111 bilh\u00f5es\u00a0(c\u00e1lculo do Centro Brasileiro de Infraestrutura) e R$ 160 bilh\u00f5es (Instituto Ilumina) para o setor. Os\u00a0resultados colhemos agora. A MP 579 for\u00e7ou a edi\u00e7\u00e3o de mais de 40 medidas posteriores, na\u00a0expectativa de consertar o estrago que causou. Para nem falar dos mais de R$ 50 bilh\u00f5es em\u00a0indeniza\u00e7\u00f5es, do socorro financeiro \u00e0s empresas e da perda de valor de mercado destas. Foi uma\u00a0verdadeira bomba de Hiroshima no setor, me desculpe nossos queridos irm\u00e3os japoneses.<\/p>\n<p>O \u00faltimo m\u00eas e o come\u00e7o de setembro t\u00eam sido dif\u00edceis para a bolsa brasileira \u2013 em particular, para as\u00a0a\u00e7\u00f5es de menor liquidez. Curiosamente, o investidor estrangeiro aportou R$ 7,35 bilh\u00f5es no m\u00eas, em\u00a0marcada contraposi\u00e7\u00e3o aos investidores locais, notadamente institucionais, que reduziram a aloca\u00e7\u00e3o em renda vari\u00e1vel em favor da renda fixa. As empresas aceleraram as recompras das pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es\u00a0para tesouraria, talvez j\u00e1 se antecipando \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o dos dividendos, com poss\u00edvel cancelamento\u00a0destas a\u00e7\u00f5es (com isso, aumentam os dividendos por a\u00e7\u00e3o e\/ou por considerarem os pre\u00e7os delas bastante descontados). Fundos multimercados tamb\u00e9m diminu\u00edram a exposi\u00e7\u00e3o em renda vari\u00e1vel,\u00a0encerrando posi\u00e7\u00f5es com preju\u00edzo \u2013 movimento conhecido como stop loss. Perdas em diversos\u00a0segmentos como c\u00e2mbio e taxa de juros levaram tais fundos a reduzirem suas posi\u00e7\u00f5es de maior\u00a0volatilidade e risco, como a renda vari\u00e1vel.<\/p>\n<p>Essa combina\u00e7\u00e3o, de diminui\u00e7\u00e3o do apetite das pessoas f\u00edsica e institucional por risco e maior for\u00e7a do\u00a0estrangeiro, tem contribu\u00eddo para o melhor desempenho das empresas mais l\u00edquidas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s\u00a0small caps. Em agosto, o IBOV caiu 2,5%, ante 3,8% do \u00edndice SMLL, mas curiosamente o IDIV (relacionado a empresas consideradas boas pagadoras de dividendos) caiu apenas 0,5%. Talvez o\u00a0mercado espere uma forte antecipa\u00e7\u00e3o de dividendos neste ano, inclusive com uso de lucros\u00a0acumulados, e j\u00e1 se antecipa no posicionamento destas empresas. Sobre os fundos de investimentos em a\u00e7\u00f5es, \u00e9 bom lembrar, que continuam isentos na tributa\u00e7\u00e3o dos dividendos e dever\u00e3o ser\u00a0especialmente favorecidos pela reforma tribut\u00e1ria. Esse \u00e9 um t\u00edpico fen\u00f4meno de mercado, quando\u00a0investidores buscam a\u00e7\u00f5es de maior liquidez que permitem trocas r\u00e1pidas de posi\u00e7\u00e3o ou mesmo\u00a0realiza\u00e7\u00e3o de lucros.<\/p>\n<p>O CAGED segue apresentando dados superiores \u00e0s expectativas, com a cria\u00e7\u00e3o de 316 mil empregos\u00a0com carteira assinada em julho e 1,8 milh\u00e3o no ano. A taxa de c\u00e2mbio apresentou elevada\u00a0volatilidade em agosto, mas no final do m\u00eas de agosto a valoriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar foi de apenas 0,42%. Em\u00a0determinado momento do m\u00eas, a valoriza\u00e7\u00e3o chegou a 6%. J\u00e1 a curva de juros segue longa e\u00a0inclinando para cima, chegando a ultrapassar 10% nos prazos mais longos \u2013 reflexo de incertezas e\u00a0stress de natureza pol\u00edtica, al\u00e9m de preocupa\u00e7\u00f5es com quest\u00f5es fiscais. Enquanto a taxa Selic\u00a0continuar abaixo de dois d\u00edgitos (5,25% hoje), \u00e9 poss\u00edvel que o cen\u00e1rio de cr\u00e9dito brasileiro continue\u00a0saud\u00e1vel para um crescimento mais acelerado.