{"id":49032,"date":"2021-10-31T10:13:56","date_gmt":"2021-10-31T14:13:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/?p=49032"},"modified":"2021-10-31T10:13:56","modified_gmt":"2021-10-31T14:13:56","slug":"cobranca-por-metas-ambiciosas-e-dinheiro-deve-marcar-cop26","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/cobranca-por-metas-ambiciosas-e-dinheiro-deve-marcar-cop26\/","title":{"rendered":"Cobran\u00e7a por metas ambiciosas e dinheiro deve marcar COP26"},"content":{"rendered":"<p>Chefes de Estado e representantes de mais de 190 pa\u00edses se re\u00fanem neste domingo, 31, at\u00e9 o dia 12 de novembro em Glasgow, na Esc\u00f3cia, para discutir os compromissos firmados para reduzir a emiss\u00e3o de gases do efeito estufa e frear o aquecimento global.<\/p>\n<p>O\u00a0<a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/tag\/cop26\/\"><strong>encontro \u00e9 a 26\u00aa Confer\u00eancia das Partes da Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima (COP26)<\/strong><\/a>\u00a0e ocorre sob o alerta de pesquisadores e ambientalistas de que as metas propostas para enfrentar o problema precisam ser mais ambiciosas para evitar consequ\u00eancias mais extremas das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Para a\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/tag\/onu\/\">Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU)<\/a><\/strong>, as conclus\u00f5es do \u00faltimo relat\u00f3rio do\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/programas\/informacao\/mercado-e-cia\/relatorio-sobre-clima-e-alerta-vermelho-ao-mundo-aponta-onu\/\">Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC, na sigla em ingl\u00eas)<\/a><\/strong>, divulgado em agosto, devem servir de alerta vermelho sobre o uso de energias f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>Elaborado por 234 autores de 66 pa\u00edses, o estudo mostrou que, nos \u00faltimos 50 anos, a influ\u00eancia humana levou o planeta \u00e0 trajet\u00f3ria de aquecimento mais r\u00e1pida em 2 mil anos e j\u00e1 produziu uma temperatura m\u00e9dia que supera o per\u00edodo pr\u00e9-industrial em mais de 1 grau Celsius (\u00b0C). As consequ\u00eancias dessa varia\u00e7\u00e3o m\u00e9dia incluem a maior frequ\u00eancia de eventos extremos como ondas de calor e frio intensos, inc\u00eandios, temporais e ciclones.<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as j\u00e1 provocadas no ambiente desafiam o principal compromisso internacional para conter o aquecimento global, o\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/tag\/acordo-de-paris\/\">Acordo de Paris<\/a><\/strong>, que prev\u00ea desde 2015 que o aumento da temperatura at\u00e9 2100 deve ser limitado a 1,5\u00b0C.<\/p>\n<p>Integrante da equipe de especialistas respons\u00e1vel pelo IPCC, a\u00a0<strong>vice-diretora do Instituto Alberto Luiz Coimbra de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe\/UFRJ), Suzana Kahn<\/strong>, explica que, mesmo quando as emiss\u00f5es forem reduzidas, levar\u00e1 d\u00e9cadas para que a temperatura do planeta comece a baixar, o que torna os pr\u00f3ximos anos essenciais para atingir a meta em 2100.<\/p>\n<p>\u201cSe a gente est\u00e1 falando desse aumento de temperatura de 1,5 a 2 graus at\u00e9 2100, 1 grau j\u00e1 foi\u201d, alerta ela. \u201cA mudan\u00e7a da temperatura \u00e9 um dos indicadores, mas tamb\u00e9m a mudan\u00e7a do regime de chuvas, a desertifica\u00e7\u00e3o em algumas \u00e1reas, o degelo de geleiras, a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar, a mudan\u00e7a nas correntes mar\u00edtimas. S\u00e3o v\u00e1rios problemas que est\u00e3o acontecendo e que assustam as pessoas. Isso torna a quest\u00e3o mais presente para a popula\u00e7\u00e3o\u201d, diz.<\/p>\n<h3>Metas ambiciosas<\/h3>\n<p>Segundo o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), os compromissos anunciados at\u00e9 o momento pelos pa\u00edses para 2030 s\u00e3o insuficientes e apontam para um mundo 2,7 graus mais quente em 2100.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio Lacuna de Emiss\u00f5es 2021, publicado pelo \u00f3rg\u00e3o na \u00faltima semana semana, destacou que seria preciso reduzir as emiss\u00f5es em 55% do que j\u00e1 est\u00e1 previsto nos compromissos nacionais para ajustar a rota em dire\u00e7\u00e3o ao aquecimento limite de 1,5 grau.