{"id":60847,"date":"2022-07-20T15:21:37","date_gmt":"2022-07-20T19:21:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/?p=60847"},"modified":"2022-07-20T15:21:37","modified_gmt":"2022-07-20T19:21:37","slug":"economia-troca-agenda-de-reformas-por-reeleicao-de-bolsonaro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/economia-troca-agenda-de-reformas-por-reeleicao-de-bolsonaro\/","title":{"rendered":"Economia troca agenda de reformas por reelei\u00e7\u00e3o de Bolsonaro"},"content":{"rendered":"<p class=\"\">A\u00a0<a href=\"https:\/\/economia.ig.com.br\/2022-03-21\/bolsonaro-reformas-ano-eleitoral.html\">agenda econ\u00f4mica do governo<\/a>\u00a0, eleito em 2018 prometendo reformas estruturantes, entra na reta final do mandato de Jair Bolsonaro com\u00a0<a href=\"https:\/\/economia.ig.com.br\/2021-12-21\/retrospectiva-2021-reformas-administrativa-e-tributaria.html\">poucas conquistas<\/a>\u00a0. O esfor\u00e7o do Minist\u00e9rio da Economia no primeiro semestre para aprovar projetos no Congresso antes do recesso de julho e das elei\u00e7\u00f5es foi\u00a0trocado por propostas, muitas com vi\u00e9s mais populista que liberal, visando, segundo especialistas e integrantes do governo, recuperar a popularidade do presidente que tenta a reelei\u00e7\u00e3o em outubro.<\/p>\n<p class=\"\">O governo priorizou projetos que buscam reduzir o\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/economia.ig.com.br\/2022-07-05\/icms-estados-reducao-combustiveis.html\">pre\u00e7o dos combust\u00edveis<\/a>\u00a0e tentam turbinar a campanha de Bolsonaro, como a\u00a0<a href=\"https:\/\/economia.ig.com.br\/2022-07-02\/pec-eleitoral-especialistas-pontos-medida-fere-leis.html\">PEC Eleitoral<\/a>\u00a0, que instituiu um estado de emerg\u00eancia para driblar a legisla\u00e7\u00e3o eleitoral e permitir o aumento de gastos neste ano, sobretudo com pagamento de benef\u00edcios tempor\u00e1rios, somente at\u00e9 o fim do ano.<\/p>\n<h3>Entre no\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/t.me\/iGBrasilEconomico\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">canal do Brasil Econ\u00f4mico no Telegram<\/a>\u00a0e fique por dentro de todas as not\u00edcias do dia. Siga tamb\u00e9m o\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/t.me\/portalig\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">perfil geral do Portal iG\u00a0<\/a><\/h3>\n<p class=\"\">Temas como a reforma administrativa e a reforma tribut\u00e1ria, que desde o in\u00edcio do mandato faziam parte da agenda priorit\u00e1ria de Paulo Guedes, ficaram de fora. Tampouco foram aprovados marcos regulat\u00f3rios, como mudan\u00e7as no setor el\u00e9trico. O projeto que permitiria a privatiza\u00e7\u00e3o dos Correios tamb\u00e9m n\u00e3o foi priorizado pelo governo no Congresso neste ano.<\/p>\n<h3>Avan\u00e7o em propostas de desburocratiza\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>Neste ano, as apostas da equipe de Guedes foram em propostas mais simples, mas que promovem melhorias de desburocratiza\u00e7\u00e3o e no ambiente de neg\u00f3cios. Foi assim com o Marco Legal das Garantias e as medidas provis\u00f3rias de moderniza\u00e7\u00e3o dos registros p\u00fablicos, de securitiza\u00e7\u00e3o e do aprimoramento de garantias para o agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Para Juliana Damasceno, economista s\u00eanior da Tend\u00eancias Consultoria e pesquisadora associada do Ibre\/FGV, o