{"id":54811,"date":"2022-03-13T13:41:07","date_gmt":"2022-03-13T17:41:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/?p=54811"},"modified":"2022-03-13T13:41:07","modified_gmt":"2022-03-13T17:41:07","slug":"tecnica-ajuda-ovinocultores-no-manejo-e-selecao-de-pastos-nutritivos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/tecnica-ajuda-ovinocultores-no-manejo-e-selecao-de-pastos-nutritivos\/","title":{"rendered":"T\u00e9cnica ajuda ovinocultores no manejo e sele\u00e7\u00e3o de pastos nutritivos"},"content":{"rendered":"<p>Uma t\u00e9cnica de an\u00e1lise de composi\u00e7\u00e3o de fezes de animais pode ajudar ovinocultores a aumentar a efici\u00eancia da nutri\u00e7\u00e3o dos rebanhos. A micro-histologia fecal \u00e9 usada para comparar as amostras de fezes de ovinos com as de plantas da pastagem local, contribuindo para a identifica\u00e7\u00e3o mais precisa das esp\u00e9cies selecionadas e consumidas por eles em sistemas extensivos. Al\u00e9m disso, orienta decis\u00f5es dos criadores sobre manejo de pastagens para evitar problemas como defici\u00eancia de nutrientes e superpastejo (concentra\u00e7\u00e3o de animais em uma \u00e1rea acima da capacidade permitida pelo pasto). Tudo isso com a vantagem de n\u00e3o comprometer o bem-estar dos animais.<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica de micro-histologia fecal, que usa l\u00e2minas com as amostras para an\u00e1lise via microsc\u00f3pio, permite informa\u00e7\u00f5es mais amplas sobre a identifica\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies pastejadas. Pesquisa coordenada pela\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/en\/caprinos-e-ovinos\">Embrapa Caprinos e Ovinos<\/a><\/strong>\u00a0(CE) em \u00e1rea experimental na Fazenda Lagoa Seca, em Carir\u00e9 (CE), analisou amostras locais por tr\u00eas anos e conseguiu identificar as esp\u00e9cies que comp\u00f5em cerca de 70% da dieta dos animais, em condi\u00e7\u00f5es extensivas, onde saem para pastejar durante o dia e que esp\u00e9cies selecionam para se alimentar. A regi\u00e3o observada integra a \u00e1rea da chamada Depress\u00e3o Sertaneja, correspondente a 38,5% da Caatinga brasileira, servindo de refer\u00eancia a territ\u00f3rios de grande produ\u00e7\u00e3o de ovinos no Semi\u00e1rido brasileiro, como o Sert\u00e3o dos Inhamuns (CE), tamb\u00e9m localizado nesse tipo de \u00e1rea.<\/p>\n<p>\u201cO trabalho desenvolvido no Cear\u00e1 pode ser extrapolado para outros estados nordestinos. Conforme o zoneamento agroecol\u00f3gico do Nordeste brasileiro, esse tipo de regi\u00e3o \u00e9 similar no Semi\u00e1rido brasileiro em termos de caracteriza\u00e7\u00e3o bot\u00e2nica. Pela identifica\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies vegetais presentes em \u00e1reas caracterizadas como Depress\u00e3o Sertaneja \u00e9 poss\u00edvel utilizar os dados da pesquisa para prever a oferta de nutrientes aos ovinos\u201d, afirma o pesquisador da Embrapa Marcos Cl\u00e1udio Pinheiro Rog\u00e9rio, que liderou a equipe da pesquisa.<\/p>\n<p>A pesquisa observou o consumo de 22 diferentes esp\u00e9cies de plantas forrageira e identificou nove \u201cesp\u00e9cies-chave\u201d que comp\u00f5em 70% da dieta dos ovinos, em fun\u00e7\u00e3o do valor nutritivo e da palatabilidade pelos animais. Foram elas: estilosantes, barba de bode, grama-seda e grama-touceira, no per\u00edodo seco; ervan\u00e7o, cabe\u00e7a branca, sabi\u00e1 e, novamente, a barba-de-bode, no per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o; capim-panasco, marmeleiro e, novamente, sabi\u00e1, no per\u00edodo seco do ano. Como nos sistemas pecu\u00e1rios da Caatinga a principal base alimentar dos ovinos \u00e9 a pastagem nativa ou natural, que pode compor at\u00e9 90% do consumo dos animais, esse tipo de informa\u00e7\u00e3o \u00e9 importante para permitir o planejamento e uso das \u00e1reas de uma propriedade rural, conforme a oferta de nutrientes, e contribui para a sustentabilidade dos sistemas de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro benef\u00edcio da t\u00e9cnica de micro-histologia fecal \u00e9 a acur\u00e1cia dos seus resultados \u201cA t\u00e9cnica permite identificar organelas e estruturas celulares vegetais espec\u00edficas nas fezes dos animais. Isso traz um diferencial importante: o que de fato foi consumido a pasto. Essa j\u00e1 \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o excelente para avalia\u00e7\u00e3o de pastejo animal na Caatinga, por exemplo, que tem ampla variedade de esp\u00e9cies vegetais\u201d, explica Pinheiro Rog\u00e9rio.