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29/10/2026 - 14:36

Órgão do Senado diz que medidas da campanha pioraram contas públicas e exigirão ajuste maior para reequilibrar economia

Levantamento da IFI aponta que apenas o reajuste do Bolsa Família, a perda da arrecadação das Bets e o pacote dos MEIs representam R$ 40 bilhões de desequilíbrio adicional no orçamento de 2027.

A Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado Federal, avaliou nesta quinta-feira (29) que as medidas anunciadas pelo governo eleito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a campanha presidencial agravaram a situação considerada já delicada das contas públicas.

Por meio do Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) de outubro, o órgão avaliou que, por isso, será necessário um ajuste fiscal maior, do que o necessário anteriormente, para evitar uma piora da situação econômica do país.

“Desequilíbrio fiscal, pressões inflacionárias, juros altos e baixo crescimento. Romper esse nó górdio deve ser a tarefa número um dentre as ações do futuro governo. Sem um ajuste fiscal consistente não haverá retomada relevante dos investimentos estratégicos, crescimento acelerado, criação de empregos de qualidade, incremento da renda e dinheiro para financiar políticas públicas essenciais”, avaliaram os diretores da IFI, Marcus Pestana e Alexandre Andrade.

 

➡️Levantamento da IFI aponta que apenas o reajuste do Bolsa Família, a perda da arrecadação das Bets e o pacote dos MEIs representam R$ 40 bilhões de desequilíbrio adicional no orçamento de 2027.

Além disso, a campanha do presidente Lula propôs, ainda, a extensão do programa Pé de Meia para o ensino superior e a isenção de tarifa de transporte coletivo nos fins de semana (a ser implementada por meio de Proposta de Emenda Constitucional).

  • O órgão do Senado Federal projeta, para este ano, um déficit nas contas do governo da ordem de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB).
  • Avalia que, com os novos compromissos assumidos, “é possível imaginar” um déficit primário efetivo potencial de 1% do PIB, em 2027.
  • A IFI também estima ser necessário um superávit primário de 2,1% do PIB para estabilizar a relação dívida pública /PIB
  • Por conta disso, a IFI estima que a necessidade de um ajuste fiscal equivalente a algo como 3 pontos do PIB.

 

➡️O órgão lembra das turbulências no mercado financeiro após a eleição de Lula e avalia que o anúncio, “o mais rápido possível, de um plano de voo consistente e crível para os próximos quatro anos e de quem estará à frente do Ministério da Fazenda poderá acalmar os agentes econômicos e investidores, ancorando as expectativas em novo ponto de equilíbrio”.

“A IFI tem alertado, nos últimos anos, que é inevitável um verdadeiro ajuste fiscal, se quisermos desencadear um novo ciclo de desenvolvimento vigoroso e sustentado no país. Isso passa por produzir os superávits primários necessários para estancar o crescimento da dívida, criando o ambiente adequado para a queda das taxas de juros; desengessar o orçamento; rever o perfil dos gastos; aumentar a eficiência; e ampliar substancialmente os investimentos estratégicos estruturantes, sobretudo na infraestrutura e na inovação tecnológica”, diz o órgão.

G1

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