{"id":99666,"date":"2026-02-03T10:06:44","date_gmt":"2026-02-03T14:06:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/?p=99666"},"modified":"2026-02-03T10:06:44","modified_gmt":"2026-02-03T14:06:44","slug":"inadimplencia-recorde-no-credito-rural-expoe-falhas-na-politica-agricola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/inadimplencia-recorde-no-credito-rural-expoe-falhas-na-politica-agricola\/","title":{"rendered":"Inadimpl\u00eancia recorde no cr\u00e9dito rural exp\u00f5e falhas na pol\u00edtica agr\u00edcola"},"content":{"rendered":"<p data-start=\"342\" data-end=\"790\">O salto da inadimpl\u00eancia no cr\u00e9dito rural em 2025 n\u00e3o \u00e9 apenas um n\u00famero ruim nas estat\u00edsticas oficiais. Ele \u00e9 um sinal claro de que algo saiu do lugar na engrenagem do financiamento agr\u00edcola no Brasil. Encerrar o ano com 6,5% de inadimpl\u00eancia \u2014 contra 2,3% em 2024 e pouco mais de 1% no fim de 2023 \u2014 indica que uma parcela relevante dos produtores perdeu capacidade de honrar compromissos, mesmo em um setor que segue produzindo volumes elevados.<\/p>\n<div id=\"attachment_292200\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-292200\" src=\"https:\/\/pensaragro.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-01-at-18.36.55-300x300.jpeg\" sizes=\"auto, (max-width: 521px) 100vw, 521px\" srcset=\"https:\/\/pensaragro.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-01-at-18.36.55-300x300.jpeg 300w, https:\/\/pensaragro.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-01-at-18.36.55-150x150.jpeg 150w, https:\/\/pensaragro.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-01-at-18.36.55-768x768.jpeg 768w, https:\/\/pensaragro.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-01-at-18.36.55-80x80.jpeg 80w, https:\/\/pensaragro.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-01-at-18.36.55-75x75.jpeg 75w, https:\/\/pensaragro.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-01-at-18.36.55-750x750.jpeg 750w, https:\/\/pensaragro.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-01-at-18.36.55.jpeg 1024w\" alt=\"\" width=\"521\" height=\"521\" aria-describedby=\"caption-attachment-292200\" \/><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-292200\" class=\"wp-caption-text\"><em>Isan Rezende, presidente do IA e da Feagro-MT<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p data-start=\"792\" data-end=\"1155\">Para Isan Rezende, presidente do Instituto do Agroneg\u00f3cio (IA) e da Federa\u00e7\u00e3o dos Engenheiros Agr\u00f4nomos de Mato Grosso (Feagro-MT), esse n\u00edvel de inadimpl\u00eancia mostra que o problema n\u00e3o est\u00e1 apenas na produ\u00e7\u00e3o, mas na combina\u00e7\u00e3o de custos altos, cr\u00e9dito caro, renda inst\u00e1vel e riscos clim\u00e1ticos cada vez mais frequentes. O produtor colheu, mas n\u00e3o necessariamente vendeu bem. Ou vendeu, mas n\u00e3o conseguiu fechar a conta depois de pagar insumos, arrendamento, m\u00e1quinas, juros e frete.<\/p>\n<p data-start=\"1157\" data-end=\"1517\">\u201cQuando se olha para o cr\u00e9dito rural com recursos direcionados do Plano Safra, o quadro \u00e9 menos grave, mas ainda preocupante. A inadimpl\u00eancia entre pessoas f\u00edsicas subiu para 2,6%, mais que o dobro do registrado um ano antes. Isso revela que, mesmo nas linhas com juros regulados e condi\u00e7\u00f5es mais favor\u00e1veis, muitos produtores est\u00e3o operando no limite do caixa\u201d, comentou Rezende.