<\/p>\n<p>O pesquisador tamb\u00e9m destaca o fato de a t\u00e9cnica n\u00e3o ser invasiva, permitindo a observa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica sem prejudicar o bem-estar dos animais. \u201cOutras t\u00e9cnicas que avaliam a propor\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies forrageiras ou partes de plantas efetivamente consumidas s\u00e3o invasivas. Pode ser necess\u00e1ria uma interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica ou a observa\u00e7\u00e3o do pastejo dos animais por per\u00edodos de 24 horas, por exemplo, que, al\u00e9m de laboriosas, interferem no consumo animal e em seu bem-estar. O fato de n\u00e3o ser invasiva, a n\u00e3o ser por ocasi\u00e3o da coleta fecal em animais amostrais por tr\u00eas dias, permite que o animal pasteje naturalmente, sem a necessidade da interven\u00e7\u00e3o humana\u201d, acrescenta.<\/p>\n<div id=\"attachment_2887816\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<div id=\"standard_1\" class=\"st-placement standard_1 inImage\">\n<div class=\"st-adunit st-reset st-show\">\n<div class=\"st-adunit-ad st-reset\">\n<div class=\"st-display-render st-reset\">\n<div class=\"st-reset\">\n<div class=\"important-styled st-canvas-container open Skyscraper display-standard fssquz2\">\n<div class=\"important-styled st-canvas-el fhxwyqa\">\n<div class=\"important-styled st-canvas-container undefined fssquz2\">\n<div class=\"important-styled st-canvas-el f1rzd1do\">\n<div class=\"important-styled st-canvas-container undefined fssquz2\">\n<div class=\"important-styled st-canvas-el f1rf2qk2\">\n<div class=\"important-styled f15u4dl3\">\n<div class=\"important-styled display-render-wrapper f15u4dl3\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"important-styled st-canvas-container undefined fssquz2\">\n<div class=\"important-styled st-canvas-el fhxwyqa\">\n<div class=\"important-styled display-render x-to-close f34xbyh\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2887816 size-large\" src=\"https:\/\/imagens-cdn.canalrural.com.br\/wp-content\/uploads\/ovinos-pastejo-pasto-640x457.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" srcset=\"https:\/\/imagens-cdn.canalrural.com.br\/wp-content\/uploads\/ovinos-pastejo-pasto-150x107.jpg 150w, https:\/\/imagens-cdn.canalrural.com.br\/wp-content\/uploads\/ovinos-pastejo-pasto-320x228.jpg 320w, https:\/\/imagens-cdn.canalrural.com.br\/wp-content\/uploads\/ovinos-pastejo-pasto-640x457.jpg 640w\" alt=\"ovinos, pasto, pastejo\" width=\"640\" height=\"457\" aria-describedby=\"caption-attachment-2887816\" \/><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-2887816\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Embrapa<\/p>\n<\/div>\n<h3><b>Planejamento alimentar\u00a0<\/b><\/h3>\n<p>As caracter\u00edsticas da t\u00e9cnica de micro-histologia fecal permitem obter outras informa\u00e7\u00f5es importantes, como saber quais partes das plantas foram consumidas e a avalia\u00e7\u00e3o do pastejo mesmo que outras esp\u00e9cies animais estejam na \u00e1rea, pois a identifica\u00e7\u00e3o \u00e9 feita a partir das fezes de cada esp\u00e9cie animal. Tais vantagens fazem que os resultados obtidos a partir do uso da t\u00e9cnica possam orientar o planejamento alimentar e as tomadas de decis\u00e3o pelos produtores rurais.<\/p>\n<p>\u201cEm avalia\u00e7\u00f5es realizadas com ovinos sob pastejo na Caatinga em propriedade rural parceira da Embrapa, por cerca de tr\u00eas anos, foi poss\u00edvel identificar que os ovinos consomem nove esp\u00e9cies principais, considerando os per\u00edodos chuvoso de transi\u00e7\u00e3o chuvas-seca e seco. Assim, por modelagem matem\u00e1tica, fica mais f\u00e1cil predizer qual consumo de nutrientes pode ocorrer em uma determinada \u00e1rea a partir da observa\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies presentes. \u00c9 poss\u00edvel, inclusive, predizer o tipo de suplemento (em termos de nutrientes adicionais) que deve ser fornecido aos animais em cada \u00e1rea de pastejo na Caatinga\u201d, ressalta Pinheiro Rog\u00e9rio.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, isso possibilita que os produtores rurais possam identificar \u00e1reas de melhor oferta de nutrientes na propriedade, utilizando as \u00e1reas conforme as categorias produtivas de cada animal, realizando um planejamento alimentar bem subsidiado de informa\u00e7\u00f5es de ordem nutricional para garantir o atendimento das exig\u00eancias nutricionais de seus rebanhos e adquirir insumos alimentares suplementares conforme a necessidade.