esp\u00edrito reformista do governo \u2013 que se vendeu contra a corrup\u00e7\u00e3o e a favor de reformas estruturais \u2013 ficou mais restrito ao per\u00edodo de campanha:<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o tivemos um governo super reformista, que mudou de perfil para um mais interesseiro e eleitoral. \u00c9 a forma como esse discurso ficou mais claro. O surgimento de demandas, seja da sociedade, do Congresso ou da equipe que est\u00e1 apoiando a reelei\u00e7\u00e3o de um candidato, \u00e9 t\u00edpico de anos eleitorais.\u201d<\/p>\n<h3>PEC dos Precat\u00f3rios, cria\u00e7\u00e3o do Aux\u00edlio Brasil e Or\u00e7amento<\/h3>\n<p>Para ela, a exist\u00eancia de regras tenta coibir o uso pol\u00edtico da m\u00e1quina p\u00fablica a favor da reelei\u00e7\u00e3o de um candidato. Mas a monopoliza\u00e7\u00e3o da agenda econ\u00f4mica no Congresso com assuntos de interesse eleitoral come\u00e7ou ainda em 2021, com a aprova\u00e7\u00e3o da PEC dos Precat\u00f3rios (que abriu espa\u00e7o no or\u00e7amento) e a cria\u00e7\u00e3o do Aux\u00edlio Brasil (que substituiu e elevou o Bolsa Fam\u00edlia).<\/p>\n<p>E tamb\u00e9m com a discuss\u00e3o do or\u00e7amento, que privilegiou um fund\u00e3o eleitoral bilion\u00e1rio e deu ainda mais recursos para as emendas de relator, que servem para operacionalizar o or\u00e7amento secreto.<\/p>\n<p>Em 2022, a crise nos pre\u00e7os dos combust\u00edveis e a tentativa de interfer\u00eancia de Bolsonaro no comando da Petrobras pressionou ainda mais o governo, que abandonou pautas estruturantes e acabou sendo levado a reboque de iniciativas do legislativo, como a cria\u00e7\u00e3o de um teto de 17% do ICMS para combust\u00edveis, energia, telecomunica\u00e7\u00f5es e transporte coletivo.<\/p>\n<p>\u201cNos \u00faltimos dois anos, o governo se empenhou com for\u00e7a visando a elei\u00e7\u00e3o. O foco desde ent\u00e3o tem sido o que fazer para ajudar eleitoralmente o presidente. Esse ano isso ficou mais intenso ainda, por conta da infla\u00e7\u00e3o e das medidas quase integralmente focadas nisso\u201d, pontua Sergio Vale, economista da MB Associados.<\/p>\n<h3>Falta de esfor\u00e7o<\/h3>\n<p>Para ele, faltou esfor\u00e7o do pr\u00f3prio governo para aprovar algumas pautas, como a reforma tribut\u00e1ria, j\u00e1 que o pr\u00f3prio Congresso havia demonstrado interesse em avan\u00e7ar na proposta. Al\u00e9m disso, ele lembra que muitos projetos que de fato avan\u00e7aram eram de iniciativa do pr\u00f3prio Legislativo:<\/p>\n<p>\u201cFoi uma agenda manca. Houve avan\u00e7os em alguns casos, como Eletrobras e Marco Legal das Garantias, que s\u00e3o coisas importantes, mas faltaram outras. O governo tinha possibilidade de avan\u00e7ar em outras pautas porque tinha uma certa conjun\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7os com o Congresso para aprovar reformas nesse sentido. Faltou coordena\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para conseguir fazer essas reformas andarem e um melhor planejamento de pol\u00edtica econ\u00f4mica para isso acontecer.\u201d<\/p>\n<p>O abandono dessas pautas trar\u00e1 um impacto relevante para a agenda econ\u00f4mica do pa\u00eds. Na avalia\u00e7\u00e3o de economistas, alguns temas podem continuar de lado a depender do resultado do pleito, como a agenda de privatiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h3>Pandemia freou \u2018\u00edmpeto reformista\u2019<\/h3>\n<p>Para Juliana Damasceno, como o pa\u00eds depende de investimentos externos ou privados, precisa investir em mudan\u00e7as que propiciem seguran\u00e7a jur\u00eddica e melhorias no ambiente de neg\u00f3cios \u2013 e isso depende de reformas que n\u00e3o foram tiradas do papel. Ao contr\u00e1rio, o pa\u00eds aposta no improviso, como foi o caso da cria\u00e7\u00e3o do teto do ICMS.