<\/p>\n<p>Boa parte da press\u00e3o inflacion\u00e1ria se deve a fatores extraordin\u00e1rios, como o pre\u00e7o das commodities e\u00a0da energia, n\u00e3o se justificando assim guinadas muito radicais dos juros para cima. Por\u00e9m, o c\u00e2mbio \u00e9\u00a0determinante, e dependemos da pol\u00edtica monet\u00e1ria de outros pa\u00edses para que haja equival\u00eancia de risco e juro real entre os diferentes mercados de d\u00edvida soberana. Por enquanto, a manuten\u00e7\u00e3o dos\u00a0juros pelos principais bancos centrais favorece a manuten\u00e7\u00e3o da taxa de c\u00e2mbio no atual patamar (de\u00a0R$ 5,00 a R$ 5,30), amortecendo maiores impactos na infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um setor em alta \u00e9 o de agroneg\u00f3cio, com destaque para empresas de a\u00e7\u00facar e etanol, manufatura\u00a0de silos e armaz\u00e9ns e produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria (cana de a\u00e7\u00facar, soja, milho, algod\u00e3o, gado e feij\u00e3o, e\u00a0venda de propriedades maduras). Todos os segmentos est\u00e3o indo muito bem e com perspectivas cada vez mais animadoras. Nas commodities agr\u00edcolas, seca e geada no Brasil j\u00e1 v\u00eam causando grandes\u00a0impactos nos pre\u00e7os de caf\u00e9, a\u00e7\u00facar e at\u00e9 milho. Nesse sentido, \u00e9 interessante o foco em empresas\u00a0ligadas ao agroneg\u00f3cio \u2013 o impacto positivo nos pre\u00e7os compensa eventual perda na produ\u00e7\u00e3o.\u00a0Mesmo com uma normaliza\u00e7\u00e3o do clima, estoques baixos em todo o mundo e fen\u00f4menos clim\u00e1ticos\u00a0adversos fazem projetar a manuten\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os das commodities agr\u00edcolas em n\u00edveis elevados e\u00a0favor\u00e1veis. O questionamento de que o pr\u00f3prio clima brasileiro tenha mudado de forma mais\u00a0duradoura tamb\u00e9m \u00e9 v\u00e1lido, j\u00e1 que na \u00faltima d\u00e9cada a situa\u00e7\u00e3o h\u00eddrica no Sudeste\/Sul tem ficado\u00a0cada vez pior. De forma que, apesar da normaliza\u00e7\u00e3o ser esperada, talvez as secas sejam mais\u00a0recorrentes a partir de agora.<\/p>\n<p>No setor de Minera\u00e7\u00e3o e Metalurgia, o nicho de ferro-ligas (segmento que a nossa gestora Tr\u00edgono\u00a0Capital est\u00e1 investida) segue movimento inverso ao do min\u00e9rio de ferro. Talvez o mercado confunda\u00a0ferro-ligas e ferro: aquelas entram na composi\u00e7\u00e3o de produtos siderurg\u00edcos e metal\u00fargicos (a\u00e7o carbono, a\u00e7o inox, fundi\u00e7\u00f5es, alum\u00ednio, placas fotovoltaicas, semicondutores \u2013 a lista \u00e9 longa).\u00a0Ferroligas combinam metais que conferem diferentes propriedade f\u00edsicas e qu\u00edmicas aos produtos.\u00a0Mas s\u00e3o produtos eletrointensivos no processo industrial, e sua produ\u00e7\u00e3o utiliza carv\u00e3o ou coque na chamada redu\u00e7\u00e3o dos metais \u2013 a retirar do oxig\u00eanio (O) dos minerais (como, por exemplo, a hematita\u00a0ou min\u00e9rio de ferro) na forma de \u00f3xidos.<\/p>\n<div>\n<aside class=\"leiaTambem-container\">\n<h3>Leia tamb\u00e9m<\/h3>\n<ul>\n<li><a title=\"Os Jogos Ol\u00edmpicos s\u00e3o uma caixinha de surpresas, os investimentos tamb\u00e9m\" href=\"https:\/\/economia.ig.com.br\/colunas\/werner-roger\/2021-08-16\/os-jogos-olimpicos-sao-uma-caixinha-de-surpresas--os-investimentos-tambem.html\" target=\"_self\" rel=\"noopener\">Os Jogos Ol\u00edmpicos s\u00e3o uma caixinha de surpresas, os investimentos tamb\u00e9m<\/a><\/li>\n<li><a title=\"Tamanho n\u00e3o \u00e9 documento? Small is Beautiful!