<\/p>\n<h3><strong>Pa\u00edses<\/strong><\/h3>\n<p>Os pesquisadores mostram que\u00a0<strong>Argentina, Canad\u00e1, Uni\u00e3o Europeia, \u00c1frica do Sul, Reino Unido e Estados Unidos<\/strong>\u00a0foram os \u00fanicos membros do G20 que conseguiram apresentar em 2020 e 2021 promessas mais ambiciosas que os compromissos anteriores, enquanto\u00a0<strong>China, Jap\u00e3o e Coreia do Sul<\/strong>\u00a0fizeram an\u00fancios na mesma dire\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o os entregaram formalmente.<\/p>\n<p>J\u00e1\u00a0<strong>Brasil e M\u00e9xico<\/strong>\u00a0foram os \u00fanicos membros do G20 que aumentaram a previs\u00e3o de emiss\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao que prometiam reduzir at\u00e9 2030, segundo o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, a pesquisadora acredita que o Brasil ser\u00e1 cobrado a dar uma resposta mais firme ao crescimento do desmatamento.<\/p>\n<p>\u201cA gente ainda tem uma matriz energ\u00e9tica favor\u00e1vel e muito limpa, apesar de que a gente j\u00e1 foi melhor e estamos cada vez mais incluindo termel\u00e9tricas. Nosso maior problema \u00e9 a quest\u00e3o da floresta, do desmatamento. A gente come\u00e7ou a reverter uma tend\u00eancia positiva que t\u00ednhamos desde 2005 em que come\u00e7amos a reduzir muito o desmatamento, e, de uns anos para c\u00e1, s\u00f3 piora, ent\u00e3o vai ser cobrado muito isso\u201d, afirma.<\/p>\n<h3>Brasil na COP26<\/h3>\n<p><strong>Presidente do Instituto Talanoa, Natalie Unterstell<\/strong>, participou da constru\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio Clima e Desenvolvimento: Vis\u00f5es para o Brasil 2030, que une especialistas e lideran\u00e7as brasileiras que defendem que o pa\u00eds assuma compromissos mais ambiciosos para conter as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Para o grupo, a meta brasileira deveria ser de reduzir as emiss\u00f5es em, ao menos, 66%, em vez dos 43% atuais. A necessidade de buscar maiores redu\u00e7\u00f5es nas emiss\u00f5es tamb\u00e9m foi defendida por especialistas que participaram de uma audi\u00eancia na C\u00e2mara dos Deputados nesta semana.<\/p>\n<p>Natalie Unterstell avalia que a cobran\u00e7a por propostas mais contundentes ser\u00e1 um dos tr\u00eas grandes eixos da confer\u00eancia, que ter\u00e1 tamb\u00e9m as discuss\u00f5es sobre o mercado de carbono e o financiamento do controle de emiss\u00f5es como pontos centrais.<\/p>\n<p>\u201cTodos os pa\u00edses v\u00e3o ser muito cobrados politicamente, porque a gente ainda tem essa diferen\u00e7a entre o necess\u00e1rio e o proposto, e, para o Brasil, esse \u00e9 um ponto muito sens\u00edvel, porque propusemos uma meta que est\u00e1 sendo considerada ruim\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>No in\u00edcio deste m\u00eas, o\u00a0<strong>ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite<\/strong>, anunciou que o\u00a0<strong>Brasil vai apresentar na COP26<\/strong>\u00a0o objetivo de zerar o desmatamento ilegal at\u00e9 2030, o que poder\u00e1 levar a uma redu\u00e7\u00e3o de 50% das emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil vai buscar consenso em temas relevantes, como o financiamento clim\u00e1tico. Esse problema tem que ser reconhecido. Encontrada a solu\u00e7\u00e3o, nada melhor que um crescimento verde, para que a gente fa\u00e7a uma transi\u00e7\u00e3o para uma economia verde \u2013 neutra em emiss\u00f5es at\u00e9 2050, como \u00e9 a meta brasileira\u201d, afirmou Joaquim Leite. \u201cTemos uma press\u00e3o internacional, mas n\u00e3o \u00e9 verdade. O Brasil cuida sim das suas florestas, em especial os recursos naturais. Temos a maior biodiversidade, uma das maiores \u00e1reas oce\u00e2nicas do mundo e de florestas nativas. Isso s\u00e3o vantagens competitivas no mercado mundial\u201d, diz Leite.<\/p>\n<h3>Dinheiro<\/h3>\n<p>Natalie Unterstell avalia que, durante a confer\u00eancia, voltar\u00e1 \u00e0 mesa de negocia\u00e7\u00f5es a cobran\u00e7a aos pa\u00edses ricos pelo n\u00e3o cumprimento das promessas de financiamento das a\u00e7\u00f5es em pa\u00edses pobres e vulner\u00e1veis, j\u00e1 que as na\u00e7\u00f5es desenvolvidas foram as primeiras a se industrializar e emitiram mais gases de efeito estufa ao longo da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>\u201cTemos uma d\u00edvida dos pa\u00edses ricos de US$ 100 bilh\u00f5es de por ano [para financiar a\u00e7\u00f5es em pa\u00edses pobres]. Eles est\u00e3o chegando na casa dos US$ 80 bilh\u00f5es, mas est\u00e3o longe do ideal. Isso tamb\u00e9m vai ser cobrado l\u00e1\u201d, descreve ela, que acrescenta que disponibilizar esses recursos \u00e9 um desafio interno para esses pa\u00edses.