• Cuiabá
  • QUARTA-FEIRA, 4 , NOVEMBRO 2026
  • (65) 99245-0868
04/11/2026 - 09:25

Em 5 meses tratado impulsionou exportações do agro em 14,8% e movimentou R$ 66,7 bi

As exportações brasileiras do agronegócio para a União Europeia cresceram 14,8% em valor nos cinco primeiros meses de aplicação provisória do acordo comercial entre os dois blocos, alcançando o equivalente a R$ 66,7 bilhões entre maio e setembro de 2026. O avanço foi acompanhado pelo aumento de 8,1% no volume embarcado, com destaque para soja, carnes, mel e frutas. Os resultados mostram uma ampliação das vendas ao mercado europeu, embora ainda seja cedo para atribuir todo o crescimento exclusivamente à redução das tarifas.

Para lembrar:  Acordo Mercosul-UE: oportunidades e desafios para o produtor rural

Os números foram divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com base no sistema Agrostat. No período, o Brasil exportou 17,74 milhões de toneladas de produtos agropecuários e agroindustriais para os 27 países da União Europeia, ante 16,42 milhões de toneladas nos mesmos meses de 2025.

O acordo, negociado durante mais de 25 anos, começou a ser aplicado provisoriamente em 1º de maio deste ano. Desde então, determinados produtos brasileiros passaram a contar com redução de impostos de importação no mercado europeu, conforme os cronogramas estabelecidos entre os dois blocos.

O complexo soja permaneceu como o principal segmento da pauta agropecuária brasileira destinada à Europa. As vendas de grãos, farelo e óleo somaram o equivalente a R$ 22,9 bilhões, crescimento de 34,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Em volume, a expansão foi de 20,5%.

Leia Também:  Ferrugem asiática da soja cresceu 491% em 2023 e ameaça produção de 6 estados

A soja em grãos apresentou aumento de 49% no valor exportado e de 35,1% na quantidade embarcada. Já o farelo registrou crescimento de 22,5% em receita e de 10,6% em volume. O desempenho reforça a importância do mercado europeu para uma cadeia que também abastece a indústria de rações e a produção de proteínas animais.

Entre os produtos com maior crescimento proporcional, os abacates frescos lideraram. As exportações passaram do equivalente a R$ 20,8 milhões para R$ 108,5 milhões, alta de 421,2%. O volume embarcado aumentou 433,7%, indicando que a expansão não decorreu apenas de variações de preços.

O mel também ganhou espaço, com crescimento de 367% no valor exportado. Outro destaque foi o óleo de milho bruto, cujas vendas avançaram de aproximadamente R$ 192,8 milhões para R$ 706,3 milhões, aumento de 266,3%. O resultado é relevante para a diversificação das exportações brasileiras de produtos industrializados de origem agrícola.

O setor de carnes apresentou crescimento de 103,5% no valor exportado e de 170% no volume, que passou de 101 mil para 272 mil toneladas. As frutas, incluindo nozes e castanhas, tiveram expansão de 15% em receita, enquanto os produtos florestais registraram alta de 23%.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) também identificou crescimento de 21% nas exportações brasileiras de produtos beneficiados pelas preferências tarifárias do acordo, considerando setores agropecuários e industriais. Esse percentual se refere a uma seleção de mercadorias contempladas pelo tratado e, portanto, não deve ser confundido com o crescimento de 14,8% registrado pelo conjunto das exportações do agronegócio.

Leia Também:  Tratado entra em vigor nesta sexta e inaugura nova fase para as exportações brasileiras

A abertura comercial, entretanto, não significa eliminação imediata de todos os impostos. Para produtos como café torrado, café solúvel e abacate, as reduções são graduais, com previsão de liberalização completa até 2030. Em outras cadeias, como carnes, açúcar e etanol, o acesso preferencial pode estar condicionado a cotas e regras específicas.

Além das tarifas, os exportadores precisam atender às exigências sanitárias, de origem e de rastreabilidade estabelecidas para cada produto. No caso das cadeias abrangidas pela legislação europeia contra o desmatamento, a comprovação da origem da produção representa um desafio adicional para empresas e produtores rurais.

O crescimento das exportações também precisa ser avaliado à luz das condições de mercado. Alterações na demanda europeia, na oferta de outros países e nos preços internacionais influenciam o resultado comercial, independentemente das vantagens tarifárias.

Para o agronegócio brasileiro, os primeiros cinco meses do acordo mostram oportunidades tanto para grandes cadeias exportadoras quanto para segmentos de menor participação, como frutas e mel. A consolidação desses ganhos dependerá da capacidade de manter preços competitivos, cumprir as exigências europeias e ampliar a presença de produtos brasileiros de maior valor agregado.

 

Pensar Agro

+