\" href=\"https:\/\/economia.ig.com.br\/colunas\/werner-roger\/2021-07-19\/tamanho-nao-e-documento--small-is-beautiful.html\" target=\"_self\" rel=\"noopener\">Tamanho n\u00e3o \u00e9 documento? Small is Beautiful!<\/a><\/li>\n<li><a title=\"Quem planta, colhe. Quem guarda, tem. A paci\u00eancia \u00e9 a fonte da recompensa\" href=\"https:\/\/economia.ig.com.br\/colunas\/werner-roger\/2021-05-26\/quem-planta--colhe-quem-guarda--tem-a-paciencia-e-a-fonte-da-recompensa.html\" target=\"_self\" rel=\"noopener\">Quem planta, colhe. Quem guarda, tem. A paci\u00eancia \u00e9 a fonte da recompensa<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/aside>\n<\/div>\n<p class=\"\">Nesse processo, carbono e oxig\u00eanio s\u00e3o quimicamente combinados \u2013 formam o CO2, que, liberado na\u00a0atmosfera, gera o efeito estufa. Na produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7o e metais, o processo se repete: ferroligas e\u00a0fontes de carbono s\u00e3o submetidas a uma nova redu\u00e7\u00e3o, trazendo propriedades essenciais de minerais como mangan\u00eas, cromo, niquel, ni\u00f3bio, sil\u00edcio, tit\u00e2nio, molibid\u00eanio e outros. A China busca reduzir as\u00a0emiss\u00f5es de CO2 na atmosfera por meio da descarboniza\u00e7\u00e3o: foram impostas restri\u00e7\u00f5es \u00e0 produ\u00e7\u00e3o\u00a0de elementos que geram CO2 \u2013 especialmente ferroligas, notadamente o ferro-silicio (FeSi75%), por\u00a0sua natureza eletrointensiva (60% da energia el\u00e9trica produzida na China \u00e9 gerada por t\u00e9rmicas a\u00a0carv\u00e3o). Tal imposi\u00e7\u00e3o fez com que a demanda da China por min\u00e9rio de ferro diminuiu, e restringindo\u00a0a produ\u00e7ao de ferroligas. E vejam s\u00f3, o maior produtor chin\u00eas de uma liga espec\u00edfica, ferro-cromo,\u00a0est\u00e1 buscando comprar 30.000 ton da liga para cumprir contrato de venda. Tal liga acaba de ter seu\u00a0pre\u00e7o reajustado em 15% na Europa, pre\u00e7o v\u00e1lido at\u00e9 o final do ano, e outra liga importante, ferro-sil\u00edcio 75% (FeSi75%) teve um aunento de pre\u00e7os de nada menos que 50% desde julho na China, trilhando caminho inverso ao min\u00e9rio de ferro.<\/p>\n<p>Acontece que a China \u00e9 o maior produtor mundial de ferroligas e isso teve um forte impacto, levando\u00a0desequil\u00edbrio ao mercado devido \u00e0 forte redu\u00e7\u00e3o na oferta. O min\u00e9rio pode ser substituido em parte\u00a0por sucata, mas o a\u00e7o que a China deixar de produzir e exportar ser\u00e1 produzido em outras regi\u00f5es, que demandar\u00e1 ferroligas. Mas n\u00e3o encontrar\u00e1 o suprimento da China. A sucata acompanha de certa\u00a0forma o pre\u00e7o do min\u00e9rio de ferro e ferro gusa (min\u00e9rio de ferro j\u00e1 reduzido). Sendo assim, em um\u00a0ano o pre\u00e7o do FeSi75% saltou de US$ 900 por tonelada para mais de US$ 2.200\/t (com previs\u00f5es de atingir US$ 3.000\/t). Os pre\u00e7os do ferro-cromo (FeCr), utilizado na produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7o inoxid\u00e1vel,\u00a0subiram entre 60% e 80%, a depender do mercado (regi\u00e3o) ou do tipo do produto (segundo seu teor,\u00a0como alto ou baixo, de carbono), j\u00e1 considerando o novo pre\u00e7o europeu a partir de outubro.