<\/p>\n<p>\u201cEsse n\u00edvel de inadimpl\u00eancia n\u00e3o surgiu do nada. Ele \u00e9 consequ\u00eancia direta de um ambiente em que o produtor rural assumiu praticamente todos os riscos da atividade, enquanto as pol\u00edticas p\u00fablicas ficaram aqu\u00e9m do necess\u00e1rio. O produtor enfrentou clima adverso, custos elevados, juros altos e queda de pre\u00e7os em alguns momentos, sem uma rede de prote\u00e7\u00e3o compat\u00edvel com a import\u00e2ncia do agro para o pa\u00eds\u201d, disse o presidente.<\/p>\n<div>\n<div class=\"centered-text-area\">\n<div class=\"centered-text\">\n<div class=\"u9e3e6b8ce346557e2d4ddd8fa4e20281-content\"><span class=\"ctaText\">Leia Tamb\u00e9m:<\/span>\u00a0\u00a0<span class=\"postTitle\">Produtores precisam se precaver contra golpes ao vender a safra<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ctaButton\"><\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cO governo precisa entender que cr\u00e9dito rural n\u00e3o \u00e9 favor, \u00e9 instrumento de pol\u00edtica agr\u00edcola. Quando o cr\u00e9dito fica caro, restrito ou desalinhado da realidade do campo, o resultado aparece nos n\u00fameros da inadimpl\u00eancia. Falta previsibilidade, falta seguro rural eficiente e falta uma pol\u00edtica cont\u00ednua de gest\u00e3o de risco. N\u00e3o d\u00e1 para agir apenas quando o problema j\u00e1 explodiu\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAs renegocia\u00e7\u00f5es ajudaram a evitar um cen\u00e1rio ainda pior, mas foram medidas emergenciais. O produtor n\u00e3o pode viver de renegocia\u00e7\u00e3o em renegocia\u00e7\u00e3o. O que precisamos \u00e9 de solu\u00e7\u00f5es estruturais, com juros compat\u00edveis, prazos ajustados \u00e0 atividade e mecanismos que considerem as perdas clim\u00e1ticas e a volatilidade dos pre\u00e7os. Sem isso, a conta n\u00e3o fecha\u201d, advertiu Isan.<\/p>\n<p>\u201cDo lado do produtor, o momento exige cautela e profissionalismo. \u00c9 hora de planejar melhor o uso do cr\u00e9dito, evitar endividamento desnecess\u00e1rio e buscar efici\u00eancia na gest\u00e3o. Mas \u00e9 fundamental deixar claro: sem uma a\u00e7\u00e3o mais firme do governo para equilibrar o risco da atividade, o produtor continuar\u00e1 exposto, e os n\u00fameros da inadimpl\u00eancia tendem a se repetir\u201d, vaticinou.<\/p>\n<p data-start=\"1519\" data-end=\"1962\">CENARIO CLARO \u2013 Nas empresas do agro, os \u00edndices s\u00e3o menores, mas a tend\u00eancia \u00e9 semelhante. A inadimpl\u00eancia praticamente dobrou em um ano, o que mostra que nem mesmo estruturas mais profissionalizadas ficaram imunes. O problema aparece com mais for\u00e7a nas opera\u00e7\u00f5es com taxas livres, onde os juros acompanharam a escalada do custo do dinheiro no pa\u00eds. Para pessoas f\u00edsicas, a inadimpl\u00eancia nesse tipo de cr\u00e9dito chegou a 12%, um patamar historicamente elevado.<\/p>\n<p data-start=\"1964\" data-end=\"2364\">\u201cEsse cen\u00e1rio deixa uma mensagem clara: o cr\u00e9dito rural ficou mais arriscado, mais caro e menos compat\u00edvel com a realidade do campo. E aqui entra um ponto sens\u00edvel. O governo reagiu de forma parcial. As renegocia\u00e7\u00f5es ajudaram a conter uma piora maior, especialmente nos \u00faltimos meses de 2025, mas vieram tarde e de forma limitada. O foco ficou em apagar inc\u00eandios, n\u00e3o em atacar as causas do problema\u201d, continuou Rezende.