<\/p>\n<p>\u201cQuando a gente fala que os pa\u00edses ricos t\u00eam que pagar para os pa\u00edses pobres, a gente tem que pensar que s\u00e3o os contribuintes, os pagadores de impostos desses pa\u00edses que t\u00eam que chegar ao consenso em seus parlamentos e sociedades de que v\u00e3o pagar essa conta, e est\u00e1 todo mundo tentando sair da pandemia e endividado. Ent\u00e3o, \u00e9 uma quest\u00e3o complexa\u201d, conclui.<\/p>\n<h3>Mercado de carbono<\/h3>\n<p><strong>Suzana Kahn<\/strong>\u00a0acredita que ser\u00e1 uma grande frustra\u00e7\u00e3o caso a confer\u00eancia n\u00e3o consiga avan\u00e7ar na regulamenta\u00e7\u00e3o do mercado de carbono, que estava previsto no Acordo de Paris e ainda n\u00e3o teve suas regras estabelecidas.<\/p>\n<p>No mercado de carbono, um pa\u00eds que superou sua meta de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es pode vender uma \u201cpermiss\u00e3o\u201d equivalente a esse excedente para outro pa\u00eds que n\u00e3o conseguiu atingir o compromisso estabelecido. As regras para que essa transa\u00e7\u00e3o ocorra, por\u00e9m, ainda geram discord\u00e2ncia na comunidade internacional.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 complexo e \u00e9 caro, porque voc\u00ea tem que fazer uma contabilidade e precisa verificar\u201d, explica a professora da UFRJ. \u201cEu n\u00e3o s\u00f3 tenho que acompanhar e monitorar minhas emiss\u00f5es, como tenho que ter minhas contas totalmente abertas e transparentes, porque elas devem ser verificadas por organismos internacionais\u201d, destaca.<\/p>\n<p>A vice-diretora da Coppe\/UFRJ compara que, assim como a pandemia de covid-19, as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o um desafio global, em que o esfor\u00e7o de um pa\u00eds n\u00e3o basta enquanto n\u00e3o houver um controle do problema em todo o mundo. Nesse sentido, a crise sanit\u00e1ria pode se tornar um elemento a mais para dificultar a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 quem diga que, se \u00e9 para retomar o crescimento, que se retome da melhor maneira poss\u00edvel, de uma maneira mais sustent\u00e1vel. Mas nem sempre \u00e9 isso que acontece. A crise econ\u00f4mica acaba fazendo que voc\u00ea opte pelo caminho mais f\u00e1cil para sair da crise\u201d.<\/p>\n<p>Para Natalie Unterstell, as crises geradas pela pandemia v\u00e3o tornar ainda mais importante a discuss\u00e3o sobre como financiar a transi\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses pobres para uma economia com menos emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cOs pa\u00edses pobres est\u00e3o ainda mais endividados, ent\u00e3o, al\u00e9m de terem que lidar com a pandemia, a restaura\u00e7\u00e3o das economias e as vacinas, precisam lidar com eventos extremos e riscos futuros. \u00c9 uma conta muito pesada, e a quest\u00e3o do financiamento vai girar em torno disso, de como a gente alivia a barra desses pa\u00edses ultra vulner\u00e1veis.\u201d<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/planetacampo.com.br\/\">Confira mais informa\u00e7\u00f5es sobre a cobertura do Canal Rural na COP26 no Planeta Campo<\/a><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte:\u00a0 Canal Rural<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chefes de Estado e representantes de mais de 190 pa\u00edses se re\u00fanem neste domingo, 31, &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":49033,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[48],"tags":[],"class_list":["post-49032","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agro_cfnews"],"wps_subtitle":"Segundo a ONU, os compromissos anunciados at\u00e9 o momento para 2030 s\u00e3o insuficientes e apontam para um mundo 2,7 graus mais quente em 2100","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49032","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49032"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49032\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":49034,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49032\/revisions\/49034"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/49033"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49032"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49032"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49032"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}