<\/p>\n<p>\u00c9 neste nicho que temos investido atrav\u00e9s da Tr\u00edgono Capital. Um setor com \u00f3timas oportunidades,\u00a0pois quem investe no ramo est\u00e1 indiretamente posicionado na descarboniza\u00e7\u00e3o da China e de certa\u00a0forma contr\u00e1rio \u00e0 queda do min\u00e9rio de ferro (que favorece a queda no pre\u00e7o da sucata, mat\u00e9ria- prima de algumas empresas investidas que atuam em fundidos de ferro). Os pre\u00e7os do carv\u00e3o\u00a0energ\u00e9tico e metal\u00fargico e g\u00e1s dispararam entre 40% e 80%, com impactos nos custos e energia em\u00a0todo o mundo. No Brasil usamos muito pouco carv\u00e3o energ\u00e9tico, por aqui, prevalece a energia\u00a0renov\u00e1vel e limpa \u2013 e, no caso de ferroligas de sil\u00edcio, usamos ainda biorredutores, neutros na\u00a0emiss\u00e3o de CO2 e que imp\u00f5em custos significativamente menores em rela\u00e7\u00e3o aos demais principais\u00a0produtores.<\/p>\n<h3>Cen\u00e1rio Internacional<\/h3>\n<p>De olho no mercado exterior \u00e9 poss\u00edvel perceber que a pol\u00edtica monet\u00e1ria dos bancos centrais dos\u00a0pa\u00edses desenvolvidos permanece expansiva: com inje\u00e7\u00f5es de liquidez. N\u00e3o s\u00f3 agora, mas desde a crise\u00a0de 2008, \u00e9 vis\u00edvel a dificuldade do FED (banco central americano) de realizar um tapering (diminui\u00e7\u00e3o\u00a0e eventual parada na inje\u00e7\u00e3o de liquidez) para os programas de QE (quantitative easing \u2013 ou\u00a0est\u00edmulos monet\u00e1rios para impulsionar a economia). Seja levado por um fato ex\u00f3geno (o advento da\u00a0pandemia, por exemplo) ou por stress no mercado, o FED sempre retoma o QE ap\u00f3s breves per\u00edodos\u00a0de tapering. Dado que n\u00e3o consegue parar de injetar est\u00edmulos durante um intervalo mais longo, ficando cada vez mais dif\u00edcil reduzir de forma sustent\u00e1vel a atua\u00e7\u00e3o do FED \u2013 que se torna assim cada vez maior e em ritmo mais acelerado.<\/p>\n<p>Sendo esse o \u201cnovo normal\u201d, sempre houve entre economistas o questionamento a respeito da\u00a0infla\u00e7\u00e3o, sua perman\u00eancia e vigor. Com os grandes motores de defla\u00e7\u00e3o \u2013 industrializa\u00e7\u00e3o asi\u00e1tica,\u00a0robotiza\u00e7\u00e3o, tecnologia, ganhos de produtividade, automa\u00e7\u00e3o e diminui\u00e7\u00e3o do crescimento populacional \u2013 em a\u00e7\u00e3o, a economia mundial apresentou infla\u00e7\u00e3o relativamente comportada \u2013\u00a0exce\u00e7\u00e3o feita \u00e0 pandemia, por fatores at\u00edpicos e aparentemente transit\u00f3rios. Isso levou a maior parte\u00a0dos BCs a se preocuparem mais em estimular a economia e gerar empregos do que combater a infla\u00e7\u00e3o, supostamente de natureza moment\u00e2nea. Mas j\u00e1 h\u00e1 quem suspeite que desta vez ser\u00e1 diferente.<\/p>\n<p>Crises de oferta em diversos mercados acordaram uma infla\u00e7\u00e3o adormecida h\u00e1 anos, por efeito de\u00a0eventos clim\u00e1ticos (secas, principalmente), decis\u00f5es governamentais (e a\u00ed as novas metas do Estado\u00a0chin\u00eas t\u00eam grande peso), problemas log\u00edsticos, de insumos (falta de navios, cont\u00eaineres e chips) e falta de investimento em setores importantes (em grande parte relacionadas ao aumento do ritmo de\u00a0descarboniza\u00e7\u00e3o). A r\u00e1pida recupera\u00e7\u00e3o da economia depois de um per\u00edodo em que diversas\u00a0ind\u00fastrias se preparam para o pior, cortando custos e reduzindo os investimentos, causou um efeito cascata inflacion\u00e1rio na economia e de escassez energ\u00e9tica e de componentes (semicondutores, por\u00a0exemplo).