<\/p>\n<p>O uso da t\u00e9cnica para o planejamento e avalia\u00e7\u00e3o da necessidade de suplementa\u00e7\u00e3o foi objeto da tese de doutorado em Ci\u00eancia Animal pela Universidade Federal do Piau\u00ed (UFPI)\u00a0do professor Wanderson Carvalho, que desenvolveu pesquisa de campo na Fazenda Lagoa Seca, no projeto em parceria com a Embrapa. No experimento com 40 ovelhas, entre fevereiro de 2015 e agosto de 2017, Wanderson estimou uma suplementa\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de 350 gramas de alimento concentrado por animal a cada dia como ideal para maior recupera\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o de peso e condi\u00e7\u00e3o corporal desde o parto ao desmame das ovelhas, a partir da realidade observada de consumo em campo na \u00e1rea.<\/p>\n<p>\u201cQuando se identifica, quase na totalidade, a composi\u00e7\u00e3o da dieta do animal no campo e em qual per\u00edodo essas plantas servem de alimenta\u00e7\u00e3o para as ovelhas, isso facilita o desenvolvimento de uma s\u00e9rie de estrat\u00e9gias para suplementa\u00e7\u00e3o. Conhecendo as plantas, voc\u00ea vai chegar \u00e0 composi\u00e7\u00e3o e, a partir da\u00ed, saber qual nutriente \u00e9 essencial para repor naquela fase, com base no que o animal est\u00e1 consumindo, saber que estrat\u00e9gias pode adotar: fornecimento de alimento suplementar, produ\u00e7\u00e3o de silagem no per\u00edodo de escassez da forragem, por exemplo. A t\u00e9cnica serve de ponto inicial para que se tenha sucesso no processo de produ\u00e7\u00e3o de ovinos\u201d, destaca Wanderson, que \u00e9 professor do Instituto Federal do Piau\u00ed (IFPI).<\/p>\n<h3><b>Manejo de pastos na Caatinga<\/b><\/h3>\n<p>O conhecimento das esp\u00e9cies mais pastejadas e seu potencial de nutrientes tamb\u00e9m pode orientar o manejo da vegeta\u00e7\u00e3o da Caatinga, com ado\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas para favorecer o aproveitamento de nutrientes dos recursos alimentares locais. Segundo Wanderson Carvalho, \u00e9 poss\u00edvel, para o produtor rural, elaborar um plano de manejo do pasto baseado na informa\u00e7\u00e3o sobre o que os animais consomem, gerada a partir do uso da t\u00e9cnica de micro-histologia fecal.<\/p>\n<p>\u201cSe os animais consomem uma determinada esp\u00e9cie no per\u00edodo chuvoso em grande quantidade e uma \u00e1rea cont\u00e9m muito essa esp\u00e9cie, o produtor, no per\u00edodo anterior, pode fazer isolamento daquela \u00e1rea, para que no per\u00edodo chuvoso a \u00e1rea disponibilize o m\u00e1ximo daquela esp\u00e9cie para o animal. Outras estrat\u00e9gias s\u00e3o as t\u00e9cnicas de manejo da pastagem que j\u00e1 s\u00e3o conhecidas e implementadas na Caatinga. Usar o rebaixamento, para proporcionar o desenvolvimento de esp\u00e9cies que s\u00e3o mais pastej\u00e1veis, mais selecionadas pelos animais. Ou o raleamento, para tirar esp\u00e9cies menos pastej\u00e1veis, no ponto de sustentabilidade do ecossistema, e proporcionar que o animal tenha acesso mais f\u00e1cil a essas esp\u00e9cies\u201d, exemplifica o professor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte:\u00a0 Canal Rural<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma t\u00e9cnica de an\u00e1lise de composi\u00e7\u00e3o de fezes de animais pode ajudar ovinocultores a aumentar &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":54813,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[48],"tags":[],"class_list":["post-54811","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agro_cfnews"],"wps_subtitle":"A t\u00e9cnica de micro-histologia fecal permite informa\u00e7\u00f5es mais amplas sobre a identifica\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies pastejadas","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54811","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54811"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54811\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":54814,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54811\/revisions\/54814"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/54813"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54811"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54811"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54811"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}