- Cuiabá
- QUINTA-FEIRA, 12 , MARÇO 2026
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Hoje recebi um vídeo do pastor e missionário João Petreceli, um amigo e colega de ministério que exerceu grande influência na minha vocação ministerial. O vídeo veio da Sibéria. Sim, da Sibéria. E isso, por si só, já diz muito sobre a dimensão do trabalho que ele tem realizado ao longo dos anos.
João é, de certa forma, um fenômeno global. E isso sem recorrer a estratégias de marketing religioso ou modelos de expansão midiática. O que existe em sua trajetória é algo mais raro: uma liderança que inspira e mobiliza pessoas em diferentes contextos culturais.
Ele é, para mim, um verdadeiro case de liderança inspiradora.
João soube, inclusive, tomar uma decisão difícil que poucos líderes conseguem: sair no auge. Em Cuiabá, ele encerrou um ciclo quando sua influência estava consolidada. Desde então, passou a repetir um padrão em diversos campos: chega, estabelece fundamentos, forma pessoas, fortalece estruturas e segue adiante para novos desafios.
Isso exige coragem, desapego e uma visão missionária que vai além de projetos pessoais.
Ele tem defeitos? Claro que tem. Como todos nós. Mas o que ele faz é impressionante.
O ser humano precisa de liderança. Um único líder é capaz de impactar muita gente, gerar movimentos e abrir caminhos onde antes não havia nada. No caso de João, essa influência ultrapassou fronteiras de forma notável. Soube recentemente que, apenas no último ano, ele pregou literalmente nos cinco continentes. Pouquíssimas pessoas possuem essa envergadura ministerial.
Além disso, ele investiu intensamente na própria formação. Hoje é fluente em português, inglês, espanhol, grego e ainda está aprendendo italiano. Sua trajetória torna-se ainda mais significativa quando lembramos de suas origens simples. Formado no IBRO, em Ji-Paraná, participou da JMC enfrentando muitas dificuldades e posteriormente concluiu seu mestrado em Grego e Teologia do Novo Testamento no Andrew Jumper.
Seu ministério hoje se estende por diversos contextos. Atua na Europa, já serviu na Ásia (Nepal), na Oceania (Nova Zelândia) e na América do Sul (Chile e Brasil). Mantém conexões com líderes nos Estados Unidos e na África do Sul. Estabeleceu parcerias missionárias importantes, como com o Rev. Maurício Bucair, do Instituto Ethnos, e atua em projetos na África. Atualmente serve como missionário na Itália, com o apoio, entre outras igrejas, da Igreja Presbiteriana de Pinheiros.
Ele também participa do movimento global de plantação de igrejas Planters, com Ronaldo Lidório, e já foi diretor de instituições teológicas em quatro países diferentes. Em Cuiabá, foi diretor do IBAA – Instituto Bíblico Rev. Augusto Araújo e pastor da Igreja Presbiteriana Betânia, onde deixou uma influência significativa para a região e um modelo eficaz de mobilização missionária e plantação de igrejas.
Entre vários atos inspiradores, João mobilizou duas campanhas missionárias que se tornaram extremamente marcantes. Em uma delas, pedalou para arrecadar recursos destinados a uma instituição que acolhe meninas no Nepal, no projeto Ride for Freedom. Em outra iniciativa, literalmente subiu o Monte Everest com o objetivo de levantar fundos para projetos missionários. Em ambos os casos, as pessoas faziam contribuições por trechos percorridos. A iniciativa tornou-se viral e profundamente inspiradora.
João tem também uma capacidade singular de argumentar e mobilizar pessoas. Sempre brinquei que ele seria capaz de vender gelo para esquimó. E agora a ironia é providencial: ele está na Sibéria, literalmente tirando gelo da porta da igreja para que um culto possa acontecer. Louvado seja o Senhor.
Precisamos reconhecer: João é diferente.
Eu não tenho a pretensão de superar meus mestres. Pelo contrário. Sou feliz em poder ser um coadjuvante entre pessoas que Deus levantou para realizar grandes coisas.
A liderança verdadeira não consiste em centralizar tudo em si mesmo. Liderança é servir o maior número de pessoas possível e promover aqueles que estão ao nosso redor. Quando um líder faz isso, naturalmente as pessoas querem estar próximas, querem aprender e querem caminhar juntas.
O líder egocêntrico, por outro lado, não promove ninguém. Vive para ser o centro das atenções e se entristece quando ele mesmo não é o assunto da pauta.
Com Jesus aprendemos um princípio simples e profundo: o maior é aquele que serve.
E você: tem se alegrado com o progresso do evangelho pela instrumentalidade de outros?
Como você reage quando não é o centro da pauta?
Qual é, afinal, o valor de uma liderança verdadeiramente inspiradora?
Rev. Manoel Gonçalves Delgado Junior
Doutor em Ministério
Diretor do IBAA – Instituto Bíblico Rev. Augusto Araújo
Cuiabá – MT