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05/10/2026 - 09:27

Flávio Bolsonaro terá de ampliar alianças e preservar vantagem no 2º turno

Flávio Bolsonaro (PL) chega ao segundo turno da eleição presidencial de 2026 à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas terá de administrar uma disputa que começa praticamente do zero. Com 99,99% das urnas apuradas, o senador recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, diferença de cerca de 2,2 milhões de votos. A segunda votação está marcada para 25 de outubro.

O principal desafio será ampliar a votação sem perder a base que garantiu a liderança no primeiro turno. Flávio venceu em 14 estados e no Distrito Federal e teve desempenho especialmente forte no Sul, Sudeste, Centro-Oeste e em parte do Norte. Ao mesmo tempo, Lula manteve vantagem expressiva no Nordeste, o que deixa para o candidato do PL a tarefa de avançar em regiões onde o petismo continua competitivo.

A transferência dos votos dos candidatos eliminados também será decisiva. Cerca de 9,2 milhões de eleitores escolheram nomes que não chegaram ao segundo turno. Levantamento do Datafolha realizado antes da votação indicava que Flávio tinha vantagem entre eleitores de Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante): 43% desses votos declaravam preferência pelo candidato do PL, contra 30% de Lula. O resultado efetivo do primeiro turno, porém, pode alterar esse cenário.

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Por isso, a construção de alianças políticas será outro teste para a campanha. Flávio terá de buscar apoio de governadores, parlamentares e partidos que não estavam alinhados diretamente ao PL na primeira etapa. A força dessas alianças pode ser particularmente importante nos 20 estados em que a eleição estadual já foi definida e a campanha presidencial passa a concentrar praticamente toda a atenção dos eleitores.

O candidato também terá de ampliar o diálogo com segmentos nos quais o bolsonarismo possui menos força. Pesquisas realizadas antes do primeiro turno mostravam Flávio em vantagem entre eleitores com renda mais alta, nas regiões Sul e Norte/Centro-Oeste e entre evangélicos, enquanto Lula apresentava desempenho superior entre eleitores de menor renda, católicos e no Nordeste. A segunda etapa exigirá que o candidato do PL tente reduzir essas diferenças sem desmobilizar seu eleitorado tradicional.

Outro desafio será transformar a vantagem eleitoral em uma mensagem capaz de convencer eleitores que não votaram nele. No primeiro turno, Flávio apresentou sua candidatura como uma alternativa ao governo Lula e, após a divulgação do resultado, afirmou que a votação demonstrava que “o Brasil quer mudança”. No segundo turno, a campanha terá de detalhar o que essa mudança significaria em áreas como economia, segurança pública, saúde e políticas sociais.

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A campanha ainda terá de lidar com a maior exposição de Flávio nos debates e na comparação direta com Lula. Como é a primeira vez que disputa a Presidência, o senador passará a ser cobrado não apenas pela identidade política associada à família Bolsonaro, mas também por suas próprias propostas e decisões. A disputa também deve aumentar a pressão sobre os dois candidatos em temas controversos, enquanto as campanhas tentam elevar a rejeição do adversário.

Flávio, portanto, começa a segunda etapa com uma vantagem concreta, mas precisa preservar os votos conquistados e avançar sobre os eleitores que ficaram fora dos dois principais campos políticos no primeiro turno. O desafio será ampliar sua coalizão eleitoral sem transformar a liderança inicial em excesso de confiança. Até 25 de outubro, a campanha terá de converter a votação de 4 de outubro em maioria nacional no segundo turno.

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