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 muito dif\u00edcil conciliar pol\u00edticas de qualidade com improviso, que piora nossa capacidade de analisar os resultados, permitindo uma calibragem ruim ao impor um limite \u00fanico para todos os estados e fazer com que isso n\u00e3o fira o pacto federativo. Quando uma proposta assim vem de cima para baixo, tamb\u00e9m se vale do recurso eleitoral: tem elei\u00e7\u00e3o para governador, e o governador que n\u00e3o atende o projeto acaba malvisto\u201d, diz.<\/p>\n<p>Sergio Vale avalia que a pandemia freou o \u00edmpeto reformista, mas a opera\u00e7\u00e3o focada na preocupa\u00e7\u00e3o eleitoral do governo foi acionada muito cedo. O fato de Bolsonaro estar em segundo lugar nas pesquisas ampliou o apetite por medidas que aumentam o gasto p\u00fablico e promovem estrago fiscal:<\/p>\n<p>\u201cA quest\u00e3o do teto do ICMS foi um exemplo de uma forte mexida em tributa\u00e7\u00e3o que deveria ter sido feito em uma reforma mais ampla. A pol\u00edtica fiscal do governo esse ano foi toda equivocada, mal desenhada, tem sido assim desde o ano passado, e o pre\u00e7o a se pagar a gente j\u00e1 est\u00e1 vendo no ano que vem: curva de juros subindo, a infla\u00e7\u00e3o acelerando e taxa de c\u00e2mbio mais pressionada.\u201d<\/p>\n<h3>Veja os projetos que n\u00e3o andaram:<\/h3>\n<p>Reforma administrativa:\u00a0naufragou ainda em 2021 e segue fora do radar. Ap\u00f3s v\u00e1rias mudan\u00e7as, o relat\u00f3rio do deputado Arthur Oliveira Maia (Uni\u00e3o-BA) foi aprovado em comiss\u00e3o especial em setembro, mas o texto da PEC nunca chegou a ser lido em plen\u00e1rio. Em fevereiro, o presidente da C\u00e2mara, Arthur Lira (PP-AL), chegou a dizer que n\u00e3o descartaria a vota\u00e7\u00e3o da proposta, talvez ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o, mas que para isso ocorrer seria preciso empenho do governo.<\/p>\n<p>Reforma tribut\u00e1ria:\u00a0foi fatiada para tentar agilizar alguma aprova\u00e7\u00e3o, mas nada caminhou. Na proposta que alterava as regras para o Imposto de Renda, o texto chegou a ser aprovado na C\u00e2mara, mas foi engavetado no Congresso, onde o senador \u00c2ngelo Coronel (PSD-BA) apresentou nova vers\u00e3o, ajustando apenas a tabela do IR para pessoas f\u00edsicas.<\/p>\n<p>J\u00e1 no campo dos impostos sobre consumo, a PEC 110, relatada pelo senador Roberto Rocha (PTB-MA) est\u00e1 parada na CCJ da casa. Primeiro projeto apresentado pelo governo, ainda em 2020, o texto que unifica os tributos federais na Contribui\u00e7\u00e3o sobre Bens e Servi\u00e7os (CBS) nunca teve relat\u00f3rio apresentado.<\/p>\n<p>Privatiza\u00e7\u00e3o dos Correios:\u00a0Prometendo desestatizar o pa\u00eds, o governo s\u00f3 conseguiu concretizar a venda da Eletrobras, ap\u00f3s entraves. Outra grande aposta, os Correios, empacou. E ainda assim o governo quis sinalizar a inten\u00e7\u00e3o de vender a Petrobras.