<\/p>\n<p>Sobre energia, em particular, os pre\u00e7os de praticamente todas as commodities energ\u00e9ticas est\u00e3o\u00a0disparando \u2013 destaque para g\u00e1s natural e carv\u00e3o (energ\u00e9tico e metal\u00fargico), em patamares sem precedentes. Combinada \u00e0 nova dire\u00e7\u00e3o da economia chinesa, de diminuir a \u201cvelha economia\u201d\u00a0poluidora e eletrointensiva, os pre\u00e7os de produtos como ferroligas e alum\u00ednio t\u00eam tido grandes\u00a0aumentos (pela menor produ\u00e7\u00e3o e oferta), enquanto o pre\u00e7o do min\u00e9rio de ferro derrapa (caiu j\u00e1\u00a0mais de 40%) devido \u00e0 determina\u00e7\u00e3o do governo chin\u00eas em moderar a produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7o (de olho em\u00a0minimizar o efeito estufa).Tudo indica que a conjuntura de investimentos menores em minera\u00e7\u00e3o de\u00a0carv\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s seja permanente a partir desta d\u00e9cada. Isso poder\u00e1 fazer com que os pre\u00e7os elevados para tais commodities energ\u00e9ticas se sustentem \u2013 bem como a press\u00e3o de\u00a0custos para empresas e pa\u00edses que utilizam tais insumos. O pr\u00f3prio governo chin\u00eas declarou na ONU\u00a0que n\u00e3o mais financiar\u00e1 t\u00e9rmicas a carv\u00e3o fora da China, mas nada disse sobre o seu pr\u00f3prio pa\u00eds pela\u00a0crescente necessidade de energia para saciar o apetite do drag\u00e3o e necessidade de crescimento\u00a0chin\u00eas.<\/p>\n<p>Conhecer as nuances do mercado e quais os setores ideais para se investir \u00e9 essencial para quem\u00a0busca uma trajet\u00f3ria de sucesso e bons retornos a longo prazo em tempos nebulosos. Cada\u00a0movimenta\u00e7\u00e3o seja pol\u00edtica, social ou econ\u00f4mica impacta o mundo dos investimentos. Por isso, se\u00a0voc\u00ea quer ter resultados melhores do que a maioria das pessoas, fa\u00e7a as coisas de forma diferente da\u00a0maioria. Analise bem o mercado, tome decis\u00f5es a partir de informa\u00e7\u00f5es consistentes e fa\u00e7a escolhas\u00a0criteriosas.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"infocoweb_rodape\" class=\"infocoweb_rodape\">Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/economia.ig.com.br\/colunas\/werner-roger\/2021-09-23\/impactos-movimentos-globais-nacionais-investimentos.html#73\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">IG ECONOMIA<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Werner Roger, s\u00f3cio-fundador da Tr\u00edgono Capital No mercado financeiro, existem in\u00fameros fatores internos e acontecimentos &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":46576,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52,59],"tags":[],"class_list":["post-46575","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","category-destaque"],"wps_subtitle":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46575","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=46575"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46575\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":46577,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46575\/revisions\/46577"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/46576"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=46575"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=46575"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=46575"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}