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26/04/2021 - 09:51

ERA DA REFORMA: RESTAURAÇÃO E RECONSTRUÇÃO III

Um pano de fundo que pouco se menciona quando se fala da Reforma é o humanismo renascentista.  Ele é de suma importância para que a Reforma seja entendida. Embora a Reforma tenha começado nas cidades da Alemanha e Suiça, é interessante observar, que ela surgiu como possível resultado do renascimento italiano do século XIV.

No século XX a palavra humanismo é usada referindo-se à filosofia antirreligiosa, que afirma a dignidade da humanidade, sem qualquer referência a Deus. O humanismo adquiriu no decorrer de alguns anos, tons fortemente secularistas e, em alguns momentos, ateístas.

Mas, no século XVI o termo humanista foi usado num contexto absolutamente religioso. O interesse do humanista era pela renovação da igreja cristã e não de sua destruição.

O humanismo renascentista não tinha um viés ideológico e nem antirreligioso. Seus membros buscaram no conhecimento literário e nas habilidades linguísticas, a restauração de uma sociedade e religião que estavam em colapso.

Precisamos aprender usar a palavra em seu tempo para conseguirmos entender o seu contexto. A palavra renascença, por exemplo, é usada mundialmente para estabelecer o período no século XIV e XV, onde escritores daquela época se referiam ao movimento usando termos como: restauração, renascimento e reflorescimento.

O termo humanismo é, na verdade, na forma com que nós o conhecemos, uma invenção do século XIX. Ele não foi usado na época da renascença. Quando ele apareceu no século XVI, especificamente no ano de 1589, seu sentido era de um erudito literário, alguém versado nos idiomas latinos.

Humanismo foi frequentemente naquela época usada como uma palavra que definiria um professor universitário. Em italiano era umanista, professor de studia humanitatius. Alguem hábil nas ciências humanas e artes liberais.

Entendendo o humanismo como a busca pela filosofia clássica e a busca incansável ad fontes, ele seria muito útil na vida de muitos nomes importantes da Reforma. Aliás, o programa literário e cultural do humanismo é resumido no lema ad fontes, de volta as origens.

O lema ad fontes, exigia que o filtro dos comentários medievais sobre os textos clássicos, fossem eles; literários, legais, religiosos ou filosóficos, tinham que ser abandonados em favor de um envolvimento direto com os próprios textos originais. Quando aplicado à igreja cristã, ad fontes significou um retorno direto aos principais documentos do cristianismo.

Os escritores patrísticos foram escrutinados assim como também o Novo Testamento. As fontes clássicas, ao serem lidas, refletiam o desejo daquele contexto histórico.

A renascença foi uma época da redescoberta cientifica, da descoberta da América, da geografia e, os eruditos da literatura, foram às fontes, com objetivo de redescobrir algo que revolucionasse a vida das pessoas daquela época. O humanismo do norte da Europa fez esse caminho através de grandes nomes como, Thomas Wyttenbach, Ulrico Zwinglio, e Erasmo de Roterdã.

O interesse dos humanistas pela eloquência escrita e falada, por um programa religioso especificamente dirigido ao renascimento corporativo da igreja cristã, o desgosto por manobras políticas tão comuns na igreja católica, fez desses e outros homens, pessoas desejosas de ver mudanças na igreja. E isso propiciou as condições necessárias para se buscar uma reforma na igreja.

Portanto, entender o humanismo do século XIV ao XVI é fundamental para vermos que os homens daquela época tiveram um interesse enorme em ver a igreja renascer das trevas. A ignorância do povo, os tornam presas fáceis para manipulação e engano.

Necessitamos seja qual for o contexto histórico em que vivemos, voltar com piedade e temor às Escrituras Sagrada. Nossa fonte de piedade e renovação é a palavra de Deus, tanto no passado, como também no presente.

 

 

Pr. Nelson Júnior

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