- Cuiabá
- QUARTA-FEIRA, 12 , AGOSTO 2026
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A experiência de sair da rotina do campo e conhecer de perto laboratórios, parques tecnológicos, startups e centros de pesquisa já começa a render novas ideias para o agro de Mato Grosso. Esse foi um dos principais resultados levados pelos produtores rurais, técnicos e representantes de Sindicatos Rurais que participaram da Missão Técnica AgriHub Conecta 2026.
Realizada entre os dias 2 e 8 de agosto, a missão passou por Londrina, Ribeirão Preto, Piracicaba, Campinas, Jaguariúna, São José dos Campos e São Paulo. Ao longo do percurso, a comitiva visitou instituições como Embrapa Soja, Embrapa Agricultura Digital, Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR), hubs de inovação, parques tecnológicos, laboratórios, startups e empresas ligadas ao agronegócio.
Para quem vive diariamente a realidade do campo, a experiência também serviu para ampliar a percepção sobre o que existe por trás das tecnologias utilizadas nas propriedades.
Segundo Laudicéia Gheller, do Sindicato Rural de Juruena, a missão técnica do AgriHub permitiu enxergar uma estrutura de pesquisa e desenvolvimento que muitas vezes não é percebida por quem está na ponta.
“Nem eu imaginava a quantidade de tecnologias e de estudos que existem no campo. A gente muitas vezes vai no automático, vê os produtos, mas não tem noção de todos os estudos que existem até chegar lá para a gente. Estou levando uma bagagem muito bacana para o sindicato e entendendo melhor como funciona esse processo”, conta.
Um dos principais resultados percebidos pelos participantes foi a possibilidade de levar o conhecimento adquirido para suas regiões de atuação em Mato Grosso. A proposta do AgriHub é justamente formar multiplicadores capazes de conectar as experiências observadas durante a missão às demandas existentes em Mato Grosso.
O supervisor regional Luiz Cantão destaca que a intenção é transformar o aprendizado em ações práticas.
“A gente está levando bastante informação e eu tenho a obrigação de ser um replicador no nosso município e também na nossa regional. Já montamos várias estratégias para que essas informações, essas inteligências e as tecnologias que aprendemos aqui sejam aplicadas à nossa realidade”, explicou.

Para o supervisor de campo Heitor Mezzomo, outro aprendizado importante foi perceber como a integração entre diferentes setores pode acelerar o desenvolvimento de soluções para o produtor rural.
“O que eu levo é uma nova perspectiva. Conhecemos empresas e vários núcleos de inovação e percebemos como o setor público, o setor privado e as faculdades interagem entre si. Quando todos pensam e trabalham em conjunto, o resultado para o produtor com certeza terá um retorno muito interessante”, afirmou.
A percepção sobre o Agrihub Conecta também foi compartilhada pelo técnico de campo Ransvagner Garcia. Na visão dele ele, Mato Grosso ainda tem desafios que podem ser transformados em oportunidades quando existe uma conexão efetiva entre quem desenvolve tecnologia e quem conhece as necessidades do campo.
“Existem inúmeras tecnologias que ainda não são de conhecimento, principalmente do público que atendemos, que são os produtores rurais. Eles não têm noção do tamanho desse portfólio que está sendo desenvolvido. Mas também entendi que esse pessoal precisa muito da gente para fazer essa conexão com o campo, pegar as nossas dificuldades e trazer para cá, aproveitando todo esse recurso para construir soluções juntos”, destacou.
Durante a missão técnica, a comitiva conheceu diferentes modelos de ambientes de inovação, desde laboratórios e centros de pesquisa até parques tecnológicos e espaços que conectam startups a empresas e produtores.
Em São José dos Campos, por exemplo, o grupo visitou o Parque de Inovação Tecnológica (PIT), onde conheceu iniciativas do Agropolo voltadas à conexão entre empresas de base tecnológica e o agronegócio.
A coordenadora do Clúster Agropolo Vale, Giane Santos, ressaltou a importância de aproximar os ambientes de inovação das demandas reais das cadeias produtivas.
“É um ambiente de oportunidade para que empresas de base tecnológica se tornem conhecidas e competitivas, inclusive no segmento do agronegócio. A vinda da comitiva de Mato Grosso permite reconhecer o que temos de mais inovador e entender como esses ambientes fazem a inovação chegar a quem de direito, de uma forma simples e objetiva”, afirmou.


Para a produtora rural Natália Nodari, sair da rotina da propriedade e conhecer os ambientes de pesquisa ajudou a revelar um universo que muitas vezes permanece distante de quem está dentro da porteira.
“Sair da nossa bolha e entender o tanto de pesquisa que existe para solucionar problemas que vivemos diariamente foi muito importante. Eu nem imaginava que existiam tantos parques tecnológicos dentro do Brasil. Foi muito bom saber que existem pessoas estudando para reduzir nossos custos, aumentar a produtividade e fazer com que a sustentabilidade chegue tanto ao grande produtor quanto à agricultura familiar”, contou.
Ao longo da missão, a comitiva passou por ambientes que apresentaram tecnologias relacionadas à inteligência artificial, biotecnologia, agricultura digital, pesquisa aplicada, automação e soluções desenvolvidas por agritechs.
Para a gerente do AgriHub, Érika Souza, esse aprendizado é considerado estratégico para a rede de inovação, pois ela não depende apenas da existência de uma tecnologia, mas da capacidade de aproximá-la das necessidades de quem está no campo.
“A missão técnica ao corredor da inovação em São Paulo consolidou o papel do Agrihub como um elo estratégico para o agronegócio mato-grossense, posicionando-se como uma ferramenta para que produtores, assistentes técnicos de campo e supervisores acessem tecnologias de maneira facilitada”, diz.
Ainda conforme destaca Érika, o intercâmbio permitiu que os participantes compreendessem que o hub oferece diversas soluções que ainda são subutilizadas por falta de conhecimento, evidenciando o potencial da instituição em promover o desenvolvimento tecnológico e facilitar o cotidiano no campo.