<\/p>\n<div>\n<div class=\"centered-text-area\">\n<div class=\"centered-text\">\n<div class=\"ub69d42bc72b1bf5b48e999a3b520f593-content\"><span class=\"ctaText\">Leia Tamb\u00e9m:<\/span>\u00a0\u00a0<span class=\"postTitle\">Seca nos Estados Unidos d\u00e1 novo impulso aos pre\u00e7os da soja e do milho<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ctaButton\"><\/div>\n<\/div>\n<p data-start=\"2366\" data-end=\"2790\">\u201cO que deveria estar sendo feito \u2014 e n\u00e3o est\u00e1 \u2014 \u00e9 uma pol\u00edtica agr\u00edcola mais alinhada ao risco real da atividade. Seguro rural segue insuficiente, lento e caro. Programas de equaliza\u00e7\u00e3o de juros n\u00e3o acompanham a volatilidade do custo financeiro. Falta previsibilidade. O produtor assume riscos clim\u00e1ticos, de pre\u00e7o e de custo praticamente sozinho, enquanto o cr\u00e9dito continua sendo oferecido como se o ambiente fosse est\u00e1vel\u201d, encerrou o presidente do IA e da Feagro-MT.<\/p>\n<p data-start=\"2792\" data-end=\"3130\">Para quem est\u00e1 no campo, o recado \u00e9 duro, mas necess\u00e1rio. Em um cen\u00e1rio como esse, o produtor precisa mudar postura. Alavancagem excessiva virou perigo. Cr\u00e9dito de taxa livre deve ser usado com extrema cautela. Renegociar antes de atrasar passa a ser estrat\u00e9gia, n\u00e3o fraqueza. Planejamento de caixa deixa de ser luxo e vira sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p data-start=\"3132\" data-end=\"3437\">Tamb\u00e9m ganha import\u00e2ncia a diversifica\u00e7\u00e3o de receitas, a venda escalonada da produ\u00e7\u00e3o e o uso de ferramentas simples de prote\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o, mesmo que parciais. Quem depende de um \u00fanico momento de venda ou de um \u00fanico banco fica mais exposto. Efici\u00eancia operacional passa a valer tanto quanto produtividade.<\/p>\n<p data-start=\"3439\" data-end=\"3743\">A inadimpl\u00eancia recorde n\u00e3o significa que o produtor errou em massa. Ela mostra que o modelo atual de financiamento do agro est\u00e1 desajustado \u00e0 realidade econ\u00f4mica e clim\u00e1tica do pa\u00eds. Enquanto isso n\u00e3o for corrigido, o risco n\u00e3o vai desaparecer \u2014 apenas mudar de lugar, recaindo sempre sobre quem produz.<\/p>\n<p data-start=\"3745\" data-end=\"3972\" data-is-last-node=\"\" data-is-only-node=\"\">Para 2026, o desafio \u00e9 claro: menos improviso, mais gest\u00e3o; menos cr\u00e9dito f\u00e1cil, mais cr\u00e9dito sustent\u00e1vel. E, do lado do poder p\u00fablico, menos discurso e mais instrumentos que realmente protejam quem carrega o risco da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p data-start=\"3745\" data-end=\"3972\" data-is-last-node=\"\" data-is-only-node=\"\">\n<p data-start=\"3745\" data-end=\"3972\" data-is-last-node=\"\" data-is-only-node=\"\">\n<p data-start=\"3745\" data-end=\"3972\" data-is-last-node=\"\" data-is-only-node=\"\"><a href=\"https:\/\/pensaragro.com.br\/inadimplencia-recorde-no-credito-rural-expoe-falhas-na-politica-agricola\/\">Pensar Agro<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O salto da inadimpl\u00eancia no cr\u00e9dito rural em 2025 n\u00e3o \u00e9 apenas um n\u00famero ruim &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":99667,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[188],"tags":[],"class_list":["post-99666","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"wps_subtitle":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/99666","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=99666"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/99666\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":99668,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/99666\/revisions\/99668"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/99667"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=99666"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=99666"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cfnews.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=99666"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}