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29/07/2026 - 09:13

Exportações recordes abrem caminho para recuperação o setor em 2027

O Brasil produziu 5,592 milhões de toneladas de carne suína em 2025, volume que colocou o país como o quarto maior produtor e o terceiro maior exportador mundial. A atividade gerou Valor Bruto da Produção de R$ 63,1 bilhões, além de movimentar as cadeias de milho, soja, genética, nutrição animal, medicamentos, transportes e processamento de carnes.

Para 2026, a ABPA estima produção de até 5,870 milhões de toneladas, crescimento de 5%. O avanço ocorre depois de dois anos de resultados favoráveis, que estimularam investimentos, alojamento de matrizes e aumento da capacidade produtiva. A expansão, entretanto, colocou mais animais no mercado justamente em um período de consumo mais cauteloso, pressionando principalmente os produtores independentes.

No fechamento de 28 de julho, o suíno vivo estava cotado a R$ 5,27 por quilo em Minas Gerais, acumulando queda mensal de 10,2%. Os preços chegaram a R$ 4,63 no Paraná, R$ 4,72 no Rio Grande do Sul, R$ 4,79 em Santa Catarina e R$ 5,07 em São Paulo.

A distância em relação aos custos ajuda a dimensionar a situação. A Embrapa calculou em R$ 6,21 por quilo o custo de produção do suíno vivo em ciclo completo em Santa Catarina durante junho. Embora os indicadores de custo e de mercado tenham metodologias diferentes e não representem igualmente todas as propriedades, a diferença revela a dificuldade enfrentada pelos criadores que negociam animais fora dos contratos de integração.

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O ajuste da suinocultura é mais demorado do que o observado na avicultura. A redução do número de matrizes ou dos alojamentos não provoca efeito imediato, porque o ciclo envolve gestação, nascimento, crescimento e terminação dos animais. Assim, decisões tomadas agora podem levar vários meses para alterar efetivamente a quantidade de suínos disponível para abate.

As exportações funcionam como principal válvula de escape para esse excedente. A ABPA projeta embarques de até 1,6 milhão de toneladas em 2026, crescimento de 5,9% sobre o recorde de 1,510 milhão de toneladas do ano passado. Em 2025, aproximadamente 27% de toda a carne suína produzida no país foi destinada a 94 mercados, com receita de US$ 3,6 bilhões, equivalente a cerca de R$ 18,4 bilhões.

Nos primeiros 18 dias úteis de julho, o país exportou aproximadamente 105 mil toneladas. A manutenção desse ritmo poderá levar o mês a um novo recorde, apesar da redução dos preços internacionais. As Filipinas assumiram a liderança entre os compradores, ampliando a importância da Ásia para a diversificação dos destinos brasileiros.

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Para 2027, a expectativa é de que a produção chegue a 6,050 milhões de toneladas, alta de 3,1%, enquanto as exportações poderão avançar 6,3%, para 1,7 milhão de toneladas. Como os embarques deverão crescer mais rapidamente do que a produção, a tendência é de diminuição gradual do excesso de oferta e de melhora nas condições de negociação.

O mercado interno também será decisivo. A disponibilidade de carne suína deverá subir de 4,082 milhões para 4,270 milhões de toneladas neste ano, com consumo de até 20 quilos por habitante. Em 2027, a estimativa chega a 20,4 quilos. A recuperação das margens, portanto, dependerá da combinação entre disciplina na produção, continuidade das exportações, consumo doméstico e controle dos custos de milho e farelo de soja.

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