<\/p>\n<p>O projeto de privatiza\u00e7\u00e3o dos Correios, que passou em regime de urg\u00eancia na C\u00e2mara, est\u00e1 parado no Senado e sem relator ap\u00f3s a sa\u00edda de M\u00e1rcio Bittar (Uni\u00e3o-AC) da Comiss\u00e3o de Assuntos Econ\u00f4micos (CAE). Presidente do colegiado, o senador Otto Alencar ainda n\u00e3o designou novo relator para o texto.<\/p>\n<div>\n<aside class=\"leiaTambem-container\">\n<h3>Leia tamb\u00e9m<\/h3>\n<ul>\n<li><a title=\"Gerentes da Caixa pedem R$ 100 mil em indeniza\u00e7\u00e3o coletiva por ass\u00e9dio\" href=\"https:\/\/economia.ig.com.br\/2022-07-20\/gerentes-caixa-assedio-indenizacao-coletiva.html\" target=\"_self\" rel=\"noopener\">Gerentes da Caixa pedem R$ 100 mil em indeniza\u00e7\u00e3o coletiva por ass\u00e9dio<\/a><\/li>\n<li><a title=\"Governo publica portaria que confirma vale-g\u00e1s de 100% at\u00e9 dezembro\" href=\"https:\/\/economia.ig.com.br\/2022-07-20\/vale-gas-agosto-dezembro.html\" target=\"_self\" rel=\"noopener\">Governo publica portaria que confirma vale-g\u00e1s de 100% at\u00e9 dezembro<\/a><\/li>\n<li><a title=\"Caixa: diretor de \u00e1rea que investiga ass\u00e9dio \u00e9 encontrado morto\" href=\"https:\/\/economia.ig.com.br\/2022-07-20\/diretor-caixa-morre-sede-assedio.html\" target=\"_self\" rel=\"noopener\">Caixa: diretor de \u00e1rea que investiga ass\u00e9dio \u00e9 encontrado morto<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/aside>\n<\/div>\n<p class=\"\">Novas prioridades:\u00a0com os grandes projetos parados, a Economia mirou na aprova\u00e7\u00e3o ainda neste ano de projetos mais modestos. Um deles \u00e9 o texto que fortalece o Pronampe, para manter os recursos para garantir empr\u00e9stimos \u00e0s pequenas empresas com possibilidade de alavancar novas opera\u00e7\u00f5es que poderiam alcan\u00e7ar at\u00e9 R$ 100 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>A equipe econ\u00f4mica ainda celebrou a aprova\u00e7\u00e3o do Marco Legal das Garantias, com novas regras que flexibilizam o uso de garantias na concess\u00e3o de cr\u00e9dito para estimular a retomada da economia, e da medida provis\u00f3ria que criou um sistema para cart\u00f3rios adotarem servi\u00e7os eletr\u00f4nicos, aprovada no \u00faltimo dia de vig\u00eancia.<\/p>\n<p id=\"infocoweb_fonte\" class=\"infocoweb_fonte\">Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/economia.ig.com.br\/2022-07-20\/reeleicao-economia-agenda-atrasa.html#fdae4e2c-b28e-4ad3-931b-900da7418377\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">IG ECONOMIA<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A\u00a0agenda econ\u00f4mica do governo\u00a0, eleito em 2018 prometendo reformas estruturantes, entra na reta final do &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":60848,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52,59],"tags":[],"class_list":["post-60847","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","category-destaque"],"wps_subtitle":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60847","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=60847"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60847\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":60849,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60847\/revisions\/60849"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/60848"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=60847"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=60847"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=60847"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}